Diego Fernandes – Araçatuba
O vereador Luís Boatto (Solidariedade) afirmou que alguns parlamentares não assinaram o pedido de abertura de CPI da Saúde porque estão com receio de possível corte de cargos comissionados por parte do prefeito Dilador Borges (PSDB).
A dura fala foi proferida pelo parlamentar durante o Pequeno Expediente da sessão ordinária da Câmara Municipal de Araçatuba realizada na segunda-feira (1º).
O parlamentar usou a tribuna para novamente trazer à tona o seu pedido de investigação e afirmou que o pedido segue com apenas três assinaturas. Além da dele própria, também dos vereadores Arlindo Araújo (Solidariedade) e Luzas Zanatta (PL). Para que seja aberta a Comissão Parlamentar de Inquérito são necessárias, pelo menos, cinco assinaturas.
“É um absurdo que somente três vereadores tenham assinado, nós temos mais 12 vereadores, não é possível que mais dois não podem assinar, qual é o problema?? O que eu fiquei sabendo foi que o prefeito ameaçou de corta cargo. Essa é a verdade. É um absurdo isso, ficar na mão do prefeito, ameaçar cortar cargo, não pode assinar uma CPI, não pode fazer o nosso trabalho enquanto vereador”, questionou o parlamentar.
O pedido de CPI na área da saúde em Araçatuba foi protocolado pelo vereador Luís Boatto e anunciado na sessão do último dia 11 de março. Na ocasião, ele relatou caso de problemas no atendimento de uma gestante e ainda denunciou uma operação da Polícia Federal na Santa Casa de Araçatuba sobre suposto esquema de contrabando de medicamento.
Na sessão da última segunda, o vereador comentou sobre casos recentes de maus atendimentos na saúde araçatubense, novamente citando o adolescente de 15 anos, que faleceu há algumas semanas após ter ido ao pronto-socorro.
Boatto afirmou que alguns vereadores que são próximos da família do garoto e mesmo assim não assinaram o pedido de CPI.
“Depois de procurar tantas vezes o Pronto-Socorro ele foi liberado para morrer em casa. Inclusive tem vereador aqui que conhece, que é próximo da família, mas que não assina a CPI para investigar o que aconteceu com essa criança”, afirmou.
O vereador desafiou os parlamentares a abrirem a ajudarem na abertura da CPI para provar que não há problemas na saúde de Araçatuba.
“Se está tudo acerto, vamos abrir a CPI e mostrar que está tudo certo, que a Sra. Carmem Guariente (secretária de saúde de Araçatuba) ganha um troféu, uma medalha 9 de julho pela excelência dela como secretária”, ironizou.
Relatos de mau atendimento
Durante discurso, Boatto ainda relatou outros casos relatados por moradores sobre o péssimo atendimento na saúde municipal.
O primeiro relato foi de uma idosa de 62 anos que foi até uma unidade básica de saúde da cidade e ficou lá das 8h às 17h e saiu sem receber atendimento. Outro relato apresentado foi de uma mulher que foi buscar atendimento na UBS do Planalto por volta de 18h30 e foi informada do encerramento dos atendimentos do dia, sendo que o local fica aberto até 22h.
“Mandaram ela procurar o pronto-socorro na UBS do Planalto”, relatou.
Também foi relatado um outro caso onde uma paciente foi procurar atendimento no pronto-socorro com dores de ouvido e com pus no sangue. Em outro caso, uma mulher foi por 10 dias ao PS queixando de dores de estômago e vômitos e o atendimento recebido foi apenas a aplicação de soro. Em outros dois casos citados, pacientes morreram procurando atendimento.
De acordo com Boatto, os relatos foram feitos a ele através das redes sociais e seguem lá publicados.
“São casos graves, de negligência, que estão sendo tratados de qualquer forma no pronto-socorro, nas UBSs e que precisa ser investigado”, afirmou.
O vereador ainda citou que moradores reclamam da falta de médicos especialistas na UBSs, como pediatras e ginecologistas.
“Isso foi bandeira de campanha do prefeito Dilador. Agora vem querer fazer o sucessor, vai fazer as mesmas promessas”, criticou.
Boatto também criticou a troca de sistema de informação nas UBSs, que fez com que se perdessem encaminhamentos, informações de pacientes.

