Para que possa continuar operando de forma regular, eficiente e com maior visibilidade comercial, o Aeroporto Municipal Plínio Arlacon, em Três Lagoas, precisará passar por adequações na pista de voo, para corresponder às exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O projeto de adequação consiste em deixar do eixo da pista de voo nas laterais direita e esquerda com 150m livres de obstáculos. A mudança constitui em regular a área plana de asfalto para poder receber o procedimento IRF (Instrument Flight Rules), o chamado voo por instrumento.
O IRF, ao invés de referências visuais, o piloto se baseia nos computadores de bordo da própria aeronave, que vão muito além de uma bússola ou altímetro. O instrumento conversa com outros receptores/ emissores que orientam as aeronaves no ar, no auxilio de decolagens e aterrisagens. Nesse caso a aeronave e o piloto, além de habilitados para o voo VRF, hão de estar habilitados para o voo IRF auxiliando melhor na navegação aérea.
Atualmente o aeroporto de Três Lagoas opera em voo VRF (Visual Flight Rule), conhecido como voo visual. No linguajar comum, o voo visual ocorre quando o piloto tem completa visualização do que está do lado de fora do avião e se orienta por referencias visuais externas, como estradas, morros, plantações, construções, etc.
Porém, com o procedimento VRF, o cancelamento de voos e mudanças na rota, é frequente no aeroporto Plínio Arlacon, devido a situações climáticas como nebulosidade, chuva e nuvens baixas.
Para que o aeroporto receba o procedimento IRF, a pista de voo não pode apresentar nenhum tipo de obstáculo que comprometa os pousos e decolagens.
Para que isso ocorra, a prefeitura municipal iniciou os trabalhos de demolição dos antigos galpões de hangares, remoção da antiga área de recepção e antigo posto de abastecimento, na intenção de se adequar as exigências da Anac. Foram retirados aproximadamente 70 caminhões de entulho.
Feita a adequação, a administração do aeroporto solicita a visita de militares do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), para elaboração de uma carta de aproximação. O trabalho de inspeção consiste na realização de vários pousos e decolagens em diversos ângulos do aeroporto para total eficiência para operar em IRF.
De acordo com a superintendente do aeroporto municipal, Sayuri Baez, as medidas de adequação estão em andamento. Segundo Baez, uma licitação de construção de área dos hangares foi aberta e aguarda agora uma empresa para dar prosseguimento nas obras. Retiramos as construções antigas que ofereciam obstáculos na pista, licitamos empresas para construção de 50 hangares e construção de uma cobertura da esteira de bagagens. Licitamos a área de construção dos hangares, e o dono da aeronave interessado no espaço será o responsável pela construção e manutenção, ficando 25 anos com esse prédio, que posteriormente passará a ser do município e o proprietário continua mantendo-o com um aluguel. O prefeito quer que tudo que envolva o aeroporto esteja dentro da legalidade, então pode ser que todo esse processo demore alguns meses, por questões burocráticas, destaca.
Ainda conforme a superintendente, a adequação do aeroporto não partiu de exigência emitida pela Anac, mas sim, da própria administração municipal que busca sanar problemas no desvio de rotas e cancelamento de voos. Quando uma companhia vem pousar em nosso aeroporto e verifica nuvens baixas, automaticamente essa aeronave sobrevoa em 360 graus e por medidas de segurança operacional o voo pousa em Araçatuba ou em Presidente Prudente. Isso causa prejuízos e transtornos para a companhia, passageiros e aeroporto. Nosso objetivo é diminuir esses casos e adequar à pista para que opere em IRV e evite esses imprevistos, reforça.
DEMANDA AUMENTOU
Operando no município desde 2013, o aeroporto Plínio Arlacon tem passado por importantes mudanças no espaço. Localizado em um ponto estratégico na região costa leste do Mato Grosso do Sul e divisa com o estado de São Paulo, o aeroporto municipal recebeu em 2016 aproximadamente 33 mil passageiros. Neste ano, até agosto, foram contabilizados 23 mil embarques e desembarques. A expectativa, segundo Sayuri Baez, é que esse quantitativo de passageiros dobre, visto que o aumento na demanda de pessoal está atrelado à chegada de muitos empresários que visitam as principais indústrias instaladas no município. Em agosto, foi feito um teste de demanda para um terceiro voo e o município apresentou demanda, o que mostra que está compensando todo esse trabalho. Nós estamos fazendo junto ao Departamento de Indústria e Comércio e Núcleo de Pesquisa Econômico (NPE) um trabalho chamado EDP (Estudo de Demanda Potencial), que viabiliza a ampliação de voos no município. Depois desse estudo, iremos apresentar a Azul o número de ônibus que partem para Campo Grande e a quantidade de pessoas interessadas em voos para lá para que possivelmente consigamos fazer de Três Lagoas uma rota do estado de São Paulo/ Três Lagoas/ Campo Grande/Cuiabá e Bonito. O resultado da pesquisa sai em 60 dias para apresentarmos as companhias, ressalta.
Atualmente o aeroporto de Três Lagoas mantém três voos diários, às 10h15min da manhã, 14h à tarde e 2h da madrugada; os voos são um para São Paulo e dois para Campinas, das companhias Azul Linhas Aéreas e Passaredo.
Governo abriu licitação para asfaltar via de acesso do aeroporto e Distrito Industrial
O governo estadual também abriu licitação para contratação de empresa interessada em executar obras de pavimentação asfáltica da Avenida Marcolino Carlos Souza, via de acesso do aeroporto Plínio Arlacon, até o Distrito Industrial.
A via é bastante utilizada por trabalhadores que passam diariamente pelo local. Com o asfalto, os trabalhadores não precisarão mais utilizar a BR-158 para chegar às fábricas. A data de inicio das obras ainda não foi apresentada.
Da Redação

