Ciclismo tem potencial para aquecer a economia regional e valorizar produtores

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ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA/ANDRADINA

A bicileta tem mais de 200. É atribuída ao barão alemão Karl von Drais, de 1817, a propriedade da primeira bicicleta. Ele a batizou de “máquina corredora” (laufmaschine em alemão) e a imprensa a chamou de Draisine ou velocípede. Era feita de madeira e funcionava com o impulso dos pés. O objetivo de Von Drais era oferecer um meio de transporte mais barato e fácil de manter que os cavalos. Ao longo de mais de dois séculos, houve muita transformação.

O que era apenas um meio de transporte das camadas mais populares no passado, se transformou em esporte e lazer. Hoje, os chamados grupos de pedal se multiplicam por todo o país. Só em Araçatuba são mais de 30 grupos. As motivações são muitas, desde o preparo físico para contornar problemas de saúde, como o desafio aventureiro.

O que importa é que a bicicleta hoje movimenta a economia de diferentes setores. No ano passado, por conta da pandemia, as vendas cresceram mais de 100%. Além disso, com as rotas de ciclo turismo, estimulam também as atividades produtivas. Há rotas com venda de vinho, doces, queijos, carnes processadas artesanalmente e outros produtos.

 

Vereador defende projeto do ciclo turismo regional

Em entrevista ao jornalista Salvador Placco Neto, do SRC, o vereador Sérgio Faustino, o Sargento Faustino, de Andradina, apresentou o Projeto de Ciclo Turismo Regional, o qual já apresentou a várias autoridades e está trabalhando pela sua implementação. “Ciclo Turismo Regional consiste em tornar a cidade mais atrativa, mais viável para o público ciclista que está crescendo muito no mundo. Em outras cidades já existe, nós estamos atrasados. Por isso estamos pensando nisso, é um projeto muito bom que vai deixar Andradina preparada para esse público”, disse ele.

Segundo o vereador, a ideai não é apenas desenvolver o projeto em Andradina. A iniciativa é mais abrangente. “Esse Circuito e, ciclistas das cidades me procuraram, um dos ciclistas, Doutor João Amorim, médico. Ele faz parte da bike ciclismo de Andradina, ele me procurou e conversou muito sobre isso”, disse. Alguns prefeitos estão sendo procurados para abraçarem a inciativa.

“Em Santa Catarina existe o Vale Europeu, que é um local que o pessoal vive do turismo ciclístico, tornou cidade, tornou rotas atrativas para esse público, e o pessoal do mundo inteiro vai para lá. Existe em Santa Catarina, existe em Goiânia, o Circuito Cora Coralina, e aqui nós estamos tentando conversar com as cidades vizinhas, para fazer as rotas interligar as cidades”, acrescentou Faustino. “Já fiz a primeira conversa com prefeito Everton Sodário, de Mirandópolis, que já fez ciclofaixa na cidade. Está preparando a cidade dele para isso. Empresários certamente vão apoiar a iniciativa, como a Bike Shopping Mazotti, de Carlos Mazotti, que é também um incentivador desta atividade na cidade.

Segundo Sérgio Faustino, para explicar esse projeto ele vai conversar com os prefeitos de cidades vizinhas. “Nós pretendemos fazer essa rota de Castilho a Mirandópolis ou Lavínia”, disse Faustino, que já iniciou conversas com representantes de Guaraçai. “Cada cidade vai cuidar do seu quadrado e nós vamos interligar as cidades. É muito legal, traçar rotas rurais com segurança para o ciclista, que é o principal ponto”, enfatizou.

A proposta visa traçar rotas pelas estradas não pavimentadas e estimular o ciclo turismo rural. Os produtores rurais poderão criar serviços específicos, como venda de sucos naturais, de queijo e outros produtos desenvolvidos na propriedade. “Guaraçai tem lá o abacaxi. È uma fonte a ser explorada. Tem outros pontos aí na rota para serem explorados. Nós estamos pensando nisso tudo. Por enquanto é um embrião, está nascendo, mas é um projeto bem audacioso e bem legal”, acrescentou.

SEGURANÇA

O projeto audacioso do vereador Sérgio Faustino visa o desenvolvimento do ciclo turismo, mas com segurança para o praticante. Ele teve um momento traumático. “Sim, esse é um dos motivos. Eu acho que a segurança do ciclista, talvez, eu hoje não teria passado por momentos tão difíceis como passei na minha vida. Então é pensando nisso realmente, e o ciclismo é uma coisa que o pessoal realmente gosta, adere. E o ciclista não consegue ficar só na cidade, ele quer alçar voos, ele quer andar mais longe”, que foi atropelado com a mulher na estrada Sebastião Lourenço da Silva (Planalto). Ele sobreviveu, mas a mulher faleceu.

“Então a gente tem que pensar na segurança realmente, e estamos pensando aqui na cidade em ciclovias, ciclofaixas, bicicletários em toda a cidade. E eu acho que esse projeto tem tudo para sair do papel, porque tem uma aceitação muito grande”, finalizou. (colaboração Salvador Placco Neto)

IDEAL – Praticante do ciclismo, vereador Sargento Faustino quer tornar a atividade em atrativo turístico regional

 

 

Araçatuba tem milhares de participantes do ciclo turismo

Araçatuba já foi reconhecida por uma das cidades com maior número de ciclistas do país. A geografia do município contribuiu para isso. Porém, a bicicleta não tinha caráter esportivo, mas sim de meio de transporte e isso acabou migrando para a motocicleta. No entanto, nos últimos 20 anos, o ciclismo voltou a crescer na cidade, mas com caráter mais esportivo e de lazer. Não há um censo quanto ao número de praticantes. Mas são dezenas de grupos com perfis diferentes. Algumas pessoas afirmam que pode ter mais de 5 mil ciclistas que participam rotineiramente de atividades. E importante, com rotas diferentes e faixas etárias diferentes.

Em 2018 foi criada a Associação dos Ciclistas de Araçatuba. Segundo o atual secretário e um dos idealizadores da associação, o advogado Cláudio Cardoso, no próximo dia 25 será eleita a nova diretoria e o presidente será o empresário Reinaldo Malta (Remaq). Cardoso disse que a associação tem várias propostas, entre as quais a de realizar um censo de ciclistas praticantes. Outra iniciativa é colocar no papel as rotas do ciclo turismo, até mesmo para que a cidade possa usar isso como marketing, além de poder estimular a atividade econômica em áreas produtivas.

Segundo Cláudio Cardoso, que já fez percurso de 200 quilômetros de pedalada (Araçatuba a Jales, ida e volta), há grupos com diferentes perfis. “Há aqueles que querem apenas passeios, inclusive com a família, outros de longo percurso e até quem treina para competições. Na manhã desse sábado, Cláudio Cardoso integrou um grupo que fez um percurso muito usual – Água Limpa, Prata e Jacutinga. Porém, desta vez até mesmo os mais experientes tiveram uma surpresa, conheceram a Fazenda do Café. Trata-se de uma propriedade do início da colonização de Araçatuba, com edificações da primeira metade do século passado.

Cláudio Cardoso disse que já elaboraram um roteiro de 380 quilômetros, saindo de Araçatuba, passando por Nhandeara, Fernandópolis, Santa Fé do Sul, Ilha Solteira e Araçatuba. Porém, devido à pandemia, tiveram de adiar a iniciativa.

Para o advogado e amante das pedaladas, o ciclo turismo tem potencial para contribuir com a economia regional.

 

 

RESISTÊNCIA – Grupo percorreu mais de 62 quilômetros nesse sábado
ROTA – Mapa mostra o percurso feito por Claudio Cardoso e demais pessoas do grupo nesse sábado

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