O número de brasileiros que estão deixando tudo para viver no exterior cresce muito nos últimos anos. Segundo a Receita Federal, mais de 18,5 mil brasileiros deixaram o país em definitivo em 2016, mais que o dobro dos quase 8 mil que foram viver no exterior em 2011.
O descontentamento com questões como a corrupção, a falta de empregos e oportunidades de crescimento são alguns dos motivos para essas mudanças.

Brasileiros com carreiras consolidadas e casa própria, por exemplo, estão abrindo mão de tudo isso para começar de novo em países da Europa ou nos Estados Unidos. Os destinos são diversos, mas a busca dessas pessoas é a mesma: melhor qualidade de vida e melhores oportunidades.
Em Araçatuba não é diferente. Muitas pessoas estão deixando para trás a vida no interior para vivenciar novas experiências em outros lugares do mundo. Para apresentar a história desses araçatubenses cheios de sonho e coragem, O LIBERAL começa hoje uma série de reportagens para contar como é a vida deles fora do Brasil.
DESGASTE COM O BRASIL
Há alguns anos lutando para manter o próprio negócio em Araçatuba, Fábio Grisanti e Paula Cenci, já se viam desgastados com as dificuldades que vivenciavam. “Nós tínhamos um salão de beleza, mas apesar de nosso trabalho ser bem aceito, os custos para manter o negócio só cresciam. Com a crise, não podíamos aumentar os valores dos serviços”, conta Fábio.
Para manter o salão, o casal teve que aumentar a carga horária de trabalho e esse estilo de vida trouxe desgaste e desânimo com o Brasil. Em meio a essa situação, Fábio e Paula resolveram reavivar um sonho antigo: morar na Europa.
“Nós tínhamos o desejo de viver aqui, mas exitávamos para não ficar longe da família e amigos. Depois de tentar ao máximo permanecer no Brasil, tomamos a decisão de seguir esse sonho”.
A Itália foi o destino escolhido pelo casal para recomeçar. “Nós escolhemos a Itália porque sabemos que é um país onde se valoriza muito o tempo com a família e nós temos essa prioridade também”, ressaltou o casal.
CIDADANIA
Para morar na Itália foi preciso levantar se eles tinham descendência europeia e então fazer o reconhecimento da cidadania italiana. “Hoje já somos ítalo-brasileiros, temos dupla cidadania. Nada compra nossa paz de estarmos legalizados no país”, comemora Fábio.
Além de se legalizar, quem vai morar em outro país precisa se adaptar aos costumes locais e à língua. Para Paula, chegar com a mente aberta para compreender a cultura facilitou. “Você precisa respeitar e admirar a cultura diferente. Não dá para comparar com o Brasil, precisa abrir a mente”, explica.
QUALIDADE DE VIDA
Entre os benefícios da vida na Itália, Paula destaca a estabilidade econômica, apesar de a Europa estar em crise. “Ver que seus impostos são revertidos para você na forma de escolas gratuitas, saúde que funciona e transporte público de qualidade dá ânimo! O poder de compra do euro é alto, então vive-se muito bem com uma renda muito menor”.
Fábio continua trabalhando como profissional de beleza na Itália. Segundo ele, a aceitação de brasileiros nesse ramo é grande no país.
“Os europeus querem conhecer nosso trabalho e se encantam por nossa criatividade. Também temos os brasileiros que já vivem aqui e preferem ser atendidos por brasileiros por causa do estilo e da facilidade na comunicação”, explica.
Apesar da saudade da família e dos amigos, Fábio e Paula não querem voltar para o Brasil. “Não viemos para trabalhar, juntar dinheiro e voltar. Viemos para ter a oportunidade de viver com segurança, com qualidade de vida e, por estarmos vivendo isso hoje, temos a certeza que a Europa é nossa casa”, afirma Fábio.
Karen Mendes – Araçatuba

