Diego Fernandes – Araçatuba
O Prefeito Lucas Zanatta afirmou que a prefeitura está fazendo uma investigação interna para apurar as denúncias feitas por vereadores sobre o que eles chamaram de “gabinete do ódio”, que estaria perseguindo alguns deles com postagens ofensivas nas redes sociais.
Dois vereadores foram na semana passada à Polícia Civil registrar um boletim de ocorrência – Luís Boatto (SD) e Damião Brito (Rede) – contra os possíveis ataques, e o assunto foi tratado durante a sessão ordinária da Câmara nesta semana, com diversos vereadores se manifestando sobre o tema, com alguns acusando membros da atual administração de serem os executores destas postagens em uma página nas redes sociais.
Zanatta afirmou que a investigação já está acontecendo, porém, disse que levará em consideração também a liberdade de expressão dos responsáveis pelas postagens. Ele afirma que o seu governo não compactua com ataques e que trabalhará para que haja um ambiente harmônico entre os poderes.
“Houve a questão das postagens, nós estamos fazendo uma investigação interna e verificar, porque a gente não controla as pessoas. Ao mesmo tempo, temos que entender o que foi o erro e o que foi liberdade de expressão. Nós entendemos isso. Não é nossa política. Mas as pessoas têm as suas liberdades fora do horário de serviço, mas como prefeitura nós temos que cuidar para manter essa harmonia”, afirmou Zanatta em entrevista após a formalização da doação do prédio do Centro Cultural Ferroviário ao Sesc.
No final da tarde de quinta (28), a Prefeitura divulgou nota informando que a servidora acusada de reralizar as postagens foi suspensa durante as investigações, com a suspensão valendo a partir desta sexta (29).
Possibilidade de CP
Lucas Zanatta (PL) comentou também sobre a investigação relacionada à utilização de guardas municipais em sua segurança particular e de seus familiares e afirmou que o caso está sendo analisado na Câmara apenas politicamente.
Nesta semana, após aprovação do relatório da CPI dos Guardas, por 13 votos, que recomendava a abertura de uma Comissão Processante contra o Prefeito por conta das investigações, pelo menos dois pedidos de CP foram protocolados na Câmara, sendo um deles do ex-vereador Marcelo Andolfato e outro do ex-funcionário público Wilson Eugênio.
Ambos serão lidos na próxima sessão da Câmara e serão colocados em votação, sendo que os vereadores vão decidir se arquivam as denúncias ou se abrem a CP, necessitando de maioria simples dos votos (metade mais um) para a abertura. A Comissão pode levar à uma possível cassação, caso seja recomendado pelo relatório e aprovado por dois terços dos vereadores (pelo menos 10 votos).
Zanatta lembrou que o Ministério Público já arquivou por duas vezes o mesmo caso, reiterando não haver irregularidade.
“Imagina uma CP onde a mesma denúncia já foi arquivada duas vezes pelo Ministério Público, é uma tentativa única e exclusivamente política. O Ministério Público investigou e arquivou aqui e em São Paulo. Ele já disse que não há ilegalidade nenhuma, tudo está dentro da legalidade. O que percebemos? Que é um movimento única e exclusivamente político”, disse Zanatta.
Vetos a projetos
Zanatta entrou em rota de colisão com a Câmara ao vetar projetos como o Bolsa Trabalho, da Presidente da Casa, Edna Flor (Podemos), que previa até 100 bolsas de R$ 750 mensais para desempregados se qualificarem; e também ao projeto Bolsa Atirador, que previa auxilio de R$ 400 para até 20% dos atiradores do Tiro de Guerra, de autoria do vereador LuÍS Boatto (SD). Ambos os vetos foram derrubados pela Câmara.
Para o Prefeito, alguns projetos, principalmente aqueles que oneram o Executivo, precisam ser conversados com a administração. Zanatta ressalta que a prefeitura está aberta a receber todos os vereadores.
“A prefeitura sempre recebeu os vereadores, só que projetos de leis que tem ilegalidades ou prejudicam o funcionamento do Executivo vão ser vetados, não importa. Eu não tenho que permitir leis que têm viabilidades políticas e jurídicas para que com isso eu agrade a Câmara, não é meu papel fazer isso. E vários projetos de lei tem que ser discutidos com o Executivo. O vereador quando tem uma ideia ele vem até nós, e nós temos com vários vereadores bons projetos. Lógico que existem debates políticos, é natural. Tem pessoas lá que estão mais irritadas com isso, entendendo que projetos têm que ser aprovados pelo bom relacionamento e eu não penso assim e não pretendo mudar. Projetos com inconstitucionalidade e que prejudiquem o bom funcionamento do Executivo, vão ser vetados”, disse.
Zanatta ainda lembrou que tem uma responsabilidade como Prefeito e que vai defende-la, destacando novamente que os vereadores são benvindos na prefeitura.
“Eu preciso defender a função do Executivo entendendo todos os desafios e problemas que temos em Araçatuba e estamos em um processo de melhorias de vários deles, estamos há pouco mais de 1 ano. E nós estamos percebendo melhorias e muitas virão, porque é um processo, mas a nossa responsabilidade como Executivo será defendida. A nossa responsabilidade como Executivo sempre será defendida e todos os vereadores são bem-vindos, mas a responsabilidade executiva é minha e eu sou responsável por essa cadeira”, disse Zanatta.
Relação com a Câmara
O prefeito Zanatta voltou a ressaltar a relação estabelecida com a Câmara, com liberdade para os parlamentares de seu partido nas votações, e sem a concessão de cargos comissionados para vereadores.
Ele acredita que esta nova prática está enervando alguns vereadores, mas afirma que não voltará atrás no seu estilo de governo.
“Nós mudamos a relação que era Executivo/Câmara e nós sabíamos que isso ia gerar algum tumulto ou alguma questão. Antigamente, os vereadores tinham não só os cargos como as influências, tinham parceria com as terceirizadas, e isso nós cortamos, não existe mais”, disse Zanatta. “Eu não vou ceder a voltar como era por pressões políticas, eu tenho um compromisso e vou manter meu compromisso. Estou aberto a lidar sempre com a Câmara e receber vereadores, todos foram convidados a estar aqui, todos tiveram agenda comigo, quem não veio foi porque não quis, mas todos tiveram essa oportunidade”, concluiu o Prefeito.

