Da Redação – Araçatuba
A relação comercial entre a Região Administrativa de Araçatuba (composta por 43 municípios) e a Rússia passou por uma transformação no primeiro semestre de 2025, conforme dados analisados pela Plataforma Observatório Econômico, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
As importações da região registraram um crescimento de mais de 1.200%, passando de US$ 4.703.189 no primeiro semestre de 2024 para US$ 64.200.342 em 2025. O principal fator por trás desse aumento é a importação de “óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos”, que dominou quase que exclusivamente a pauta de importações.
Em contrapartida, as exportações da região para a Rússia apresentaram uma queda, passando de US$ 707.204 em 2024 para US$ 445.174 em 2025. A principal categoria de exportação foi a de “Transformadores elétricos, conversores elétricos estáticos”.
Como resultado dessa dinâmica, a balança comercial regional com a Rússia teve uma deterioração. O déficit, que já era de ($3.995.985) no primeiro semestre de 2024, ampliou-se para ($63.755.168) no mesmo período de 2025.
O cenário geopolítico e os riscos
O aumento substancial na importação de petróleo russo ocorre em um momento de alta tensão global. Os Estados Unidos têm ameaçado impor “tarifas secundárias” sobre nações que continuam a negociar e importar produtos da Rússia, especialmente petróleo, com o objetivo de minar a economia russa e pressionar o país a negociar o fim do conflito na Ucrânia. A compra de petróleo pela Região Administrativa de Araçatuba coloca-a diretamente no radar dessas ameaças.
O economista, professor Marco Aurélio Barbosa de Souza (docente da FAC-FEA) e CEO da Plataforma Observatório Econômico, comenta “Os tempos atuais exigem uma nova perspectiva sobre o comércio internacional. A ação dos EUA contra a Índia serve como um lembrete de que o contexto geopolítico e econômico global está mudando. Para a região de Araçatuba, que viu um crescimento significativo na importação de petróleo russo, o momento pede monitoramento constante e atenção redobrada. É essencial que as empresas e gestores avaliem os riscos envolvidos e comecem a buscar alternativas para garantir a estabilidade das cadeias de suprimentos e a sustentabilidade dos negócios a médio e longo prazo. Trata-se de um movimento de adaptação e planejamento estratégico para navegar por essas incertezas e proteger a economia local.”
São Paulo e Rússia: Importações são 8 vezes maiores que importações
No primeiro semestre de 2025, a balança comercial entre o Estado de São Paulo e a Rússia também foi marcada por um forte desequilíbrio:
Importações Disparam: São Paulo importou US$ 927,1 milhões da Rússia, um aumento de 19,20% em relação ao ano anterior. Esse valor representa 2,2% de todas as importações do Estado.
Exportações Tímidas: As exportações para a Rússia, embora tenham crescido 27,00%, atingiram apenas US$ 111,8 milhões, representando uma participação marginal de 0,3% no total das exportações paulistas.
Déficit Comercial: O resultado foi um déficit comercial de US$ 815,3 milhões. Para cada dólar exportado, São Paulo importou cerca de oito.
Pauta de Importação paulista com a Rússia: O principal produto é “Combustíveis minerais, óleos minerais”, com um valor de US$ 601.052.825. O segundo item mais importante são “Adubos (fertilizantes)”, somando US$ 296.774.838.
Pauta de Exportação: Por outro lado, as exportações de São Paulo para a Rússia são lideradas por produtos agrícolas e alimentícios. Entre os principais itens estão “Sementes e frutos oleaginosos” (US$ 41.924.035), “Carnes e miudezas, comestíveis” (US$ 32.282.577) e “Café, chá, mate e especiarias” (US$ 19.923.632).

