Diego Fernandes – Araçatuba
O vereador e prefeito eleito Lucas Zanatta (PL) propôs um requerimento, que foi aprovado pelo plenário da Câmara, questionando a demissão de médicos e outros profissionais de saúde em Unidades Básicas de Saúde de Araçatuba.
O documento foi aprovado nesta semana por unanimidade, durante a sessão ordinária da Câmara Municipal.
No requerimento, o vereador quer saber quantos médicos foram demitidos na UBS do Umuarama e se haverá recontratação. Também questiona quantos médicos e enfermeiros foram desligados pela empresa Mahatma Gandhi, que administra as UBSs de Araçatuba, de setembro até a data da resposta.
Zanatta ainda pergunta se as vagas abertas serão preenchidas, em quais unidades estão faltando médicos, e pede também o envio do Plano de Trabalho de atendimento da Mahatma Gandhi nas UBSs, além de perguntar a data do encerramento deste contrato de administração.
A prefeitura terá 15 dias para responder aos questionamentos aprovados em plenário.
Antes, o vereador Luís Boatto (SD) também já havia informado que iria questionar a prefeitura sobre as demissões de médicos nas UBSs e disse à reportagem que alguns dos profissionais demitidos fizeram uma reunião com ele pedindo seu auxílio.
Denúncias
Os casos foram denunciados na semana passada. Inicialmente, o jornalista Antônio Crispim, colaborador de O LIBERAL e atualmente também no portal Nossa Cidade, dava conta de que profissionais da área de saúde, sendo médicos e enfermeiros, receberam cartas de desligamento do instituto gestor.
O denunciante afirmou que os profissionais começaram a ser informados do encerramento do contrato na segunda-feira (14), quando se iniciou o atual cenário. Pacientes que chegaram na Unidade Básica de Saúde do bairro Umuarama neste dia, chegaram a ser dispensados pela falta de profissionais para atendê-los.
Além disso, outros médicos tiveram a jornada de trabalho reduzida para apenas 20 horas semanais. Este problema, provavelmente, acarretou em outro, que foi denunciado por uma moradora da cidade na rede social Facebook.
Uma mulher chamada Tamires Britto publicou em seu perfil uma reclamação marcando a prefeitura de Araçatuba e também o vereador eleito Damião Brito (Rede), que costuma fiscalizar essas questões nas redes sociais. Ela afirma que foi levar o filho na UBS do bairro Atlântico e diz que o garoto estava com dor de cabeça e dor de estômago, além de estar vomitando, mas não conseguiu atendimento.
“Saúde de m… é essa. Hoje vim trazer meu filho na UBS do Atlântico, o menino com dor de cabeça e dor no estômago, vomitando, só porque não está com febre não vão atender porque não tem médico pra atender acolhimento, só se tiver com 40 graus de febre, e ainda disseram que estão sem médico. Ontem veio um, mas foi embora às 11 e não voltou mais. Para que o posto está aberto até às 19h pra não ter médico? Só fechar e pronto! A saúde pede socorro”, escreveu.
Outra moradora, chamada Vera Lúcia Balbino da Silva, relatou nos comentários dessa mesma postagem, que também não conseguiu atendimento para o neto nesta mesma UBS, no Atlântico. A orientação dada foi para que levasse o garoto no pronto-socorro municipal.
“Esses dias levei meu neto também com dores e o médico estava sentado na sala dele e as bonitas me disseram que ele não ia atender porque o meu neto não estava agendado, me orientaram a leva-lo no pronto socorro. Então para que esse postinho aberto até às 7 horas se os médicos não atendem…?”, disse em trecho da publicação.
Outra mulher chamada Lena França reclamou do atendimento dado no lugar e disse que precisou ir duas vezes ao local, mas não diz se foi ou não atendida.
“Fui aí (na UBS Atlântico) passando mal e me mandou voltar no outro dia 7h da manhã pra ver ainda se iria ser atendida. Cheguei e não tinha ninguém na recepção, esperei 10 minutos e saiu uma da sala e perguntei quem tá na recepção e ela disse ‘eu’. Você acha? Estava batendo papo”, relatou.

