20.2 C
Araçatuba
sexta-feira, junho 24, 2022

No Dia do Sexo, especialista trata dos aspectos saudáveis

O dia 6 de setembro é o Dia do Sexo. Não se trata de uma data oficial, mas já pegou como tal por conta de campanhas de marcas de preservativos, sendo que nas redes sociais o dia já está mais que reconhecido. O assunto é de interesse, senão de todos, pelo menos da grande maioria da população. É tratado de formas profundamente diferentes nas culturas ao redor do mundo e, na mesma proporção em que leva ao paraíso, pode também significar problemas. Nesta entrevista, a psicóloga Ana Mariá de Oliveira Silva fala sobre os aspectos saudáveis do sexo na vida das pessoas e também sobre quando o assunto precisa de acompanhamento profissional. Ela é especialista em Sexualidade: Terapia Sexual e Orientação e em Terapia de Casal e Família. Atua como psicóloga clínica, terapeuta sexual e acompanhante terapêutica e é psicóloga no Centro de Referência e Apoio à Vítima – CRAVI. “Um dos maiores erros acometidos entre as pessoas é a não diferenciação entre sexo e sexualidade. Quando se tem acesso a esse assunto, imediatamente as pessoas interligam ao ato sexual em si, esquecendo-se do prazer e satisfação estabelecidos sem a relação sexual”, afirma Ana Mariá.

Liberal: Em que tipo de situação uma pessoa deve procurar um sexólogo?

Ana Mariá: Mesmo o sexo sendo um assunto tão banalizado nos dias atuais, a maior procura por um sexólogo ainda acontece por encaminhamento de outro profissional da saúde. Além do fator psicológico, que é um agente condutor de grande interferência na nossa vida diariamente, o fator orgânico tem apresentado grande ressalva. Quando não há uma qualidade de vida, um resultado satisfatório, quando o sexo passa a se tornar um fator de frustração, de tormenta, quando se apresenta dor no ato sexual é o momento de procurar um profissional. A procura é realizada para resolver uma insatisfação no presente, com a finalidade de melhorar relações futuras.

Liberal: Quais as dificuldades que as pessoas mais apresentam com relação ao sexo ao te procurarem?

Ana Mariá: Embora se trate de um assunto sexual, a maior dificuldade ao procurarem um profissional ainda é a falta de diálogo, organização, comportamento e informação. Atualmente, o sexo embora prazeroso não possui prioridade para a maioria das mulheres. Para elas, a falta de desejo sexual conhecida como a temida “frigidez”, ainda tem sido o maior índice de procura no consultório. Com a complexidade do ser, suas várias atribuições, insegurança, afazeres, diferentes necessidades, cobranças, vida profissional, frustrações, relações mal sucedidas, influencia religiosa, maternidade, falta de apropriação do próprio corpo, a baixa autoestima, a ênfase dada ao sexo tem feito com que ele fique adormecido. Nessa busca profissional, a função do terapeuta é o resgate individual dessa pessoa que passou a não existir e devolvê-la a segurança e fortalecimento emocional para que possa olhar o sexo com um olhar mais complexo. Já quando se trata do homem, o fator primordial de procura tem sido a ejaculação precoce. Um dos principais motivos é a ansiedade e quanto maior a cobrança ocorre uma antecipação ao fracasso, dificultando o desempenho.

Liberal: Com a explosão das redes sociais e exposição individual aumentou muito e tem provocado em crianças um comportamento cada vez mais tido como de adultos. A criança corre algum risco ao se expor ou reproduzir essa erotização?

Ana Mariá: A infância é um período de suma importância para o desenvolvimento do individuo. É a fase de reconhecimento, descobertas, estimulações, aprendizado e de evolução do processo cognitivo. Porém, cada vez mais as crianças estão pulando esta etapa. Precisamos ter consciência de que crianças não são adultos e para se chegar a essa fase é necessário que se obedeça ao período de transição. É dever e obrigação dos pais respeitarem esse processo e estarem atentos a essas reproduções e maneiras inadequadas de estimulações, pois são eles os maiores modelos de significância dos filhos.

Liberal: Com frequência vemos notícias de jovens hospitalizados por conta de uso de medicamentos como Viagra. O que você pensa sobre isso?

Ana Mariá: No processo de educação sexual é importante observarmos as necessidades afetivas de cada individuo. A sexualidade é algo tão pessoal e culturalmente a criação e cobrança estabelecida para os meninos são muito mais rígidas do que para as meninas.

Sua masculinidade/virilidade é cobrada sem ao menos serem questionados sobre seus reais desejos, sentimentos e possibilidades. A necessidade de pertencimento, a falta de informação, a falta de reconhecimento, tem feito com que os jovens pulem fases necessárias para o seu amadurecimento e façam escolhas sem pensar nas reais consequências. A delegação de responsabilidades tem feito com que percamos o verdadeiro foco, que é a prevenção.

Liberal: Qual espaço o sexo deve ocupar na vida de uma pessoa para ele ser considerado saudável?

Ana Mariá: O espaço dado ao sexo se diferencia entre as pessoas, faz parte do processo de individualização e qualidade de vida. Para se pensar em qualidade, precisamos pensar com que o sexo seja sinônimo de reciprocidade, onde haja uma verbalização das necessidades, das limitações, dos desejos. Onde haja uma cumplicidade e interação entre os parceiros.

Não deixando de ressaltar que um dos fatores para se tornar o sexo saudável é o uso de preservativos e métodos contraceptivos.

Liberal: Quando o sexo não é considerado saudável?

Ana Mariá: O sexo não é considerado saudável quando não há permissão entre ambas as partes, quando se apresenta imposições, falta de compreensão, quando se caracteriza por perturbações nos processos que envolvem o ciclo de resposta sexual ou por dor associada ao envolvimento sexual.

Liberal: Na vida de um casal, qual a importância de se manter relações sexuais?

Ana Mariá: Entre um casal, o sexo é tido como um termômetro dentro de uma relação. Ele varia entre a necessidade, qualidade, entrosamento. A relação sexual entre um casal pode ser o maior elo entre eles. Muito além do que o sexo, a satisfação pode não estar necessariamente ligada ao desempenho e sim ao afeto. O vínculo afetivo é a maior conexão entre eles e quando há essa ligação emocional, o ato sexual se torna pleno.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

Ultimas Noticias