NÍVEL - Marca no porto de Pereira Barreto mostra a queda no nível do reservatório HIGOR CRISPIM

Reservatórios de usinas podem chegar em novembro quase vazios

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ANTONIO CRISPIM – ARAÇATUBA

A histórica crise hídrica que vem atingindo as regiões Sudeste e Centro-Oeste, especificamente as bacias dos rios Paraná e São Francisco, ganha contornos sombrios em relação à geração de energia. Estima-se que pelo menos oito reservatórios de usinas importantes para o Sistema Interligado Nacional (SIN), na bacia do rio Paraná, devem chegar ao fim do período seco deste ano (novembro), com volumes de armazenamento próximo de zero. A previsão é do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pelo monitoramento e gerenciamento das usinas de geração de energia do país. De acordo com o órgão, isso pode representar riscos de falhas no abastecimento de energia em várias regiões. Para impedir este problema, várias medidas estão sendo adotadas.

A previsão do ONS foi feita com base no comportamento dos reservatórios considerado os níveis atuais e como devem evoluir recebendo o mesmo volume de chuvas dos anos recentes. O órgão alerta para o risco do que denomina de “perda do controle hidráulico”, quando a usina não tem condições de operar.

“Considerando-se as previsões de afluência (entrada de água nos reservatórios) obtidas com a chuva de 2020, prevê-se a perda do controle hidráulico de reservatórios da bacia do Rio Paraná no segundo semestre de 2021. Isso implicaria em restrições no atendimento energético nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste”, alerta nota do ONS.

As usinas instaladas nesta região respondem por 53% de toda a capacidade de energia hídrica do Sistema Interligado Nacional (SIN), que abastece o país. “Em novembro há praticamente esgotamento de todos os recursos, sendo necessário o uso da reserva operativa a fim de evitar déficit de potência”, acrescenta a nota.

Para contornar a situação e evitar risco no abastecimento, o ONS fez várias sugestões, como mudanças no controle da vazão desses reservatórios. “As medidas indicadas, que resultam na manutenção da governabilidade hidráulica da bacia do rio Paraná, permitem assegurar o atendimento eletroenergético do SIN em 2021.”

 

CRISE

Diversos órgãos vêm fazendo alertas e estão mobilizados em buscar soluções para uma das piores crises das últimas décadas. Com chuvas nos menores níveis em 90 anos, os reservatórios de algumas das principais hidrelétricas estão entrando no outono e inverno, o período seco, nos menores níveis em duas décadas.

Para enfrentar a situação, o governo vem sendo obrigado a acionar todas as opções de energia reserva do sistema para reduzir os riscos de apagão ou racionamento. A energia reserva – fornecida por termelétrica ou importação de vizinhos como Argentina e Uruguai – custa mais caro, Isso pressiona as tarifas tanto para os consumidores residenciais quanto para indústrias e estabelecimentos comerciais.

 

POSICIONAMENTO

Diante de muitas informações alarmistas, na sexta-feira o ONS divulgou mais uma nota sobre o assunto.

“O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem entre suas atividades realizar estudos, análises e avaliações de cenários para um horizonte de até cinco anos. Desta forma, a nota técnica traz resultados consolidados dos estudos com projeções para o período de junho a novembro de 2021 e são contempladas diversas hipóteses.

O único cenário em que há risco de déficit é o cenário de referência, utilizado para demonstrar que ações precisavam ser tomadas com o intuito de evitar essa ocorrência. Sendo assim, diversas medidas foram aprovadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE e já estão em curso, o que faz com que esse cenário não se concretize e se garanta o fornecimento de energia e potência em 2021.

Entre as ações em curso destacam-se a flexibilização das restrições hidráulicas dos aproveitamentos localizados nas bacias dos rios São Francisco e Paraná; aumento da geração térmica e da garantia do suprimento de combustível para essas usinas; importação de energia da Argentina e do Uruguai, além de campanha de uso consciente da água e da energia.

O ONS reforça que o país passa pela pior crise hidrológica desde 1930 e que nos últimos sete anos os reservatórios das hidrelétricas receberam um volume de água inferior à média histórica. É neste contexto que todos os esforços estão sendo envidados, com transparência e informação à população, para que o país atravesse a crise hídrica sem problemas no fornecimento de energia, que como dito anteriormente, está garantido este ano”, conclui a nota.

 

REGIÃO

As duas principais usinas da região apresentam queda no nível dos reservatórios e no volume útil. Em junho do ano passado, a Usina de Três Irmãos (Rio Tietê) estava com volume útil de 64,02% e nível de 326,3 metros e Ilha Solteira (Rio Paraná) com volume de 64,29% e nível de 326,3. Já este ano, Três Irmãos está com volume util 47,75% e nível de 325,5, o mesmo nível de Ilha Solteira, que está com volume útil de 47,23%. Como se observa, a queda no volume útil dos dois reservatórios foi superior a 26% entre junho de 2020 e junho de 2021.

 


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