MANIFESTAÇÃO - Veículos rurais passando pela avenida Café Filho, em Araçatuba, durante "Tratoraço" - DIEGO FERNANDES

Produtores rurais não aceitam suspensão de aumento do ICMS por Dória e querem revogação do decreto

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Mesmo com o recuo do governador João Dória (PSDB), que anunciou a suspensão temporária na lei que previa o fim da isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para produtores rurais, os empresários do setor afirmam que vão continuar mobilizados para que este imposto não volte a ser implantado mais à frente, após a vacinação da população contra a covid-19.

Na justificativa dada pelo governo do estado, e pelo próprio Dória, na noite da última quarta-feira, foi dito que a lei foi pensada no segundo semestre do ano passado e publicada em outubro, quando os índices da pandemia eram bem mais baixos no estado e que, por causa do aumento de casos, a execução desta lei seria suspensa para não haver aumento nos produtos para os consumidores finais, principalmente os alimentos.

“Após reunião com a equipe econômica do Governo de SP, determinei o cancelamento de qualquer alteração de alíquota de ICMS em alimentos, medicamentos e insumos agrícolas. Na nossa gestão nada será feito em prejuízo da população mais vulnerável”, citou Dória em publicação no twitter na noite da última quarta-feira.

O temor dos produtores, porém, é que essa ideia de aumentar o imposto e a lei que o valida, volte em um futuro próximo. O pecuarista Thomaz Rocco, ouvido pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL ao final de manifesto feito pela classe nesta quinta-feira, em Araçatuba, comentou que a mobilização seguirá.

“Nós sabemos que ontem (quarta-feira) houve uma manifestação por parte do governo, mas o que nós queremos não é a suspensão, mas sim o cancelamento da lei”, deixou claro o produtor. “Quando onera o produtor e onera o custo do alimento, você já está gerando um problema por si só, nós somos setor primário, nós não podemos aceitar essa conta, em meio à pandemia menos ainda, o que nós precisamos é de apoio, coisa que não aconteceu. Então nós vamos continuar lutando, para que seja cancelado esse aumento e não só suspenso, como foi ontem”, afirmou Rocco.

Manobra

Para o também pecuarista araçatubense, João Mário Geralde, o recuo do governador no aumento do ICMS nada mais é do que uma manobra para tentar frear as manifestações contra a sua medida, que já estavam marcadas para ocorrer em todo o estado nesta quinta-feira (7).

“Foi muito mais uma manobra do que um recuo verdadeiro, porque não houve o cancelamento da lei, houve apenas uma suspensão da lei, que foi inclusive criada pelo governador e apoiada por vários deputados estaduais”, opinou Geralde. “Nós fomos um movimento respeitoso porque é isso que a gente quer. A gente quer respeito ao produtor rural e que não seja obrigado a pagar essa conta para que ela não chegue na gôndola do supermercado para o consumidor final”, completou o pecuarista, comentando sobre a manifestação.

Tratoraço

Cerca de 300 veículos, entre tratores e caminhonetes, participaram da manifestação denominada “Tratoraço”, ocorrida em Araçatuba. A reunião dos produtores rurais ocorreu a partir das 7h, em frente ao antigo posto Absoluto, na entrada de Araçatuba, próximo ao acesso à rodovia Marechal Rondon.

Após isso, os manifestantes, que contavam com um caminhão de som comandando o trajeto, desceram pela avenida Brasília, contornaram a rotatória e seguiram pela Joaquim Pompeu de Toledo, passaram pela rotatória com a avenida Saudades, e subiram a Café Filho, onde o movimento se encerrou pouco depois das 9h.

Durante o percurso foi utilizado apenas uma das faixas das avenidas, com o objetivo de não prejudicar o trânsito. Houve o apoio da Polícia Militar para garantir o direito dos manifestantes e para orientação do tráfego de veículos nas vias durante o ato.

Diversos municípios também registraram o “Tratoraço” na manhã desta quinta-feira. Segundo os manifestantes, cerca de 300 cidades, das 645 do estado, aderiram aos movimentos, que tiveram o apoio de mais de 100 sindicatos da categoria.

Apas protesta

A Associação Paulista de Supermercados emitiu nota nesta quinta-feira dizendo que “não aceita” a suspensão anunciada ontem por João Dória “por ser apenas parcial e momentânea”.

Na nota, entidade afirmou que solicita ao governo do estado a “revogação integral dos decretos” que aumentaram o imposto.

“(O aumento incidirá) na composição dos preços de itens comuns à mesa dos brasileiros, como frutas, legumes, verduras entre outros, o que, para a Apas, é prejudicial ao consumidor final, pois aumentará o preço dos alimentos”, completou a nota da divulgada pela associação.

ESTRATEGIA – O também pecuarista João Geralde crê que recuo foi estratégia de Dória para evitar protestos – DIEGO FERNANDES

Legenda:

REVOGAÇÃO – Pecuarista Thomaz Rocco afirma que produtores querem revogação e não apenas a suspensão do decreto – DIEGO FERNANDES

 


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