INSUFICIENTE - Avião de pequeno não consegue apagar o fogo

Depois de dois anos, Ilha Comprida volta a ser devastada por incêndio

DA REDAÇÃO – CASTILHO

Desde domingo a Ilha Comprida, no Rio Paraná, entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS) está sendo devastada pelo fogo. O último grande incêndio ocorrido na área foi em 2019. Nessa segunda-feira um avião de pequeno porte começou a atuar no combate às chamas, mas com pouco resultado prático. O brigadista Messias Donega esteve rapidamente na área e disse que o quadro é desolador. Não tem como levar caminhão para combater o fogo. Na área, que já foi habitada, há muitos animais silvestres, que estão morrendo. Moradores ribeirinhos e de Castilho não escondem a revolta com o Estado de abandono da Ilha Comprida, que é uma área de preservação.
Até meados da década de 1990 a Ilha Comprida era habitada. Muitos moradores eram eleitores em Castilho, mas juridicamente era ligada a Três Lagoas. O transporte de gado da ilha era feito por balsa. No entanto, com a previsão de término da Usina de Porto Primavera (Sérgio Motta) a necessidade de fechamento das adufas para formação do lago, quem tinha posse na ilha foi indenizado. A ilha deixou de ser habitada.
De acordo com moradores ribeirinhos, quando a ilha era habitada, não havia incêndio. Depois, as queimadas passaram a ser recorrentes. Atribuem isso ao estado de abandono. Acreditam que caçadores e pescadores que vão ao local podem contribuir para o surgimento de focos de incêndio. Quanto ao incêndio de domingo, a suspeita é que tenha sido um raio.
A Ilha Comprida, que tem aproximadamente 3,5 quilômetros de largura e 15 quilômetros de extensão, tem área de aproximadamente 2 mil alqueires ou 5 mil hectares. Porém, essa dimensão é questionada. Há quem fala em 9 mil hectares. A formação do lago da Usina de Porto Primavera pode ter reduzido a sua área. A ilha é RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), sob responsabilidade da concessionária da usina, a Cesp – Companhia Energética de São Paulo.
O brigadista Messias Donega esteve na margem do Rio Paraná no domingo e na manhã dessa segunda-feira foi até a ilha. Mas apenas onde o fogo já tinha passado. O quadro, segundo ele, é desolador diante da destruição da natureza. Donega disse que há muitos animais na ilha. O número de mortes pode ser elevado.

SOCORRO
A informação é de que a Cesp enviou um avião de pequeno porte para combater as chamas. Mas o resultado não foi o esperado. Moradores ribeirinhos criticam o estado de abandono da ilha. Defendem a adoção de políticas públicas de preservação da área, até mesmo para impedir invasões. Um morador, que pediu para não ser identificado, disse que muitas queimadas são criminosas. Na sua avaliação, assim como vem ocorrendo em outras áreas de preservação permanente ou de reserva legal, diante da omissão do poder público responsável por essas áreas, estão invadindo. “O fogo na ilha pode ser uma desculpa para também invadirem. E o pior, ninguém faz nada”, desabafou o morador que já sofreu com enchentes no passado e que agora vê tudo ser destruído pelo fogo.

CESP

A Companhia Energética de São Paulo, Cesp, se posicionou por meio de nota nesta terça-feira.

Posicionamento

A CESP – Companhia Energética de São Paulo, informa que, juntamente ao Corpo de Bombeiros, está atuando no combate ao incêndio florestal na Ilha Comprida, situada no Rio Paraná, entre os municípios de Castilho (SP) e Três Lagoas (MS). Além de equipe de brigadistas, a empresa enviou, na segunda-feira (27/09), uma aeronave de combate a incêndio para controlar as chamas. A situação hoje é considerada controlada, com equipes monitorando os últimos focos do incêndio.
A Companhia ressalta ainda que, além da brigada de combate à incêndios florestais e o apoio aéreo de aeronaves de combate, executa diversas ações preventivas durante o ano, incluindo atividades voltadas para a manutenção e preservação de 67 mil hectares de áreas naturais ao longo das margens do reservatório da UHE Porto Primavera.

 

DESTRUIÇÃO – Incêndio vem destruindo a ilha deste domingo à tarde

 

DESOLAÇÃO – Árvores e vegetação rasteira destruídas pelo incêndio

 

Fotos – MESSIAS DONNEGA

Veja também

Polícia Ambiental fiscalizou 30 pontos de venda de peixe

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA Nos dias de 21 e 22 de outubro de 2021 a …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *