Dados divulgados pela Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) sobre estatísticas dos partos realizados no Estado de São Paulo mostram que em Araçatuba as cesarianas correspondem a 80% dos procedimentos realizados desde 2011, quando o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de até 15%.
A pesquisa é feita com base nos registros civis, que informam o total de nascimentos e o tipo de parto realizado e os dados correspondem aos anos de 2005 a 2015. As informações sobre 2016 e 2017 são do Hospital Municipal da Mulher de Araçatuba (HMM), que correspondem apenas aos partos realizados na unidade, não indicando o total de registros de nascimento no município.
Conforme a Seade, nasceram 632,4 mil crianças no Estado de São Paulo em 2015, sendo 59% por cesárea; em 88% dos municípios a prática de cesárea é maior do que a de parto normal, situação em que se encontra Araçatuba. Desde 2011 o volume de cesárias passa dos 80% no município, tendo atingido o percentual mais alto em 2012, quando 83,38% dos partos foram cesáreas. No período que corresponde a pesquisa o menor índice foi registrado em 2005, quando 51,27% dos partos foram cesáreas, taxa bem próxima ao de normais.
Em 2016, conforme informações do Hospital da Mulher foram realizados 1032 partos na unidade, dos quais 347 foram normais (34%) e 685 cesáreas (66). Já em 2017 as informações vão até o mês de junho, quando os partos foram transferidos para a Santa Casa de Araçatuba (que faz apenas partos de alto risco, essencialmente cesárias).
No primeiro semestre o HMM realizou 631 partos, dos quais 233, ou 36,9%, foram normais e 398, que corresponde a 63%, cesáreas. Mesmo não contendo o registro total de nascimentos em Araçatuba, os dados do HMM evidenciam a maior proporção de procedimentos cirúrgicos ao invés do parto normal.
NASCIMENTOS
Conforme a pesquisa da Seade, os nascimentos pré-termo, que são os que ocorrem antes de concluir a gestação, aumentaram 62% entre 2005 e 2015 em Araçatuba. No primeiro ano da pesquisa o volume foi de 8,3% e no último foi de 13,35%. Já o total de nascimentos por mães com menos de 18 anos diminuiu no período: em 2005 a taxa era de 7,73% e atingiu o percentual mais algo em 2006, quando chegou a 8,03%. Nos anos seguintes ela foi caindo lentamente e em 2015 atingiu o menor índice, de 5,53%.
O total de mães que fizeram sete ou mais consultas de pré-natal, por outro lado, caiu ao longo dos anos. No primeiro ano da pesquisa o índice atingia 86,91% das mães da cidade e chegou ao máximo de 89,93% em 2007. Em 2015 esse total de mães que tiveram mais oportunidades para consultas de pré-natal caiu para 81,66%. Por fim, os dados mostram que os nascimentos de bebês abaixo do peso aumento entre 2005 e 2015, começando com um índice de 8,11% e chegado a 9,41%.
FERNANDO VERGA – Araçatuba

