Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Entre os grandes projetos pensados para transformar Araçatuba em polo regional de saúde, nenhum foi tão ousado quanto o Hospital Modelo da Noroeste. Idealizado como um centro hospitalar de referência, o empreendimento jamais foi concluído, tornando-se símbolo de um sonho interrompido.
Um projeto de grandeza
A obra começou na década de 1970, impulsionada pelo médico Olair Felizola de Moraes, figura influente na região. O plano previa um complexo moderno, com cerca de 300 leitos e equipamentos avançados, capaz de atender toda a Noroeste paulista. A proposta buscava elevar Araçatuba ao patamar de referência em medicina hospitalar, alinhada ao crescimento urbano e econômico da época.
Paralisação e abandono
Dificuldades financeiras, entraves administrativos e mudanças nas políticas de saúde paralisaram a construção. O prédio, com cerca de 8 mil m², permaneceu inacabado por décadas e ganhou a fama de “elefante branco”. Aquilo que deveria simbolizar progresso converteu-se em problema urbano, marcado por degradação e abandono. Parte do subsolo ainda chegou a ser usada provisoriamente para pequenos atendimentos, numa tentativa de dar alguma função à estrutura.
A implosão
Após longos debates, decidiu-se pela demolição. Em 12 de outubro de 2013, o prédio foi implodido em poucos segundos, diante de autoridades e moradores. A operação, realizada de forma controlada, custou cerca de R$ 800 mil. No lugar do ambicioso hospital, restou apenas o terreno vazio e a memória de um projeto que não se concretizou.
Legado e memória
Embora nunca tenha cumprido sua finalidade, o Hospital Modelo marcou profundamente o imaginário da cidade. Por anos, sua estrutura inacabada serviu de referência geográfica e lembrou o contraste entre o potencial regional e as limitações enfrentadas ao longo do tempo. Hoje, sua história segue viva na lembrança de quem acompanhou sua construção, abandono e queda. O sonho interrompido do Hospital Modelo permanece como testemunho das ambições, desafios e contradições de um período em que Araçatuba buscava consolidar-se como cidade polo.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, historiador e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

