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    Home»Cidades»Araçatuba»Privatizar ou não, eis a questão?
    Araçatuba

    Privatizar ou não, eis a questão?

    By jornalistacrispim20 de dezembro de 2020Nenhum comentário4 Mins Read
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    No inicio do ano de 2019, quando todo o povo brasileiro estava com as esperanças renovadas em um novo país, com a eleição de um presidente fora do “mainstream” Social Democrata, fomos surpreendidos com a tragédia de Brumadinho. A ruptura da barragem de rejeitos derramou mais do que lama. A tragédia mineira fez com que o Brasil se perguntasse: Será que a ideia de privatização tão falada é o melhor caminho?
    Era de se esperar frente à tamanha tragédia, e também pela busca por respostas que apaziguassem nossas almas. Além da tragédia, o que motivava tal discussão era a promessa do “privatiza tudo” aventado pelo “Posto Ipiranga” durante a campanha eleitoral no ano anterior.
    O “privatiza tudo” se tornou na época, a grande bandeira liberal pela qual todos sonhamos. Significava a diminuição do aparato estatal tentando se infiltrar onde ele não tinha competência. E escrevo isso sem medo. A Petrobras, da qual os brasileiros tanto se orgulham, é um grande engodo. Alguém vai dizer: “Seu antipatriota, a Petrobras é um orgulho nacional!”. Vou rir e pensar: “se fosse, teria chegado até aqui sem precisar do estado lhe garantindo monopólio por décadas a fio. Bem como lhe garantindo dinheiro do tesouro para financiar os momentos de crise”.
    Pois bem. A questão que ora se aventa é: “E aí Paulo Guedes? Quando privatizaremos todas as estatais?”. Pois bem pessoal. Um verdadeiro liberal, com bagagem e leitura suficientes, dirá que não se deve tentar passar “o que não dá certo” ao livre mercado.
    Opa! Espera aí Rodrigo. Você dizendo que não quer que privatizemos? Não se trata disso. Se trata da razão pela qual uma empresa privada compraria uma empresa pública deficitária. Para que?
    Obvia a resposta. Pelo monopólio! Qualquer lixo empresarial pode ser atrativo desde que o estado lhe garanta a continuidade monopolista. E é aqui que reside o problema! Ao invés de vender estatais, o governo brasileiro deveria parar de financiar estatais. Deixá-las quebrar se for o caso! Deixar que as coisas aconteçam nas estatais como acontecem nas empresas privadas.
    Mas além disso, deveria ainda retirar todos os entraves monopolistas de todos os setores onde as estatais atuam. Pois só assim poderíamos ter certeza de que ninguém estaria comprando uma empresa estatal para se garantir via manutenção de monopólio.
    Voltemos a questão de Brumadinho para entendermos que nem tudo que reluz é ouro, nem tampouco, nem tudo que chamamos de privatização é algo em prol do livre mercado. Antes de irmos mais a fundo na privatização da Vale do Rio Doce, devemos lembrar que a empresa resultante da privatização, a atual VALE, não se trata exclusivamente de capital privado, muito pelo contrário, trata-se de uma empresa de capital misto onde o BNDES e a PREVI (fundo de previdência do Banco do Brasil) detém mais de 50% de suas ações. Ou seja, é aquela privatização para inglês ver.
    O que devemos entender com essa informação? Simples, que o modelo de privatização proposto pelos Sociais Democratas, leia-se Fernando Henrique, do PSDB, foi a criação de superempresas PARAESTATAIS. E o que são paraestatais? São as empresas que se tornam privadas, mas que o governo detém seu controle acionário. Nelas, faz-se uma mistura do dinheiro público com dinheiro privado, e alguns “amigos do rei”, chamados de “capitalistas de compadrio”, ganham muito dinheiro.
    É por essa razão que devemos urgentemente exigir que o Estado saia do mercado em qualquer que seja sua participação, sendo gestor e dono das empresas, seja apenas como acionista das mesmas. Não é preciso PRIVATIZAR TUDO, mas sim, deixar que o Mercado seja de fato regulado somente pelas LEIS DA OFERTA E PROCURA, onde o verdadeiro dono é o CLIENTE SOBERANO de suas escolhas. Não podemos mais deixar dinheiro público financiando empresas que enriquecem os “amigos do rei”. Quanto a notícia da semana, onde o presidente Bolsonaro disse que não privatizaria a CEAGESP, que é sim cabide de empregos de deputados e até de parentes de prefeitos de nossa região, foi um alívio. O que o presidente deve fazer é sair de cena e deixar que novos entrepostos se criem por demanda de mercado. E assim a CEAGESP vai se acabar por si só.

    Rodrigo Andolfato é empresário da Construção Civil, membro do ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste

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