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sexta-feira, junho 24, 2022

Hospital da Mulher deixa de oferecer mamografia

Desde o início deste mês, em Araçatuba, os exames de mamografia têm dois novos endereços: o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e a Tomossom. A mudança é consequência do término contratual, no último dia 30, com a empresa Ambrósio & Ambrósio Radiologia, que desde 2009 prestava o serviço de prevenção ao câncer de mama no Hospital da Mulher. Para que as pacientes não sejam prejudicadas, o município firmou contratos de prestação de serviço com o ambulatório mantido pelo Estado e a clínica particular, pagando-os por produtividade. Ou seja, se forem feitos 30 exames, paga-se por essa quantidade e assim por diante.

“Não houve e nem haverá suspensão nos serviços de mamografia. Os agendamentos estão sendo realizados normalmente e todas as pacientes serão atendidas por meio do AME e pela clínica particular Tomossom”, informou a Secretaria Municipal de Saúde, em nota enviada pela assessoria de imprensa Prefeitura, ontem, um dia após a Câmara aprovar, por unanimidade, requerimento do vereador Arlindo Araújo (PPS) sobre o contrato anterior.

Em seu pedido de informações, o parlamentar da oposição questiona o motivo de não ter havido aditamento contratual com a Ambrósio & Ambrósio, medida esta que, segundo ele, poderia ser feita até junho do próximo ano.

Ainda na propositura, ele pergunta à gestão do prefeito Dilador Borges (PSDB) o que será feito para que os exames continuem sendo oferecidos. Além de rebater a informação de que a mamografia seria suspensa, a administração municipal garantiu que não haverá alterações na condução dos atendimentos. “Todas as mulheres serão atendidas no prazo, que varia entre 30 e 60 dias, como também ocorria no Hospital da Mulher”, informou a Prefeitura.

RAZÕES

O município usa pelo menos dois argumentos para justificar a descontinuidade do último contrato.

O primeiro seria a necessidade de revisão da gestão do serviço de mamografia por parte do poder público. De acordo com o governo tucano, pelo modelo vigente até o mês passado, a Prefeitura pagava, mensalmente, por 550 atendimentos. Entretanto, diz a Prefeitura, o índice de falta (mulheres que não comparecem às consultas) chega a 30%. Daí, a ideia de remunerar a prestadora de serviços apenas por atendimento efetivamente realizado. Segundo a assessoria de imprensa, uma nova licitação para esse tipo de contratação já está sendo preparada.

O segundo motivo está no fato de a empresa até então responsável pela mamografia ter apresentado, em 16 de fevereiro deste ano, pedido de 25,64% de reajuste. Os valores mensais passariam de R$ 27 mil para R$ 33.922,80. Porém, o argumento da Prefeitura é de que foi pactuado no quarto termo aditivo do contrato anterior a utilização do valor da tabela unificada do SUS (Sistema Único de Saúde) para definição de valores. Por essa razão, o Executivo decidiu não atender a solicitação da empresa contratada.

Vereadores temem pelo fechamento do HM

Até o requerimento de Arlindo Araújo ser aprovado, durante a sessão da última segunda-feira, uma discussão que envolveu a maior parte dos vereadores no plenário da Câmara de Araçatuba.

Parlamentares, inclusive da base de apoio de Dilador, mostraram-se preocupados com o futuro do Hospital da Mulher. Com a saída da mamografia, hoje, o único serviço realizado no local é o do Banco de Leite, segundo a Prefeitura. Em setembro do ano passado, partos e atendimentos de urgência e emergência foram transferidos para a Santa Casa. Em 2016, o então prefeito Cido Sério (PRB) chegou a anunciar o fechamento da unidade, mas a proposta não avançou. 

Durante as discussões da última segunda-feira, o presidente da Câmara, Rivael Papinha (PSB), que é aliado governista, disse ser contra o encerramento. “Sou contra o fechamento. Estou dialogando com a vice-prefeita Edna Flor (PPS) nesse sentido. Deixei claro que, se tiver uma atitude dessa, serei contra”, afirmou.

EMBATE

Assim também se manifestou Arlindo, ao falar das mudanças na mamografia. “É um absurdo o fechamento do Hospital da Mulher. Antes, já tinha fechado o Pronto Atendimento do bairro São João”, criticou.

Líder do prefeito na Casa, o vereador Jaime José da Silva (PTB) procurou enfatizar aos demais colegas de parlamento a nova forma de pagamento proposta pelo município. “A ideia é pagar por produtividade. Antes, com o serviço realizado ou não, o município era obrigado a pagar conforme estava no contrato. A análise técnico-financeira da Prefeitura entendeu que era preciso rever isso. O custo do Hospital da Mulher estava uma enormidade”, disse.

Única vereadora da Casa, Beatriz Soares Nogueira (Rede) também não escondeu a preocupação com a nova fórmula para bancar a mamografia. “Será o preço da tabela do SUS (Sistema Único de Saúde). A Prefeitura vai abrir o chamamento. E se não tiver nenhuma empresa interessada, a Prefeitura não vai fazer?”, questionou.

Arnon Gomes- Araçatuba

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