Se 2018 ainda não foi o ano da retomada para a indústria, 2019 traz expectativas positivas.
A análise é de lideranças do setor e de economistas consultados por O LIBERAL REGIONAL após balanço final da indústria paulista, divulgado no final da semana passada pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Para o diretor regional do Ciesp, Samir Nakad, a chegada do novo ano, especialmente após a mudança de governo, veio acompanhada de maior confiança do empresariado. “A política, aparentemente, vai começar a dar resultados. As pessoas estão confiando mais e, com isso, automaticamente, vêm mais encomendas, mais pedidos e, se Deus quiser, vamos voltar a contratar. Enfim, teremos notícias boas em breve”, disse ele.
A entidade por ele dirigida na região tem expectativa de geração de até dez mil posto de trabalho no setor em todo o Estado. A estimativa se baseia numa projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2,5% no ano.
Em nota encaminhada pelo Ciesp, o segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz, disse que, para o cenário otimista se concretizar, é necessária a redução da ociosidade na indústria.
Avaliou o dirigente:
“A ociosidade hoje é muito grande na indústria paulista, algo em torno de 30% a 35%. Assim que ela começar a ser reduzida, vai trazer junto a alta na geração do emprego. Em um primeiro momento voltarão ao funcionamento máquinas e equipamentos parados. Em seguida, as empresas vão desengavetar seus projetos e investimentos. O investimento virá bem forte, já que este é o motor do emprego”.
Em 2018, somente nos 34 municípios analisados pela pesquisa mensal Nível do Emprego na Indústria, feita pelas duas entidades que representam o setor, foram fechados 1.650 postos de trabalho. A conclusão foi divulgada após o mês de dezembro terminar com variação negativa de 4,87%, consequência do encerramento de 2,6 mil empregos. O saldo foi pior que o registrado no mesmo período de 2017, de -3,99%.
Para o economista Marco Aurélio Barbosa, da FEA (Fundação Educacional Araçatuba), a desaceleração do último trimestre foi fator decisivo para a baixa na geração de empregos. “Esse cenário trouxe reflexos para a região de Araçatuba, impactando também a indústria local, com um agravante, pois, entre os setores industriais, o calçadista, que tem forte presença na estrutura produtiva regional, foi um dos mais impactados no ano de 2018”, avalia.
“As perspectivas para 2019 são positivaas, pois as projeções para o crescimento do PIB do País são melhores que os verificados para o ano de 2018. Portanto, diante do quadro apresentado, é possível que, neste ano, a situação volte a apresentar resultado positivo”, diz o economista. “Todavia, todas essas projeções dependem do comportamento macroeconômico do país, que, por sua vez, depende da capacidade do governo de realizar as chamadas reformas estruturais e melhorar as expectativas em relação ao déficit público e à divida pública”, finaliza.
ARNON GOMES
Araçatuba

