Diego Fernandes – Araçatuba
O vereador João Pedro Pugina (PL) protocolou nesta semana um ofício no Ministério Público de Araçatuba relacionado à operação do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo, que investiga a O.S. Mahatma Gandhi, que administrou as Unidades Básicas de Saúde de Araçatuba entre 2019 e maio de 2025. O parlamentar quer saber em quanto Araçatuba foi lesada financeiramente durante o período dos trabalhos da O.S. na saúde.
A operação do Gaeco foi feita no último dia 7 de agosto e prendeu nove pessoas em Catanduva, em uma investigação para identificar esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Mahatma Gandhi. Conforme divulgado pelo Gaeco, a investigação apontou que houve desvios milionários de recursos públicos, com valores transacionados que teriam ultrapassado R$ 1,6 bilhão.

“Como vereador de Araçatuba minha intenção ao protocolar este ofício foi solicitar as informações não sigilosas sobre a atuação da O.S. aqui em Araçatuba, principalmente no período que ela foi responsável pela gestão da saúde, que foi entre 2019 e o comecinho de 2025. O objetivo foi confirmar se Araçatuba também foi vítima direta desse esquema criminoso investigado pela Operação Duas Caras”, afirmou.
O parlamentar também tentou contribuir com as investigações, informando ao MP-SP os valores recebidos pela Organização durante o período em que atuou na saúde de Araçatuba.
“Além disso ainda passei ao Ministério Público os valores recebidos por essa empresa ano a ano, desde o início do contrato até o fim, para colaborar com as investigações dentro das minhas limitações como vereador”, afirmou.
Para ele, saber o quanto Araçatuba pode ter sido lesada é fundamental para o trabalho de fiscalização do Legislativo e pela população que foi prejudicada pelos maus serviços prestados pela O.S.
“Creio que essas informações são fundamentais para que a Câmara Municipal, que o trabalho Legislativo possa exercer o papel de fiscalização e contribuir para esse tipo de operação que movimenta assuntos relevantes à nossa cidade”, disse. “A gente está falando de um possível escândalo de mais de R$ 1,6 bi em desvios, e estamos falando de saúde pública. Enquanto a cidade de Araçatuba enfrentou por mais de 5 anos um período lastimável na saúde com UBSs sucateadas, falta de medicamentos, carência de profissionais, e de estrutura. A população tem todo o direito de saber se também foi prejudicada por esses escândalos criminosos”, disse.
Reposição ao erário
Pugina acredita que, após o fim das investigações, caso Araçatuba tenha sido lesada financeiramente, é possível que o dinheiro volte ao erário público de alguma forma.
“Caso o Ministério Público apresente esses desvios envolvendo os recursos de Araçatuba, acredito que a gente tem que mobilizar tudo para que essa reparação seja feita, seja por meio de ações civis e penais, seja através de bloqueio dos bens dos responsáveis, e principalmente a devolução dos valores ao erário. Justamente por isso que essa investigação precisa ser conduzida com máxima seriedade e total transparência”, opinou.
Problemas na saúde e mudança para a Zatti
O vereador destacou problemas vividos na saúde pública no período de administração da Mahatma Gandhi e espera melhoras com a Zatti Saúde.
“Desde o início da gestão da O.S. Mahatma Gandhi, mesmo não sendo vereador, eu recebi várias denúncias, constatei pessoalmente graves problemas na saúde do município e cheguei a denunciar isso publicamente em vídeos nas redes sociais. Publiquei alguns fatos, entrevistei pessoas, e mesmo diante destes alertas, a empresa continuou gerindo a saúde da cidade e a gente não via nada sendo apresentado para mudar isso na legislação anterior”, criticou. “Acredito que a troca pela Zatti ainda está em fase inicial, mas já percebo uma maior abertura ao diálogo, percebo que eles têm uma presença maior nas unidades, e sinto que eles também têm mais disposição para resolver problemas antigos”, completou.
Por fim, o vereador Pugina desejou um bom trabalho para a Zatti, mas reafirmou que seguirá fiscalizando.
“Estou confiante, desejo um bom trabalho pra Zatti, desejo um bom trabalho para o pessoal que assumiu desta metade de ano para frente e, na minha função de vereador, estarei fiscalizando e ouvindo a população sobre os atendimentos. Estarei observando como posso ajudar o serviço a melhorar”, completou.
Operação e Investigação
A operação denominada Duas Caras prendeu nove pessoas em 7 de agosto. A Justiça expediu mais de 100 mandados. Entre eles, 12 de prisão temporária e outros por afastamento da OS, busca e apreensão e indisponibilidade de bens.
Eles foram cumpridos em Catanduva, Arujá (SP), Carapicuíba (SP), Piracicaba (SP), Viradouro (SP) e Bauru (SP), além de Rio de Janeiro (RJ), Maricá (RJ), Alfredo Chaves (ES), Palhoça (SC), Itapoá (SC), Mafra (SC) e São José (SC).
O grupo criminoso firmava contratos de gestão junto a esses municípios. A partir da gestão das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), contratava empresas terceirizadas que eram integrantes do próprio grupo. Essas empresas emitiam notas fiscais frias e superfaturadas.
Em entrevista coletiva, João Paulo Gabriel de Souza, promotor do Gaeco, explicou que, entre os funcionários contratados pelas terceirizadas para participar do esquema criminoso, foram identificadas duas frentes de atuação.
Conforme o promotor, a gestão fraudulenta da OS acarretou reflexos negativos, inclusive com registros de mortes em unidades administradas pelo grupo suspeito, além de ações trabalhistas.
Os envolvidos no esquema podem responder pelos crimes de peculato, corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.

