Diego Fernandes – Araçatuba
Em meio à crise na saúde e à abertura de CPI para investigar o setor na Câmara, vereadores que fazem parte da atual Comissão de Saúde trocaram farpas durante sessão realizada nesta segunda-feira (24). O presidente da Comissão, Arnaldinho (Cidadania) e um dos membros, o vice-presidente da Mesa Diretora, Gilberto Batata Mantovani (PSD), discutiram após a retirada de duas emendas da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que foi aprovada pelos vereadores.
O vereador Arnaldinho havia proposto duas emendas à LDO que destinariam até R$ 4 milhões, cada, para entidades que desenvolvam ações preventivas contra o câncer, totalizando R$ 8 milhões. Durante a discussão da emenda, o vereador Batata questionou o colega sobre quais entidades receberiam o valor, sendo que o dinheiro previsto é bem acima das emendas impositivas, aprovadas para a próxima legislatura.
Arnaldinho se irritou com Batata e afirmou que muitos pacientes que fazem tratamento contra o câncer precisam se deslocar para outras cidades como Barretos e São Paulo.
“Talvez seja por causa desses pensamentos que nós estamos na 18ª legislatura em Araçatuba e ainda não temos o nosso hospital de câncer, de prevenção, nós não temos o Lucy Montoro, e tantos outros”, disse Arnaldinho.
Após isso, Arnaldinho retirou as emendas e Batata voltou a perguntar quais seriam as entidades.
“Sabe por que o senhor não sabe? Porque o senhor exigiu praticamente no começo do seu mandato fazer parte da comissão de saúde, e a primeira vez que eu liguei para o senhor para marcar uma reunião, o senhor foi taxativo, já me deu uma dura. A hora que o senhor quiser falar no gabinete sobre saúde, não vai precisar querer me deixar aqui de saia justa com as suas inverdades”, disse Arnaldinho já sendo interrompido por Batata.
Admitiu
O vice-presidente da Câmara se irritou e passou a questionar a atuação de Arnaldinho como presidente da Comissão. Ele também admitiu a crise na saúde ao criticar o colega e ainda afirmou que ele teria assinado a CPI apenas por causa da pressão dos manifestantes que foram à Câmara na última semana.
“E o que o senhor resolveu na saúde como presidente? O que o senhor resolveu até hoje? Está aqui há quase 4 anos. Olha a saúde como é que está”, admitiu Batata, que faz parte da bancada governista na Câmara. “O senhor assinou a CPI na pressão, porque o senhor não ia assinar”, seguiu Batata.
Logo após isso, os parlamentares seguiram discutindo, enquanto a direção da Câmara cortou os microfones de ambos. No final, Arnaldinho ainda rebateu a crítica.
“Batata, você teve cinco mandatos para mostrar serviço, e tudo que você sabe fazer é querer ofuscar o trabalho dos outros”, disparou.
Divergência também na CPI
Na última semana, dois dos três membros da atual Comissão de Saúde da Câmara assinaram o requerimento para a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o setor de saúde.
O presidente, Arnaldinho, e o vice, Maurício Bem Estar (União Brasil), assinaram o documento, enquanto Gilberto Batata Mantovani não assinou.
A CPI foi instaurada com 12 assinaturas, sendo que eram necessárias pelos menos cinco. O pedido foi feito pelo vereador Luís Boatto (SD) em março, e até semana passada contava apenas com sua própria assinatura e dos vereadores de oposição Arlindo Araújo (SD) e Lucas Zanatta (PL).
Com a pressão feita por manifestantes familiares de pessoas que morreram no pronto-socorro de Araçatuba, que interrompeu a sessão do dia 17 de junho, outros nove vereadores assinaram o documento, com exceção de Batata, Dr. Jaime (PSDB) e Antônio Edwaldo Dunga Costa (União Brasil).

