PEDRO CÉSAR ALVES
Era puro silêncio – e de forma imposta (tanto pela gravura na parede, tanto por ela que trazia o dedo junto aos lábios). Assustado estava e assustado ficaria por um longo tempo! Porém, tudo passaria e voltaria a estar bem.
Tinha acabado de chegar (talvez da eternidade – do outro lado da eternidade seria mais exato em dizer) – não compreendia bem ainda (e ainda bem! – por enquanto… o tempo explicaria tudo… e mais um pouco). Olhava a forma corpórea em que se encontrava: cabeça, tronco, membros (pés, mãos – sexo); olhava atentamente para a tez morena. Tudo meio estranho (do outro lado era tudo muito claro, não como ali).
Ainda atordoado pela longa ‘viagem’, da passagem de um campo para o outro, parecia alegre de ver os outros em volta alegre (e não compreendia quem eram, e em pouco tempo começou a compreender quem eram os que estavam à sua volta). Pareciam comemorar a vida, que não é totalmente alegre, nem totalmente triste – é a vida (que não é tão simples assim).
Alguns (com o passar do tempo) murmuram que a vida é má – porém não se movem; outros a festejam – porém não compartilham como deveriam; outros, simplesmente a contemplam como ela é: ouvem, falam, admiram, celebram. Outros, ainda, apenas a veem passar, acontecer – e um de forma um tanto fugidia – e nada fazem.
Insatisfeitos – muitos – pulam para fora dela. Tropeçam, caem (ou, a atropelam). Ela nunca atropela… Ela é ela – a vida!
Nome dado (de forma imposta). Balbucios – os primeiros sons. Infância – das mais variadas possíveis! E a vida acontecendo hoje, aqui, agora! Com erros e acertos (mais um que o outro – aprendizado), com doenças e curas! É a garra da maioria: viver, viver, viver! (Ou, simplesmente: sobreviver!) Querendo – ou não – ela é assim: para uns de um jeito, para outros, de outro – e para muitos: incompreensível!
São situações sofredoras, vividas – pouco divertidas (ou quase). E a imaginação vai longe – mas não alcança o outro lado (o outro lado – de onde veio). Vive-se intensamente – mesmo que de forma dolorosa – vive-se o hoje, o aqui, o agora. (E sem demora porque o tempo não é amigo de ninguém!)
Não há o que fazer – apenas vive-se o hoje, o aqui, o agora.
São instantes que não seguirão para a tal eternidade (nem foram vindos de lá – é o hoje, o aqui, o agora). É uma viagem interestelar (talvez – quisera nós compreendermos como é!). Apenas um ‘cometa’ em passagem – e rápida, bem rápida, rapidíssima – por sinal! E não há modos de como a acompanhar.
Provavelmente – em breve (porque o tempo urge, não espera por ninguém) – não existirá mais – porque passou, assim como passa o vapor, a névoa – assim ela passa, assim a vida passa. Viva o hoje, o aqui, o agora! –
Prof. Me. Pedro César Alves

