O PÓS-CRISE E AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS
Evandro Everson dos Santos
É inconteste que boa parte do planeta padece dos efeitos nefastos da Covid-19, impactando mais ainda em países onde a economia já estava debilitada, como ocorreu no Brasil. E, para piorar, o auxílio emergencial do Governo Federal, que foi positivo, revelou um número maior de brasileiros que vivem na pobreza extrema, isto é, que vivem com $ 1,90 por dia (um dólar e noventa centavos americano, parâmetro definido pelo Banco Mundial). Revelação essa que obrigou o governo a se endividar mais do que esperava, em razão do auxilio a esses necessitados, que até então eram invisíveis. Logo, há uma crise de grandes proporções nos esperando para debelá-la. Diante disso, faço duas observações; uma positiva e outra negativa. Começaremos pela negativa.
A observação negativa, segundo meu juízo é que essa crise se arrefecerá com a descoberta da vacina, com todos imunizados; isto vai demorar. E a observação positiva, também, segundo meu juízo é que há centenas de cientistas espalhados pelo mundo debruçados dia e noite para a descoberta dessa vacina. No entanto, devido a sua opacidade, em razão do momento em que vivemos, uma pauta me chamou atenção: As eleições municipais. É sabido por todos, que o município é um ente federativo fundamental da vida democrática. É nos municípios que nascemos, vivemos, trabalhamos, estudamos, e onde temos a oportunidade privilegiada de exercitar a nossa cidadania; votar e ser votado. Há muito tempo que os municípios deixaram de ser periféricos para as políticas estadual e nacional. Neste ano, excepcionalmente, as eleições municipais ocorrerão nos dias 15 e 29 de novembro, permanecendo o 2º turno somente em cidades com mais de 200 mil eleitores. Excepcional também será a gestão dos vencedores do pleito (quadriênio 2021 a 2024), tanto para Vereadores, quanto para Prefeitos. Explico: O pós-pandemia exigirá dos vencedores muito mais que liderança e empatia. Exigirá muita criatividade, competência intelectual, assessoramento de técnicos com notável saber em suas respectivas pastas, projetos de governos exequíveis e propostas concretas que possam ser realizadas no curto e médio prazo.
Vereadores terão um papel preponderante no município; além de legislar sobre questões fundamentais do cotidiano dos munícipes, como transporte público, limpeza urbana, saneamento básico; a saúde necessitará de uma atenção especial, que inevitavelmente terá uma grande demanda. Sem redundância, aos Prefeitos, a necessidade do zelo, da assertividade na prioridade da aplicação dos recursos provenientes dos impostos e repasses do Estado e da União terá que ser redobrada. E nós eleitores, protagonistas desse evento democrático, jamais deveremos esquecer que a vigilância é eterna, o acompanhamento da gestão e a cobrança das promessas de campanha não se esgota no voto. O Desafio é grande, necessitará de respostas urgentes. A forma de gerir os municípios fará a diferença no pós-crise. Enfim, eleitores, prefeitos e vereadores, todos temos que estar comprometidos com o futuro do município e do bem estar das próximas gerações. Esse é o nosso legado.

