Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Toda cidade tem símbolos que traduzem sua identidade, sua história e o sentimento de pertencimento de seus habitantes. Em Araçatuba, um desses símbolos é a bandeira municipal, criada em 1974 e idealizada por Juvenal Paziam, personagem cuja trajetória se confunde com a história e o desenvolvimento de nossa terra. Nascido em Bilac, em 1936, Juvenal formou-se técnico em Contabilidade, mas sua vida profissional foi marcada pela diversidade de experiências. Trabalhou como professor, barbeiro, caminhoneiro, cooperativista e assessor, atividades que lhe proporcionaram contato com diferentes segmentos da sociedade e ampliaram sua compreensão sobre a vida e as necessidades das pessoas.
A história da bandeira de Araçatuba começou durante a administração do ex-prefeito Waldir Felizola de Moraes, que entendia ser necessário dotar o município de um símbolo capaz de representá-lo oficialmente. Para isso, por intermédio do interventor Alfredo Yarid Filho, foi promovido um concurso destinado à escolha do modelo da bandeira municipal.
O concurso foi vencido pelo arquiteto Jorge Mayoca, que apresentou uma proposta composta por losangos vermelhos sobre fundo branco. Entretanto, o desenho não agradou ao interventor nem ao prefeito. Diante do impasse, Juvenal Paziam foi incumbido de elaborar uma nova representação para a cidade.
Foi assim que surgiu a bandeira que conhecemos hoje, instituída pela Lei Municipal nº 1.769, de 19 de junho de 1974. O desenho idealizado por Juvenal reúne elementos geométricos e cores carregadas de significado. Suas nove listras horizontais, alternadas entre o branco e o azul, fazem referência à Nona Região Administrativa do Estado de São Paulo. As listras brancas simbolizam a paz política, enquanto as azuis representam o céu de Araçatuba. A primeira e a última listra são sempre brancas. No centro da composição, destaca-se a representação estilizada do mapa do Estado de São Paulo, em formato geométrico e na cor branca, trazendo o brasão municipal ao centro. O conjunto confere à bandeira uma identidade própria, associando Araçatuba ao Estado do qual faz parte e ressaltando os valores que inspiraram sua criação. Mais do que um desenho oficial, a bandeira tornou-se uma referência visual da cidade. Está presente em solenidades, repartições públicas, escolas e acontecimentos que marcam a vida da comunidade. Cada vez que é hasteada, representa a história de uma população e a memória de todos aqueles que contribuíram para construir Araçatuba.
Mas Juvenal Paziam não se resume à autoria desse importante símbolo. Sua trajetória também guarda uma curiosidade: ele é apontado como o primeiro motorista habilitado em Araçatuba, fato que acrescenta outro capítulo interessante à sua ligação com a história local. De personalidade simpática e espírito participativo, Juvenal sempre demonstrou preocupação com os rumos do município e, sobretudo, com as pessoas. Seu trabalho voluntário junto ao Conselho da Santa Casa de Misericórdia de Araçatuba é uma demonstração desse compromisso com a comunidade e com uma instituição fundamental para a assistência à saúde da população. Em uma época em que tantas vezes se valorizam apenas os grandes feitos e os nomes que ocupam as páginas oficiais da história, é importante reconhecer também aqueles que, com dedicação e simplicidade, deixam contribuições duradouras para a coletividade.
Juvenal Paziam é um desses homens. Seu nome está ligado a um dos mais importantes símbolos de Araçatuba, mas seu legado vai além das cores e das formas que compõem a bandeira municipal. Está também na disposição de servir, na preocupação com o futuro da cidade e no interesse genuíno pelo bem-estar de seus habitantes. A bandeira de Araçatuba continuará tremulando sobre a cidade, lembrando-nos de nossas origens, de nossa identidade e de nossa história. E, sempre que olharmos para ela, será justo recordar o homem que lhe deu forma e significado: Juvenal Paziam, um cidadão que ajudou a representar Araçatuba e que continua contribuindo para sua comunidade.
Porque uma cidade não é feita apenas de ruas, praças e edifícios. É feita, sobretudo, de pessoas. E são pessoas como Juvenal Paziam que ajudam a construir uma história digna de ser preservada e transmitida às futuras gerações.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

