COMO O TRABALHO EMOCIONAL ATINGE AS MULHERES ATUALMENTE

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JÉSSICA BRANDÃO

Se você, assim como eu, está sempre disponível para outras pessoas, sejam clientes, colegas de trabalho, família e amigos, com toda certeza em algum momento da sua vida sentiu sua energia chegar à zero! Pois bem, esse é o papel de muitas mulheres com o trabalho emocional, além disso o trabalho de muitas não termina quando saem do ambiente de trabalho!
Nós mulheres, temos outras responsabilidades, cuidar dos filhos, tarefas domésticas, o famoso “Home Office”, situação de muitas atualmente, em que é necessário conciliar o trabalho com a vida pessoal, entre tantas outras, que já citei em outros artigos.
Estudos apontam que as mulheres assumem a maior parte da responsabilidade nos relacionamentos, tanto na carreira como também na vida pessoal. Além de serem são mal pagas na maioria das profissões (se comparado com os homens) como também exercem esse trabalho invisível que é o “trabalho emocional”.
Pare um minuto, olhe ao seu redor, observe o seu ambiente de trabalho e faça a seguinte análise, quantas mulheres agem como mães da equipe, ou aquela que é mediadora dos conflitos internos, ou a pessoa que sempre cria vínculos no time, a que escuta todas as reclamações, compra presentes, dá dicas de comportamento, traz um bolo, ajuda alguém, que diz palavras bonitas de consolo e solidariedade? Eu tenho certeza que você vai identificar alguém assim em seu convívio diário.
Esse conceito de “trabalho emocional” ele não é nada recente, foi descoberto há mais de três décadas! E essa sobrecarga emocional que nós, mulheres, carregamos, vem desde o contexto familiar, conjugal, profissional, até a roda de amigos.
Podemos notar que esse problema aparece de diversas maneiras na vida da mulher, se a mulher assume esse papel na empresa, provavelmente ela também assume essa responsabilidade em seus outros relacionamentos.
Existem as coachs de carreira, ou a terapeuta do noivo, que está sempre dando opiniões e ajudando em questões emocionais. O quanto de energia é colocado nesse trabalho? Vocês já pararam para pensar no quanto é desgastante? E ainda assim, na maioria das vezes, conseguimos administrar tudo isso, e manter a nossa mente em “ordem”.
Agora vamos analisar um pouco mais afundo, no meio familiar. Em festas de família, a mulher é aquela que sempre liga para o tio chato, pedindo para ele comparecer na festa, que no meio de uma discussão de primos, ou tios e tias, está sempre tentando apaziguar toda a situação. Quem faz com que todos se sintam bem e acolhidos? É SEMPRE A MULHER! Sem contar com o trabalho braçal: decorar a casa, fazer a comida, lavar a louça que ficou depois da festa! E quem cozinha? Claro, que são as mulheres!

Nem precisamos entrar na discussão de que as mulheres ganham menos e trabalham mais do que os homens, e ainda tem que lidar com o trabalho emocional o tempo todo, todos os dias, além de ter que colocar um sorriso simpático no rosto, porque se ao menos expressar uma fisionomia de estresse ou cansaço, já é identificada como: grossa, mal educada, sem controle, emotiva demais, entre outros.
Claro, muitas mulheres que lerem esse artigo, vão dizer que fazem isso por amor, tudo bem, eu acredito muito nisso. Pode ser por amor, por aspecto biológico ou vocação, mais uma coisa que quero perguntar a vocês: por que vocês fazem esse papel? É consciente? Você gosta mesmo de realizar esse trabalho? Você é recompensada?
Precisamos nos questionar se o que realmente fazemos é pelo fato de querer, ou se é realmente feito por consequência, ou porque os homens simplesmente não sabiam fazer aquilo.
Precisamos abrir nossa mente para o cuidado conosco, saber exatamente o que é bom para nós ou não. Até que ponto esse trabalho vai nos proporcionar paz ou fazer com que a gente fique ainda mais tensas e com sobrecarga de responsabilidades que muitas vezes nem são nossas e nem nos diz respeito.
Homens e mulheres, ambos são capazes de gerir o emocional, precisamos tirar o peso dessa responsabilidade em nós!
Vou fazer uma pergunta aos homens agora, você tem assumido esse trabalho nas suas relações? Ou tem terceirizado para a sua esposa, sua mãe, sua irmã? Como é a sua responsabilidade emocional com a sua equipe de trabalho? Você tem tirado um tempo para ouvir algum colaborador que esteja passando por algum problema familiar? Ou que esteja sentindo desmotivação? Consegue gerir essas questões? Fica aberto esse questionamento!
O fato é que, o que estou citando aqui, sobre o trabalho emocional, é que ele não é visto, não é visto por ninguém! Mas, é um trabalho sútil e importante. Além de não ser remunerado e bem pouco valorizado.
Vamos começar a abrir nossa mente e entender o que realmente vem sendo essencial nesses tratamentos e o quanto, nós, mulheres, temos que nos posicionar e colocar acima desse cuidado, o que realmente nós estamos sentindo. Quem cuida de quem cuida?
Vou deixar aqui a reflexão!

Jéssica Brandão – Gestão de Recursos Humanos/ Redatora / Articulista de Opinião / PNL

 


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