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quinta-feira, agosto 18, 2022

Manutenção imprevista dificultou aviso de falta d’água à população, diz Daea a vereadores

Uma manutenção emergencial e imprevista, “portanto não programada”, fez com que a Samar (Soluções Ambientais Araçatuba) não comunicasse à população que iria faltar água. O problema pegou de surpresa pelo menos 40 bairros há exato um mês. O reconhecimento do ocorrido está em documento encaminhado à Câmara Municipal pelo Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba), agência reguladora do serviço, como resposta a requerimento assinado por cinco vereadores. A resposta é semelhante à dada pela Samar à imprensa durante quatro os dias – de 8 a 12 de março – em que moradores da cidade ficaram com as torneiras secas.
Apesar do alcance do problema, o questionamento apresentado pelos parlamentares tem relação apenas com a zona sul. No pedido de informações, os representantes do Legislativo classificam como uma “verdadeira catástrofe” o que aconteceu nos bairros Jussara, Morada dos Nobres, Esplanada, Ouro Preto, Claudionor Cinti, Clóvis Picoloto, Lago Azul, Iporã, Vila Toscana, Jardim Moreira e Nobreville.
Em sua manifestação, a agência diz que a paralisação nessas localidades ocorreu exclusivamente pelo poço profundo (800 metros de profundidade de onde retira suas águas do aquífero Guarani), localizado no Jussara. ” Em função da avaria da bomba elétrica existente (queimou), na sexta-feira (08/03), às 17:44h, não foi possível comunicar a população com antecedência”, alega o departamento de água e esgoto.
O Daea procurou esclarecer ainda que, todas as vezes nas quais são realizadas manutenções programadas, a agência reguladora Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba) é comunicada com antecedência. Mas, ponderou: “Quando a manutenção é emergencial, somos avisados no momento em que ocorre”.

PARA AMENIZAR
Questionado pelos vereadores Cláudio Henrique da Silva (PMN), Denilson Pichitelli (PSL), Cláudia Crepaldi (PC do B), Rivael Papinha (PSB) e Gilberto Batata Mantovani (PR) sobre o que foi feito para amenizar o dilema das famílias que residem na zona sul, o Daea informou que, após a constatação da falha mecânica no sistema de bombeamento do poço profundo do Jussara, a Samar acionou o procedimento interno de manutenção emergencial para substituição da bomba. “O reparo foi executado no sábado, por empresa terceirizada e, após os procedimentos técnicos, não logrou êxito. Neste momento, o plano de contingência foi implementado. Detalhes serão apontados pela Samar através de termo detalhado que será enviado à concessionária”, explicou.
No documento, o Daea cita as várias manobras feitas a fim de minimizar o desabastecimento causado pela paralisação da motobomba. O relatório relaciona trocas feitas, porém, malsucedidas. Informa ainda que, paralelamente às substituições, outros sistemas (Planalto, Bom Tempo e Nova Iorque) chegaram a ser usados no fornecimento, mas o resultado foi mínimo porque alimentam o sistema diretamente nas adutoras. Por isso, caminhões-pipa foram utilizados. Segundo o Daea, com os veículos, 182 mil litros foram distribuídos à população.

Concessionária vira alvo de ações na Justiça

Conforme reportagem publicada por O LIBERAL REGIONAL no último dia 19, o desabastecimento fez com que uma série de ações na Justiça fossem movidas contra a Samar. Nelas, há relatos de munícipes e empresários sobre prejuízos que tiveram devido à falta d’água naquele período. Em um deles, uma moradora do bairro Jussara conta que, no mesmo endereço onde reside com sua família, mantém um salão de beleza. São citados ainda exemplos de mães que não conseguiram sequer preparar o leite de crianças com menos de 3 anos de idade por falta d’água.
Segundo ela, nos dias de escassez, a Samar não notificou os clientes da existência de reparos em sua rede de abastecimento. Em vários casos, todos representados por um mesmo advogado, há pedidos para que o Judiciário imponha à empresa pagamento de indenização de R$ 12 mil de reparação por danos morais ou materiais. Em alguns destes processos, o juiz Fernando Augusto Fontes Rodrigues Junior já designou audiência de conciliação.
Nas ações, o advogado afirma que o objetivo, ao pedir as indenizações, é também promover um efeito pedagógico, de modo que tais situações não se repitam.

ARNON GOMES
Araçatuba.

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