Pesquisa divulgada nesta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revelou um dado preocupante em todo o país: apenas três em cada dez brasileiros na idade adulta praticam atividades físicas e esportivas com regularidade. Mostra ainda que as mulheres praticam menos atividades físicas que os homens e que pessoas com maior renda estão mais ativas.
De acordo com o relatório do Pnud 37,9% dos brasileiros entrevistados afirmaram praticar algum esporte. Entre as mulheres o índice é de 33,4% e para os homens é de 42,7%. O local onde mais se pratica atividade física é no Distrito Federal, onde 50,4% dos participantes da pesquisa afirmaram praticar algum esporte, e Alagoas figura com o menor percentual, 29,4%.
A conclusão que a pesquisa apresenta é que praticar atividade física e esportiva não depende apenas de decisão individual, mas sim do contexto social em que a pessoa vive. Diz também que não basta aconselhar que se pratique mais esporte sem criar oportunidade para isso, uma vez que os indivíduos enfrentam barreiras sociais que limitam o envolvimento.
Segundo o estudo, ser homem, jovem, branco, sem deficiência e de alto nível socioeconômico e educativo significa praticar muito mais atividades físicas e esportivas do que o restante da população. Em contrapartida, as mulheres de baixo nível socioeconômico e educativo, as pessoas idosas, as pessoas negras e as pessoas com deficiência são a maioria entre os não praticantes.
OFERTA ESPORTIVA
O secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação de Araçatuba, Sérgio Tumelero, concorda com o resultado da pesquisa. “A maioria da população, via de regra, não procura fazer exercício físico de forma regular. Esse exercício físico de forma regular, se ele fosse feito por uma parte maior da população, acarretaria em muitos benefícios para as próprias pessoas, além de deixá-las mais saudáveis, com mais qualidade de vida”, afirma.
De acordo com ele, a Prefeitura atende atualmente cerca de 4.100 pessoas nos programas sequenciais da secretaria, aqueles que são ininterruptos, fora os projetos esporádicos de fim de semana, como atividades de lazer. Os esportes mais procurados são a ginástica rítmica, basquete, natação e futebol, mas a oferta inclui diversas outras modalidades, como futsal, atletismo, judô, tênis de mesa e também damas e xadrez.
Os projetos do município atendem a diversas faixas etárias. “O nosso mais novo integrante tem cinco anos e o mais velho está com 90 anos”, afirma o secretário. Segundo Tumelero, o objetivo é oferecer prática esportiva de forma mais ampla para a população e aumentar a participação. “É uma pena que não haja uma conscientização maior por parte da população; com certeza teríamos sujeitos muito mais saudáveis”, diz.
FOCO NAS CRIANÇAS
Uma das estratégias pra mudar esse cenário e conseguir cada vez mais adeptos para o esporte é focar as crianças. “Nós temos que fazer com que este incentivo, essa conscientização, seja muito mais para a criança, por que se a criança faz uma atividade física e cria isso como uma condição regular ela leva isso pro resto da vida”, explica o secretário.
De acordo com ele, a família é também exemplo para isso. “Quando o pai e a mãe são ativos fisicamente, quase a maioria ou a totalidade das crianças acaba indo praticar exercício físico. Então e uma questão de conscientização”, reforça. Além do incentivo social, o município está investindo na conclusão da Praça de Esportes e Cultura do Jardim Atlântico, espaço que oferecera diversas possibilidades de prática esportiva. Também esta licitando a construção de uma quadra poliesportiva para o bairro Verde Parque.
A pesquisa do Pnud revelou que parte do problema nasce nas escolas brasileiras, pois comente 0,58% delas são consideradas Escola Ativa, enquanto 38,56% estão ainda no patamar insuficiente. Uma Escola Ativa é aquela em que a distribuição do tempo, da arquitetura e do mobiliário dos espaços, das regras de conduta é mais apropriada para o estímulo e a prática das atividades físicas.
Entre as escolas públicas, mostra o estudo, quase metade (46,1%) está no nível elementar, enquanto 42% estão no nível insuficiente. Entre as particulares, 61% estão no nível elementar e 24% no nível insuficiente. No Brasil, 39% das escolas oferecem atividades físicas extracurriculares e 20% abrem nos fins de semana para a prática esportiva.
FERNANDO VERGA – Araçatuba



