Diego Fernandes – Bento de Abreu
Foi suspensa pela Justiça a votação que ocorreria na noite de segunda-feira (17) de denúncia contra a prefeita de Bento de Abreu, Terezinha Salesse (PSDB), e contra o presidente da Câmara, Flávio Alves Siqueira, o Pipa (PP), e os vereadores José Maria Felipe (PSD) e Jorge Barboza de Oliveira (PP).
A decisão judicial impediu a deliberação por parte dos vereadores de receberem a denúncia através de votação, que estava programada para a sessão.
Mesmo assim, durante discurso, o vereador Athos Coelho Ferreira (PP), um dos autores da denúncia, apresentou áudios gravados durante reunião dele com a prefeita que poderiam comprovar o fato denunciado.
Segundo a decisão judicial, seria necessária a convocação dos suplentes do denunciante e dos vereadores denunciados para a votação do recebimento da denúncia, por ser partes interessadas no processo
Denúncia
De acordo com a denúncia, protocolada por Athos neste mês de agosto, haveria uma suposta articulação política entre a prefeita e os vereadores envolvendo a máquina pública para a conquista de apoio dentro da Câmara Municipal, o que envolveria a criação de novas secretarias, um projeto de lei e a distribuição de oportunidades em uma frente de trabalho de Bento de Abreu.
Segundo o vereador, uma reunião foi convocada para o dia 22 de junho, um dia antes da votação de projeto para criação de cargos públicos no município. Na reunião, segundo a denúncia, estavam a prefeita, o vereador Athos – o denunciante – e o aliado da prefeita Vitor Paulo Rigatti. Uma gravação feita durante a reunião apontaria necessidade de apoio político para aprovação do projeto, sendo que a criação de uma secretaria de desenvolvimento teria relação com a criação de um cargo para Vitor Rigatti como comandante da futura pasta.
O projeto teria saído da pauta após o vereador Athos ter se recusado a participar do suposto acordo político. Segundo Athos, uma ligação teria sido feita para Pipa para a retirada do projeto da pauta.
Já com relação à frente de trabalho, Athos afirma na denúncia que os três vereadores denunciados por ele teriam indicações de nomes para a tal frente de trabalho a ser criada. Ele quer que seja investigado se essas vagas foram distribuídas com critério técnico.
A denúncia aponta possível conduta incompatível com a dignidade e o decoro do cargo no caso da prefeita. Em relação aos vereadores, a denúncia aponta possível utilização do mandato para obtenção de vantagens e à conduta incompatível com a dignidade da Câmara e o decoro parlamentar.
Segundo o vereador Athos, a intenção da denúncia seria a apuração do caso antes da possibilidade de cassação dos agentes políticos envolvidos nos reatos feitos por ele.

