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quinta-feira, maio 19, 2022

SUSPEITOS DE ASSALTO À PROTEGE PODEM PEGAR ATÉ 86 ANOS DE CADEIA

“Foi o caso mais complexo do Ministério Público de Araçatuba”. Foi assim que os cinco promotores de Justiça de Araçatuba classificaram o processo do maior assalto já registrado na história do município. Com a denúncia já são mais de sete mil páginas. Dos 18 denunciados na segunda-feira (27) pelo MP, 14 já estão presos preventivamente, por tempo indeterminado até o julgamento e quatro continuam foragidos. Um dos denunciados é da região de Araçatuba e atualmente encontra-se preso.

A denúncia foi oferecida pelos cinco promotores de Justiça de Araçatuba Sérgio Ricardo Martos Evangelista, Francisco Carlos Britto, Flávio Hernandez José, Paulo Domingues Júnior e Adelmo Pinho. Durante a apuração dos fatos, foi preciso pedir a prisão preventiva dos suspeitos no último dia 21 de agosto, já que a temporária terminaria no domingo (26).

“Foi decretada a prisão temporária por 30 dias, já que latrocínio e tentativa de latrocínio são crimes hediondos. Depois se prorrogou por mais 30 dias e nesses 60 dias deveria haver um desfecho a essa investigação. Se não chegasse o mandado de prisão preventiva, eles (suspeitos presos) eram automaticamente colocados na rua. Por isso, teve que haver esse fechamento em relação aos 18 denunciados. Essa estratégia está prevista no Código de Processo Penal, no artigo dez, parágrafo terceiro, que viabiliza fazer isso. Em virtude da complexidade do caso, determinamos o desmembramento dos autos.”, disseram o promotor Sérgio Ricardo Martos Evangelista e Flávio Hernandez José.

No total foi oferecida denúncia para 18 indiciados, quatro deles, identificados como Edson Vieira da Silva, Luken César Burghi Augusto, Paulo César de Assis e Cléber de Andrade Oliveira, continuam foragidos e já estão com o pedido de prisão preventiva expedido. Dos acusados, 15 vão responder por latrocínio consumado, tentativa de latrocínio, incêndio e explosão. Os outros três, além desses crimes, também irão responder por associação criminosa, já que também participaram 20 dias depois do crime em Araçatuba de um assalto a outra empresa de valores localizada em Uberaba, Minas Gerais. Uma testemunha de Araçatuba reconheceu um dos acusados por foto, depois dele ter dado ordem de parada a ela em uma rua próxima ao CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior 10) de Araçatuba.

“As penas para o latrocínio consumado variam de 20 a 30 anos, para os latrocínios tentados, que foram dois, de 13 anos e quatro meses a 40 anos, e o incêndio agravado e a explosão agravado de quatro a oito anos. Também foi atribuído o crime de associação criminosa, cuja pena varia de um a seis meses a quatro anos e seis meses. Na denúncia foi imputado a cada autor o concurso material, ou seja, a somatória das penas. Para cada um seria uma pena mínima de 41 anos e 4 meses e a pena máxima de 86 anos”, disse Flávio Hernandez José.

Entre os denunciados está Sérgio Manoel Ramos, morador de Birigui, preso por equipes do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil durante a deflagração da operação ‘Homem de Ferro’ em 28 de junho. O homem, que não tinha passagens pela polícia, é apontado como um dos ajudantes na preparação de todo o crime.

“Ele estava junto quando foi alugada a casa no Jardim Universo (bairro de Araçatuba), frequentava o rancho em Glicério e teve contato com a pessoa que fez a locação do imóvel. Sérgio atuou na fase de preparação do crime juntamente com outro denunciado e com o individuo que se intitulava Renan da Silva, que nós só temos a foto dele.”, informou Sérgio.

INVESTIGADOS
Outras 38 pessoas também foram investigadas, mas tiveram o processo arquivado por falta de provas. Apesar disso, o Ministério Público não descarta a participação desses suspeitos na ação.

“Essas pessoas foram investigadas e até o momento não existem elementos contra elas, então houve o arquivamento. Automaticamente foi instaurado outro inquérito para continuar essas investigações. Houve esse desmembramento para um (inquérito) não inviabilizar o outro”, informou o promotor Flávio Hernandez José.

A partir de agora, com a denúncia oferecida, O MP aguarda o recebimento pelo juiz, depois ocorrerá a citação de todos os réus, as defesas escritas, a dilação probatória com a oitiva das testemunhas, as alegações finais e a sentença. Ainda não há prazo para quando isso acontecerá.

A primeira fase do inquérito que investiga o ataque foi concluído pela Polícia Civil. Nessa segunda fase, o foco será na análise de provas apreendidas durante a operação ‘Homem de Ferro’ e de alguma informação que possa levar ao paradeiro de seis homens que continuam foragidos e tiveram participação ativa no ataque. Dois homens não foram identificados, já que usavam nomes de pessoas falecidas.

O CASO PROTEGE
Os assaltantes agiram com sincronismo em diferentes frentes. Um grupo obrigou um motorista que estava em um posto às margens da Rodovia Marechal Rondon a atravessá-lo na pista. O bloqueio foi na altura do quilômetro 522. A manobra tinha como objetivo impedir a chegada de reforços de outras cidades. Caminhões em chamas foram colocados estrategicamente nas esquinas de acesso ao quartel da Polícia Militar, na Rua Capitão Alberto Mendes Júnior (sede do CPI 10 e do 2º Batalhão). Além disso, bandidos ficaram escondidos na Escola Francisca Arruda (em frente ao quartel), atirando contra os policiais para impedir que saíssem. O objetivo foi sitiar a PM.

Enquanto tudo isso ocorria, outros grupos aterrorizavam aquela região da cidade com centenas de tiros que atingiram veículos e estabelecimentos comerciais. O objetivo era exatamente criar clima de terror.

Já na Protege, a aproximadamente 700 metros do quartel, os bandidos usaram elevada carga de explosivos. A destruição foi total e atingiram casas próximas. Nas proximidades da Protege, os bandidos também fizeram muitos disparos. Rapidamente fugiram levando R$ 10 milhões. Segundo a Polícia Civil, naquele dia havia a quantia de R$ 50 milhões dentro da empresa.

Da Redação

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