*Marcelo Teixeira
O vereador Camilo Cristófaro (Avante) teve o mandato cassado pelos seus pares, na Câmara Municipal de São Paulo, por quebra de decoro parlamentar. Ele protagonizou episódio em que teve um áudio vazado no plenário da Casa usando uma frase tida como racista. Na ocasião, Cristófaro participava de uma sessão da CPI dos Aplicativos, quando foi ouvido dizendo: “Coisa de preto.” Quanto à punição, será que era para tanto?
A Universidade Santo Amaro (Unisa), de São Paulo, afirmou ter expulsado os alunos do curso de Medicina que foram gravados e expostos em redes sociais seminus simulando masturbação durante um jogo de vôlei feminino. O episódio ocorreu em abril, durante um campeonato universitário. Divulgados recentemente os vídeos, todos os referidos estudantes teriam sido expulsos. Mas será que era para tanto?
O SBT demitiu o humorista Eros Prado depois que ele fez uma piada sobre a morte do pai de Gustavo Mosquito durante a transmissão da partida entre Corinthians e Estudiantes-ARG, nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Prado disse que o jogador “chutou a bola para o pai dele”, após Mosquito perder uma clara chance de gol. O pai do jogador faleceu em 2021, após ser vítima da Covid-19. Era para tanto?
O presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, renunciou ao cargo, depois de ser pressionado por várias entidades pelo escândalo no qual forçou um beijo na boca da jogadora Jenni Hermoso durante a entrega de medalhas na última Copa do Mundo feminina. Ele já estava suspenso provisoriamente pela Fifa e pelo governo espanhol. Será mesmo que era para tanto?
O técnico Cuca deixou o comando do Corinthians após dois jogos apenas. Desde a sua chegada, o treinador foi alvo de diversos protestos da torcida corintiana, que não aceitou a contratação devido a uma condenação de estupro em 1989, quando ele ainda era jogador e atuava pelo Grêmio. Será que era para tanto?
A resposta é sim, pois esse “tanto” representa a medida das mudanças nos comportamentos sociais em relação ao racismo, abuso sexual, estupro, das noções de ética e moral. São um indicativo da evolução contínua da sociedade em direção a um mundo mais justo e igualitário. O que tempos atrás era considerado normal e aceitável hoje é reconhecido como ilegal e criminoso. Essas transformações são um testemunho da luta por direitos civis, igualdade de gênero e justiça social, e destacam a importância de continuarmos a promover valores e normas que respeitem a dignidade humana e protejam os mais vulneráveis. Que assim seja.
*Marcelo Teixeira é jornalista e membro da Academia Araçatubense de Letras (AAL)

