Da Redação – Araçatuba
A Polícia Civil de Araçatuba cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do vereador Damião Brito (Rede) e na casa dele na tarde desta terça-feira (30). Os trabalhos decorrem de denúncias feitas por dois ex-assessores parlamentares de Damião de suposta prática de “rachadinhas” – divisão dos salários dos assessores com o próprio vereador.
No final da tarde, o Delegado da Polícia Civil, Dr. Getúlio Nardo, informou que foram apreendidos três celulares na casa do vereador, que farão parte das investigações. Um dos celulares apreendidos é da esposa do vereador. Também foi apreendido um notebook.

“Hoje estamos dando andamento em uma investigação que começou a sete ou oito meses atrás. Houve uma denúncia de dois assessores do vereador em questão alegando que ele fazia a chamada rachadinha. Hoje foram cumpridos mandados de busca na Câmara e na casa do vereador onde foram encontrados celulares, que com certeza pode trazer para o inquérito alguma prova nova. Essa investigação ainda terá outras diligências, e assim que concluído, o inquérito será arremetido para o fórum local”, afirmou o delegado.
De acordo com o delegado, Damião estava em sua casa no momento em que os policiais chegaram. Não foram apreendidos outros objetos.
Segundo informações, o vereador teria apresentado resistência a atuação policial, escondendo os aparelhos de celular e não fornecendo as senhas.
“A investigação vai andar de acordo com o que for aparecendo, não existe um prazo final, definido”, afirmou o delegado.
Ainda segundo o delegado, o vereador prestou depoimento à polícia, que auxiliará nas investigações, e depois foi liberado.
Até a publicação desta matéria, o vereador ainda não havia se manifestado publicamente sobre a questão.

O caso
A Operação é consequência de um caso iniciado em outubro do ano passado, quando uma ex-assessora fez denúncias de possível rachadinha contra vereador.
Em boletim de ocorrência registrado, a ex-assessora do vereador Damião Brito (Rede) que fez a denúncia contra ele de suposta prática de “rachadinha” na Câmara, afirmou “temer a própria vida”.
Ela afirma que foi convidada por Damião para ser sua chefe de gabinete sob a promessa de um salário de R$ 2.500,00 por mês e jornada de trabalho entre 8h e 17h30.
Quando foi abrir a conta bancária para o depósito dos pagamentos, a gerente informou a necessidade de agendamento do saque por causa do valor alto acima do permitido para retirada imediata.
A mulher não entendeu e foi quando a gerente informou que o salário que estava em conta era de R$ 13 mil.
Ao voltar à Câmara, a mulher afirma que falou com o vereador sobre o salário e ele teria dito que, mesmo que o salário fosse de R$ 50 mil, o dinheiro era dele. Ela disse que se soubesse não teria aceitado o trabalho.
Segundo o documento policial, o vereador afirmou que ela ficaria com R$ 2 mil e o ticket alimentação e deveria entregar o restante para ele. Mesmo sem concordar, a ex-assessora afirma que entregou o valor ao vereador por medo de retaliações.
A ex-assessora ainda relatou que o vereador deixava sua arma de fogo em cima da mesa de seu gabinete e que intimidava os demais funcionários do local a fazerem o mesmo, devolver parte do valor ao vereador.
Ela disse que após isso ficou doente e ficou afastada por dez dias. Durante o período, ela afirma que o vereador foi até a porta do seu prédio para pegar parte do dinheiro.
A mulher diz que quando retornou ao trabalho foi exonerada por Damião por não aceitar suas condições.
Rejeição
Em novembro do ano passado, houve votação na Câmara pelo recebimento ou não da denúncia, também feita na Casa Legislativa, contra o vereador Damião Brito. Por unanimidade a denúncia foi rejeitada.
Já no mês de fevereiro, a Corregedoria da Câmara arquivou a denúncia contra o parlamentar. Segundo a justificativa, a denúncia teria sido feita informalmente, sem comprovação através de extratos bancários, áudio ou vídeo. Também foi considerada a rejeição da denúncia por parte dos vereadores em plenário.



