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    Home»Cidades»Araçatuba»Mãe que recebeu rim do filho passa bem da cirurgia, mas está isolada devido à covid
    Araçatuba

    Mãe que recebeu rim do filho passa bem da cirurgia, mas está isolada devido à covid

    By jornalistacrispim14 de janeiro de 2023Nenhum comentário6 Mins Read
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    FAMÍLIA – Graziele com os filhos Kauan e Yasmin; tragédia mudou os rumos da família
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    DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

    A vida da pespontadeira Graziele Furquim do Amaral de Farias,37 anos, de Birigui´(aposentada devido aos problemas de saúde) se transformou em uma gangorra de emoções. Em 2018 ele teve o diagnóstico de problema renal e passou a fazer hemodiálise. Acabou perdendo a visão. No início deste ano seu filho, seu alicerce, Kauan, de 20 anos, sofreu acidente de moto. Não resistiu e poucos dias depois foi constatada morte cerebral e a família autorizou a doação dos órgãos. Graziela foi uma das beneficiadas. Não participou do velório do filho, pois estava passando por cirurgia. Agora, passa bem da cirurgia, mas está isolada porque contraiu a covid-19 (imunidade baixa).

    Aos 17 anos, Graziele engravidou de Kauan. Foi uma alegria para toda a família, como lembra sua irmã mais jovem Nayara Furquim do Amaral, que também curtiu o nascimento do primeiro sobrinho. Depois, Nayara foi para o litoral e todo fim de ano a família se reunia em sua casa.

    Tudo transcorri bem até 2018, quando devido a uma crise de hipertensão, Graziele passou 45 dias internada, 15 dos quais em UTI.

    Ao final da longa internação, ela ficou diante de um diagnóstico cruel: os rins pararam de funcionar e ela precisaria fazer hemodiálise. Na época, Graziele tinha 32 anos. Em novembro daquele mesmo ano, perdeu a visão,  outra decorrência de seu quadro clínico.

    Mãe de dois filhos – Yasmim e Kauan-, na época com 4 e 16 anos respectivamente, Graziele fazia as sessões três vezes por semana no Hospital do Rim da Santa Casa de Araçatuba. Devido às limitações da mãe, Kauan assumiu a responsabilidade de ajudá-la em todas as tarefas, como  cuidar da casa, das compras e de acompanhá-la três vezes por semana nas sessões de hemodiálise.

    “Ele não se conformava em ver o sofrimento da mãe, por isso quis doar um rim para ela ficar livre das máquinas de hemodiálise”, afirma Nayara. Porém na época, Kauan era menor de idade. Pela legislação, o doador tem de ter acima de 23 anos. “Ele dizia que quando completasse a idade exigida doaria um rim para sua mãe”, relembra a tia.

    Outro impedimento para um transplante era um quadro de insuficiência cardíaca descoberto durante os tratamentos renais.

    Inicialmente Graziele sofreu muito com o tratamento. Porém, sabia que precisava ser forte para manter os filhos de pé. No entanto, passados cinco anos, mais uma tragédia abalou a família e mudou a história de Graziele.

    Vítima de um acidente de moto no primeiro dia de 2023, Kauan sofreu traumatismo craniano e teve morte encefálica constatada no início da tarde de terça-feira (3/1).

    Reunida com a equipe da Santa Casa de Araçatuba para receber informações sobre a morte encefálica, a mãe  de Kauan foi informada sobre  e a possibilidade de  doação  de órgãos.

     

    “Minha irmã certamente nem lembrou da intenção do Kauan em doar um rim para ela. Mas, mesmo devastada, não pensou duas vezes em autorizar a doação pois isso iria salvar muitas vidas. E ela queria um pedacinho dele em cada pessoa que pudesse ser salva”,  acrescenta Nayara.

    De acordo com a tia de Kauan, Graziele “ficou prostrada com a morte do Kauan e chegou dizer que não faria mais nada por sua saúde, que queria morrer logo para poder estar com ele”.

    A legislação que normatiza os transplantes  no país, assegura aos parentes de até quarto grau que estejam na fila de espera, prioridade em relação a órgãos de um familiar que se tornou doador após morte encefálica.

     

    O transplante

    Aos 37 anos, devastada pela dor de uma perda irreparável e dividida entre estar presente no velório e sepultamento de Kauan ou ir para o Hospital das Clínicas de Botucatu que já havia confirmado duas etapas de compatibilidade para o transplante, “e ter para sempre dentro dela um pedacinho do filho, minha irmã aceitou tentar o transplante”, relatou Nayara.

    Quando o núcleo renal do hospital, que é referência estadual em transplantes de rins, entrou em contato com Graziele, faltava ainda uma avaliação sobre as condições cardíacas. Caso a insuficiência estivesse fora das condições, o transplante não seria autorizado.

     

    “Mas em meio a toda a dor, tivemos a boa notícia de que ela estava em condições de fazer a cirurgia”, informou Nayara.

     

    O procedimento foi realizado na manhã de quinta-feira (5/1) no Hospital das Clínicas de Botucatu, referência em transplantes renais no interior paulista.

     

    O transplante foi bem sucedido. Graziele teve alta hospitalar. Estava se recuperando na casa da irmã. Porém, na quinta-feira, quando retornou para exames de praxe no hospital em Botucatu (vai ser uma rotina), foi diagnosticada com covid.

    Devido à sua baixa imunidade, ela está isolada na casa da irmã, em um quarto, sem contato com as pessoas. Isso por recomendação médica. “A médica que a acompanha disse que deve permanecer isolada por 20 dias”, disse Nayara, confiante de que logo a irmã poderá voltar para a própria casa.

    Como Graziele estava em cirurgia, Nayara acompanhou os funerais de Kauan. “Ele era tudo para minha irmã. Um filho presente, participativo, amigo e dizia que ela e a irmãzinha Yasmim eram suas princesas”, contou Nayara, muito emocionada.

    Ela define o sobrinho como um menino que precisou ficar adulto muito depressa para cuidar da mãe, mas o fazia com amor e sem queixas.

     

    O rapaz também tinha muitos sonhos. Ser campeão em uma competição da modalidade, era um deles. Atleta há 7 anos, ele era apaixonado pelo skate e se firmava a cada dia como skatista e recentemente conquistou o segundo lugar em um campeonato. “Ele falava para mãe que um dia ia ficar muito famoso”, conta sua tia.

    Casar e constituir uma família, também faziam parte de seus projetos de vida. “O Kauan dizia que um dia iria se casar e ter sua família, mas só faria isso com uma moça que aceitasse sua mãe e a tratasse bem, pois ele jamais a deixaria. Agora não deixará, mesmo”, finalizou Nayara.

     

    APOIO À FAMÍLIA

    Com o longo tratamento de Graziele, a família se desestruturou financeiramente. Com isso, o terreno onde foi construída a casa ficou com prestações atrasadas, assim como impostos e a casa iria para leilão. Além disso tinha a conta de água. Foi feita uma vaquinha virtual, que já conseguiu dinheiro para quitação do terreno. Falta a legalização perante o cartório e a quitação das demais dívidas. O link é. https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-graziele-a-nao-perder-a-sua-casa

     

    DESTICAÇÃO – Além da mãe e da irmã, Kauan tinha outra paixão: o skate
    ARQUIVO DE FAMÍLIA

     

     

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