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    PONTO DE VISTA

    By jornalistacrispim26 de junho de 2020Nenhum comentário4 Mins Read
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    COMO INVESTIR EM CENÁRIO DE JUROS BAIXOS

    Pedro Barsalobre

    Na quarta-feira (17) o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,75% para o menor patamar da história do país, levando essa taxa para mínimos 2,25% ao ano. Onde o Banco Central quer chegar cortando a taxa de juros do Brasil para patamares de economias mais desenvolvidas? O primeiro objetivo que leva o banco central a reduzir a taxa de juros é a expectativa de inflação, e como ela anda baixíssima e com expectativa de ser negativa, o órgão tem folga para fazer reduções na taxa básica de juros. O primeiro beneficiado com isso é o governo, que com o patamar de juros atual gastará menos para financiar a dívida pública federal. Esse financiamento que o governo faz é o “empréstimo” contraído pelo mesmo para bancar o déficit público. Segundo estimativa do Tesouro Nacional o déficit público pode alcançar em 2020 R$ 708,7 Bilhões, o que representa 9,9% do PIB Nacional. Grande parte desse déficit devem-se as medidas tomadas pelo governo por conta da crise do Coronavírus. Portanto, com a diminuição dos juros, financiar essa dívida ficará mais barata para o governo.
    Outro objetivo seria o incentivo ao crédito e a circulação de dinheiro no país. Com o país em crise o Banco Central tenta injetar mais liquidez na economia fomentando o crédito. Com esse juro mais baixo, as pessoas e empresas tomam dinheiro emprestado, levando a um grau de consumo e investimento maior fazendo a roda da economia girar.
    Para o investidor tradicional desenha-se um cenário inédito onde os investimentos em renda fixa podem perder para inflação. Para se ter uma ideia no novo patamar da taxa básica de juros, um investimento de R$ 10 mil em um fundo DI irá render, em um ano, cerca de 1,86%, com o investidor embolsando R$ 186, descontado o Imposto de Renda. Se a escolha for pela poupança, o rendimento cai para 1,57% em 12 meses, abaixo da inflação projetada para este ano, de 1,60%. Com esse novo “normal” um dos beneficiados é o setor imobiliário, porque há uma relação quase que direta entre o nível baixo da Selic e o aquecimento do setor Imobiliário e de Construção Civil. O aumento da demanda pela busca de imóveis, principalmente por causa da queda no custo de financiamento, é o que puxa esse mercado para cima no longo prazo, caso a Selic permaneça baixa. E, assim como o movimento de migração para a Bolsa, os Fundos Imobiliários também são beneficiados conforme o investidor, em geral, opte por buscar mais ativos com maior potencial de retorno
    Outra classe de ativo beneficiada com essa redução de juros naturalmente é a bolsa de valores pois o raciocínio é simples: como os juros em patamares baixos tornam, de forma geral, menos atrativa a rentabilidade dos investimentos de Renda Fixa, a tendência é que haja, a médio e longo prazo, um fluxo de investidores posicionando suas carteiras em ativos na Bolsa, em busca de retornos maiores em um mercado que flerta mais com o risco.
    Para aquele investidor que é conservador e investe sua reserva de emergência na poupança, a porta de entrada é o Tesouro Selic, que rende 100% da taxa básica, ou seja, acima dos 70% da poupança. Para aquele que quer tomar mais riscos e obter uma rentabilidade melhor, o ideal seria procurar saber mais sobre ativos ligados à inflação, ações e fundos imobiliários.

    Pedro Barsalobre é formado em Marketing e Pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV. Possui certificação ANCORD de Agente Autônomo de Investimentos. Trabalhou por 10 anos em uma Instituição Financeira de grande porte e fundou a Arassá Investimentos em 2018 com mais dois sócios. Hoje é Assessor de Investimentos e Sócio Fundador na Arassá Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos.

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