DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA
No início deste ano, em nova fase da Operação Raio X, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços e pessoas ligadas ao ex-governador Márcio França, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSB. Na época, França atribuiu a operação a motivações políticas. Agora, foi divulgado que a Polícia Civil de São Paulo interceptou ligações telefônicas que revelam o deputado Carlão Pignatari (PSDB), o presidente da Assembleia Legislativa, intermediando a entrega da administração de dois hospitais para organizações sociais do grupo do médico Cleudson Garcia Montali, já condenado a 200 anos de prisão. Cleudson foi condenado em processos nas cidades de Penápolis e Birigui por liderar organização criminosa envolvida no desvio de R$ 500 milhões da Saúde.
De acordo com o que foi divulgado, nas conversas com Carlão Pignatari, o médico, preso há vários meses, faz prestação de contas ao deputado de suas ações. Quando as ligações foram interceptadas, Cleudson era investigado pela polícia e pelo Ministério Público Estadual.
Depois de muitos meses de investigação, em setembro de 2020, a Polícia Civil deflagrou a Operação Raio X, na qual Cleudson era um dos principais alvos. A operação apurou fraudes na gestão de hospitais em quatro estados – Pará, São Paulo, Paraíba e Paraná. As unidades de saúde estavam em 27 cidades.
A Assembleia Legislativa de São Paulo chegou a instalar a CPI das Organizações Sociais da Saúde para investigar. Os trabalhos terminaram em setembro de 2018 – dois anos antes da Operação Raio X. Carlão Pignatari era suplente da CPI, mas tinha participação ativa. Cleudson foi convocado para depor. O depoimento foi em agosto de 2018. Já havia suspeita de irregularidades na OSS Santa Casa de Birigui, assim como a contratação de organizações sociais por municípios paulistas. Cleudson negou irregularidades.
CONVERSAS
Nas conversas interceptadas, o deputado e o médico Cleudson falam do Hospital de Ferraz de Vasconcelos, de Carapicuíba e de Santa Fé do Sul.
OUTRO LADO
Por meio de nota da assessoria, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Carlão Pignatari (PSDB), afirmou “as supostas conversas questionadas pela reportagem são datadas de 2019, antes de qualquer denúncia ou suspeita pública contra o médico Cleudson Garcia Montali”. Na época ele não era presidente da assembleia. Ele disse que “não é investigado na Operação Raio X e que em nenhum momento foi alvo de diligências determinadas pela Justiça”. Além disso, a nota informa que é “importante destacar que o deputado Carlão Pignatari apoia a irrestrita investigação da Operação Raio X e reitera sua correta conduta em sua trajetória parlamentar”. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)


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