Da Redação – Birigui
A Justiça de Birigui arquivou o inquérito civil que havia sido instaurado para apuração de denúncias contra uma professora de uma creche da cidade que foi acusada de torturar crianças entre 4 a 5 anos de idade em casos ocorridos em 2025.
O boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado em 24 de junho de 2025, onde constavam informações de que a professora utilizada um esguicho para molhar as crianças, além de coloca-las embaixo do chuveiro sob água fria, de roupas, até que parassem de chorar. Na época, após as denúncias, a professora foi afastada e impedida de ter contato com as vítimas.
O inquérito sobre o caso foi concluído na terça-feira, dia 30 de junho, pelo delegado Ícaro Borges, da Polícia Civil de Birigui. Segundo ele, não houve crime de tortura, apesar de considerar possíveis maus-tratos contra as crianças.
Para o delegado, para que ficasse configurado o crime de tortura no caso, precisaria ser comprovado dolo específico de sofrimento físico e mental contra as crianças.
Ele afirma que os depoimentos tiveram visões diferentes, sendo que enquanto uns a acusavam de colocar água na boca nas crianças, outros viam o trabalho da professora investigada como comum. Segundo o delegado, não houve laudos de corpo de delito que atestassem lesões físicas nas crianças.
Apesar disso, um inquérito sobre possíveis maus-tratos possui materialidade, já que houve relatos de que as crianças haviam sido molhadas e amedrontadas, sob possível omissão da direção da escola, que fica no bairro Jardim Clayton.
A direção da escola, inclusive, admitiu o uso de banhos para acalmar crianças com Transtorno do Espectro Autista. O castigo físico teria sido aplicado em áreas que não possuem monitoramento na escola e que logo depois as roupas das crianças eram secadas de forma improvisada.
Prefeitura
A Prefeitura de Birigui abriu sindicância na época para apurar os fatos ocorridos neste caso. Segundo relatório da Prefeitura, havia um grande material contra a professora na questão dos maus-tratos e também relata omissão da diretora da escola ao não acionar o Conselho Tutelar para os casos.
A professora teria oferecido presentes para que as crianças não contassem sobre o tratamento dado após molhá-las, segundo o relatório, o que também foi corroborado pela psicóloga e pela assistente social que cuidaram do caso.
O processo ainda se encontra em análise da Comissão de Ética, segundo a Prefeitura.
Defesa
Para o advogado Elber Carvalho de Souza, sua cliente, a professora acusada, foi vítima de uma grande maldade. Ele afirmou em nota que, desde o começo, as acusações eram caluniosas.
Ele elogiou o trabalho realizado pelo delegado responsável pelo caso, que afastou a possibilidade de que tenha havido tortura neste caso.
O advogado afirma que pessoas utilizaram o Disque Denúncia para fazer maldade com sua cliente, devido à mudança de rumo das investigações.


