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    Home»Cidades»Corumbá lava São João no arraial às margens do Rio Paraguai
    Cidades

    Corumbá lava São João no arraial às margens do Rio Paraguai

    By marcio123rocha20 de junho de 2017Nenhum comentário4 Mins Read
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    A vista aérea é a de uma imensa planície alagada. Ao longo de meses a bacia do Alto Paraguai vai transbordando aos poucos e suas águas inundam o Pantanal, uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta, até atingir o ápice no mês de junho. A partir desta época, a água começa a escoar e os rios voltam ao seu curso original. Mas antes de a seca chegar, os festeiros de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, município na fronteira com a Bolívia, aproveitam para pagar suas promessas e agradecer as graças alcançadas.
    É quando acontece o Arraial do Banho de São João, festa tradicional da cidade e que busca reconhecimento do Iphan como patrimônio imaterial brasileiro. Neste ano, o calendário oficial reserva atrações entre os dias 22 e 25 de junho (confira a programação completa). A prefeitura espera dez mil pessoas diariamente nos eventos, que têm o clímax na noite de 23, com o vai e vem das procissões que carregam centenas de andores pela Ladeira Cunha e Cruz para o banho do santo na margem do Rio Paraguai.

    Dona Janete Tinoco, 72 anos, cumpre o ritual de lavar o andor de São João há 40 anos. “Tudo começou porque a minha filha tinha crise de nervos. Ela era bebezinha. Qualquer coisa ela zangava, ficava roxinha, desmaiava… Eu ficava louca da vida, levava ao médico, mas nada dava jeito”, recorda.

    A devota resolveu fazer uma promessa a São João e a filha foi curada. Desde então, a vida dela passou a ser regida pelo ciclo das águas do Pantanal. Todos os anos, no dia 23 de junho, há arroz carreteiro e reza para amigos e quem mais quiser adentrar o quintal de Dona Janete. Um reforço para os festeiros que saem em procissão até a Ladeira Cunha e Cruz, no Porto Geral de Corumbá, para dar banho no santo.

    No dia seguinte o cardápio no fogão à lenha da Dona Janete é rabada com angu. Em seguida, há a roda de Preto Velho, já que a umbandista é filha de Xangô. Em frente ao altar enfeitado ela faz questão de entoar o hino: “Meu Pai São João Batista é Xangô. É dono do meu destino até o fim e quando me faltar a fé, Meu Senhor, derruba estas pedreiras sobre mim”.

    A tradição dos festeiros se espalha por diversas outras casas da cidade. Na varanda do lar da família Ferraz, o altar fica montado o ano inteiro. “O pessoal tem o costume de passar em frente e fazer o sinal da cruz, porque sabe que São João está aqui”, explica Alfredo, que sempre capricha na preparação do andor com a ajuda da mãe Deulinda. O resultado é que eles já ganharam o concurso oficial, que teve início em 2006, por sete vezes.
    “São João faz parte da minha vida, desde que nasci. Vivo em função dele. Nossa fé e devoção, aquilo que nos mantém, as coisas do dia a dia, a gente sempre pede força para ele para continuarmos lutando”, exalta o devoto, expressando seu fervor católico que tem início com a novena do dia 15.

    Umbanda e catolicismo mostram o sincretismo religioso que se manifesta no festejo junino. Um dos aspectos da riqueza cultural e histórica de Corumbá. Fundada em 1778, a localização geográfica da cidade a tornou um importante centro portuário e estratégico ponto militar, tendo sido, inclusive, tomada pelos paraguaios durante a guerra com o Brasil, Argentina e Uruguai (1864-1870).

    O mesmo rio que lava São João e que trouxe diversas correntes migratórias de várias partes do mundo, também alimenta a rica biodiversidade do pantanal, considerado Patrimônio da Biosfera pela Unesco. Um dos roteiros mais procurados pelos turistas é a Estrada Parque Pantanal, com 120 Km de caminho de chão, passando por mais de 80 pontes sobre as vazantes pantaneiras. O passeio perfeito para a observação da flora e fauna, que inclui jacarés, capivaras, tuiuiús e araras azuis.

    Pelo caminho, propriedades rurais com opções de hospedagem e gastronomia típica, que oferecem atividades como cavalgadas, passeios de barco, flutuação, pesca esportiva, focagem noturna de animais e contemplação da natureza.

    Gabriel Fialho

     

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