Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Entre as construções que ajudaram a transformar a paisagem urbana de Araçatuba, o Edifício Vidal ocupa lugar especial. Localizado no início da Rua Osvaldo Cruz, junto à Praça Rui Barbosa, no coração da região central, o prédio representa um período em que a cidade começava a abandonar gradativamente o predomínio das construções térreas e a incorporar uma nova concepção de ocupação urbana: a verticalização. A fotografia datada de 30 de julho de 1967 constitui importante registro desse processo. A imagem documenta o local ainda em fase de construção e situa a obra no final da década de 1960, corrigindo a informação anteriormente atribuída ao início dos anos 1970. Mais do que uma fotografia de uma obra, o registro testemunha uma Araçatuba em transformação, que começava a incorporar edifícios de maior porte, acompanhando o crescimento econômico e populacional do município.
A escolha do local não foi casual. A área próxima à Praça Rui Barbosa constituía, há décadas, um dos principais centros da vida comercial, administrativa e social de Araçatuba. As ruas ao redor da praça concentravam lojas, escritórios, bancos, consultórios e diversos serviços, fazendo daquela região o principal ponto de circulação da população. A construção do Edifício Vidal representava, portanto, mais do que um empreendimento imobiliário: era um sinal de confiança no futuro do centro da cidade. O aproveitamento vertical do terreno permitia reunir diferentes atividades profissionais e comerciais em uma mesma edificação, atendendo às novas necessidades de uma cidade que crescia.
O edifício está relacionado à atuação da C.A.L. Construtora Araçatuba Ltda., empresa ligada à trajetória da família Ferreira Batista e à construção civil local. Nesse contexto, os irmãos Mário Ferreira Batista e o engenheiro e empresário Arlindo Ferreira Batista aparecem associados à história empresarial e construtiva da região. A atuação da família contribuiu para a expansão urbana e para a introdução de novas soluções construtivas, especialmente durante o desenvolvimento imobiliário das décadas de 1960 e 1970. A fotografia de 1967 mostra a obra em andamento, enquanto sua conclusão e ocupação ocorreriam nos anos seguintes. O prédio passou a integrar definitivamente a paisagem do centro araçatubense na virada para a década de 1970, quando a verticalização começava a modificar significativamente a fisionomia da cidade.
Durante as décadas seguintes, o Edifício Vidal manteve sua vocação predominantemente comercial e profissional, abrigando escritórios, consultórios, imobiliárias, profissionais liberais e prestadores de serviços. Assim, o Edifício Vidal não deve ser lembrado apenas como uma construção. Ele faz parte da história urbana de Araçatuba e testemunhou diferentes gerações que passaram pelo centro da cidade. A fotografia de 30 de julho de 1967 é, portanto, mais do que o registro de uma obra. É o retrato de uma cidade em transformação.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

