Da Redação – Araçatuba
A interrupção do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros reacendeu a perspectiva de expansão das exportações da Região Administrativa de Araçatuba. Após um ano marcado por retração, a suspensão das sobretaxas cria condições para que setores tradicionais da região retomem competitividade e ampliem presença no mercado norte-americano.
Entre janeiro e outubro de 2025, a Região Administrativa de Araçatuba exportou US$ 59,3 milhões para os EUA, queda de 39% em relação a 2024, quando o montante havia atingido US$ 97,1 milhões. A desaceleração foi diretamente influenciada pelo tarifaço, que encareceu produtos brasileiros, reduziu margens de lucro e inviabilizou parte dos embarques.
A pesquisa foi desenvolvida pela startup de Inteligência Econômica, Observatório Econômico, com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).
O impacto foi particularmente forte em três segmentos estratégicos: Álcool etílico, cuja exportação recuou 77,5%, passando de US$ 40,1 milhões para apenas US$ 9,0 milhões; Transformadores elétricos, com queda de 38,2%; Carnes bovinas congeladas, que tiveram retração de 53,1%.
Cenário mais favorável para 2026
Com o fim do tarifaço, analistas apontam que o cenário deve se inverter já a partir do início de 2026. A retomada da competitividade tende a beneficiar especialmente os segmentos impactados em 2025.
Potencial de retomada
Em 2023, antes da imposição das sobretaxas, as exportações regionais para os EUA haviam alcançado US$ 80,5 milhões, já demonstrando trajetória de crescimento.
A recuperação dos níveis de 2024 e 2023 é considerada viável, e há expectativa de que, com o mercado estabilizado, alguns produtos possam inclusive superar marcas históricas.
Municípios mais impactados pelo tarifaço na região de Araçatuba
A retração das exportações para os Estados Unidos entre 2024 e 2025 não afetou de forma homogênea os municípios da Região Administrativa de Araçatuba.
Análise dos dados da startup Observatório Econômico, com base no MDIC/SECEX, revela que alguns municípios sofreram quedas mais acentuadas, especialmente aqueles cuja pauta exportadora é mais concentrada em produtos que foram diretamente atingidos pelas sobretaxas impostas pelos EUA.
Entre janeiro e outubro, três municípios concentraram a maior parte do impacto negativo:
1. Andradina
2024: US$ 65,8 milhões
2025: US$ 40,3 milhões
Variação: –38,7%.
2. Birigui
2024: US$ 14,9 milhões
2025: US$ 9,7 milhões
Variação: –34,7%.
3. Araçatuba
2024: US$ 6,1 milhões
2025: US$ 2,07 milhões
Variação: –66,0%
Outros municípios impactados
Valparaíso: –75,4% (de US$ 8,9 milhões para US$ 2,2 milhões)
Mirandópolis: –90,9% (de US$ 1,15 milhão para US$ 105 mil)
Ilha Solteira: –33,2% (de US$ 140.955 para US$ 94.035)
Penápolis: –78,0% (de US$ 20.103 para US$ 4.377)
Buritama: –42,1% (de US$ 31.088 para US$ 18.008)
Os dados revelam que a interrupção do tarifaço tem impacto direto na perspectiva de retomada desses municípios. A normalização das relações comerciais pode reativar cadeias produtivas inteiras e restaurar níveis mais altos de exportação.

