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Araçatuba
quarta-feira, agosto 17, 2022

Algas no Tietê preocupam especialistas, mas tratamento garante segurança no consumo

Menos de 10 dias após a Prefeitura interditar prainha municipal, a população ainda está preocupada com a situação do Rio Tietê em Araçatuba. Uma moradora que procurou a reportagem de O LIBERAL REGIONAL revelou que a sua maior preocupação era com o abastecimento de água, pois há sistema de captação no rio. Em relação a esse questionamento, a assessoria de imprensa da Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba), informa que, a empresa monitora a qualidade da água bruta na captação do Sistema Tietê. As análises especificas, que eram feitas mensalmente, passaram a ser realizadas, desde o início do ano, uma vez por semana.
Mesmo com a ocorrência de problemas com a água bruta, a operação se mantém normalizada na Estação de Tratamento de Água do Rio Tietê. Com a preocupação sobre o consumo dessa água, já que esta estação de tratamento abastece a zona norte da cidade, a Samar reforça que a água distribuída para esses moradores é de qualidade e atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
No dia 17 deste mês, as secretarias Municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade e Turismo tomaram conhecimento sobre as algas que estão prejudicando a qualidade da água bruta (água não tratada) do rio.
Logo de início, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) recomendou que a população evite qualquer tipo de contato com essa água, seja para banho, pesca ou até mesmo beber diretamente do rio sem tratamento.
De acordo com o biólogo Marcelo Oliveira, essa superpopulação de algas não apresenta riscos para a saúde do ser humano, mas essas plantas retiram o oxigênio da água, provocando a morte dos peixes. Para ele, é muito triste a situação em que o Tietê se encontra. “Fico triste de termos chegado a esse ponto como o nosso rio. Ele está mostrando sinais claros do desiquilíbrio que estamos causando”, finaliza.
“A eutrofização dos corpos de água pode ocorrer naturalmente ou em razão da ação antrópica, sendo esta a responsável na maioria dos casos, já que o processo natural ocorre a longo prazo. O fenômeno provavelmente é consequência do aumento da população humana e suas atividades como uso de fertilizantes, esgotos sem devido tratamento e atividades industriais. Mas também são levados em conta outros fatores como a velocidade da água, a vazão, a turbidez, a profundidade do curso de água, a temperatura entre outros. Fatores estes, que também são alterados pela ação antrópica. Não é um fenômeno comum a rios, devido a movimentação das águas. Por isso tem afetado somente algumas regiões”, disse a bióloga Tammy Cardoso Serizava Melles.
Segundo a bióloga, com a eutrofização ocorre um acúmulo de nutrientes dissolvidos, favorecendo o crescimento exacerbado de algas (e cianobactérias), a tal ponto que considera-se uma superpopulação. “Podemos dizer que há uma superpopulação quando o número de indivíduos de uma dada espécie, no caso as algas, aumenta a tal ponto que causa um desequilíbrio no ecossistema, e assim prejudica as demais espécies. Pelo nível excessivo de nutrientes nos corpos de água, principalmente nitrogênio e fósforo esse fenômeno esta cada vez mais comum”, acrescentou.
“A situação desses corpos de água com superpopulação de algas tem consequências graves como, o impedimento da passagem de luz solar, levando morte dos organismos fotossintetizantes que fornecem oxigenação das águas, e consequentemente morte dos seres aeróbios; acumulo de toxinas das algas (cianobactérias); contaminação dos peixes por essas toxinas; aumento de microrganismos nocivos a saúde; mau odor; distúrbios com insetos; aumenta a amônia e o gás sulfídrico; impede o consumo da água e seu uso recreativo; impede a inversão térmica da água; causa um desequilíbrio na cadeia alimentar e em todo ecossistema afetado”, finalizou Tammy Cardoso Serizava Melles.

Heloisa Alves
Araçatuba

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