Por Alceu Batista de Almeida Júnior
O Estádio Municipal Doutor Adhemar de Barros, o nosso velho e querido Adhemarzão, não é apenas um campo de futebol. É um daqueles lugares onde a cidade aprendeu a se reunir, a vibrar e a se reconhecer como comunidade. Erguido quando Araçatuba ainda dava passos firmes rumo à sua consolidação urbana, o estádio nasceu no final da década de 1930, em meio ao pó das ruas de terra e ao entusiasmo de uma população que via a cidade crescer diante dos olhos. Sua pré-inauguração, em 23 de julho de 1939, já indicava que algo maior estava por vir. No ano seguinte, em 3 de agosto de 1940, o estádio era oficialmente entregue à população, embora suas obras só se completassem em 1942.
Naquele tempo Araçatuba vivia sob a administração do prefeito Aureliano Valadão Furquim, cuja gestão marcou um período de importantes investimentos urbanos. No cenário estadual, despontava a figura de Adhemar de Barros, cujo nome viria a batizar o estádio, uma homenagem que refletia o espírito desenvolvimentista de sua atuação política. Ao longo das décadas, o Adhemarzão viu passar gerações. Foi ali que multidões se comprimiram nas arquibancadas, que vozes se levantaram em coro, que vitórias foram celebradas e derrotas, digeridas com dignidade. Em 29 de janeiro de 1995, por exemplo, mais de 16 mil pessoas testemunharam um daqueles jogos que ficam para sempre na lembrança, quando Araçatuba enfrentou o São Paulo e fez o estádio pulsar como um coração coletivo.
Mas o Adhemarzão nunca foi apenas futebol. Ali também se viveram os grandes momentos do esporte amador, como nas edições dos Jogos Abertos do Interior, quando atletas de todo o estado trouxeram cores, sotaques e histórias para dentro da cidade. Mais tarde, com a implantação da pista de atletismo em 1995, à época considerada uma das melhores do país, o estádio reafirmava sua vocação como espaço democrático do esporte. Com o passar dos anos, vieram as reformas, as adaptações, os cuidados necessários para manter viva uma estrutura que já atravessou mais de oito décadas. Hoje, quem passa pelo Adhemarzão nas primeiras horas da manhã ou no cair da tarde já não vê apenas torcedores. Vê corredores, famílias, jovens e idosos dividindo o mesmo espaço, como se o estádio, mais do que nunca, tivesse voltado às suas origens: um lugar da cidade para a cidade. Porque, no fundo, o Adhemarzão é isso. Um pedaço da alma de Araçatuba. Um espaço onde o tempo não apaga, apenas acumula as marcas de tudo o que ali já foi vivido.

