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Fala de Dória causa incerteza em donos de academias de Araçatuba

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

O governador João Dória (PSDB) afirmou na tarde de ontem, em sua já tradicional entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, que não vai seguir o decreto do presidente Jair Bolsonaro e manterá fechadas as academias no decreto estadual de quarentena, que está em vigor desde 24 de março.

Em sua fala, o chefe do executivo paulista afirmou que não tem autorização de seu comitê de saúde para deixar as academias abertas. “O comitê de saúde e o secretário de Saúde do Estado de São Paulo nos indicam que ainda não temos condições sanitárias seguras para autorizar a abertura de academias, salões de beleza e barbearias neste momento”, afirmou Dória.

A fala do governador confronta com decreto publicado pela prefeitura de Araçatuba que permite a abertura de academias no município. Segundo o poder executivo municipal, desde que respeitem medidas recomendadas pelos órgãos de saúde como utilização de máscaras, álcool em gel, e limitação de pessoas sendo uma a cada 10 metros quadrados de área, os espaços poderão reabrir na cidade.

Nesta quarta-feira, primeiro dia após a publicação do decreto, várias academias da cidade seguiam fechadas, porém com os seus profissionais trabalhando na readequação do local para atender as normas do decreto municipal.

Alguns proprietários que conversaram com o jornal O LIBERAL, afirmaram que vão esperar a próxima segunda-feira para abrir, por conta desse impasse entre o decreto estadual e municipal. Outros já agilizaram os preparativos para começar o atendimento nesta quinta-feira.

Na Academia Corpo e Saúde, por exemplo, localizada no Toyokazu Kawata, em Araçatuba, a proprietária Fernanda Malafaia afirmou que abrirá a partir de hoje, quinta-feira, e utilizou a quarta para fazer as adequações necessárias no local. “Estou usando hoje para fazer as readequações, já tem muitos alunos me ligando, perguntando se vai abrir, muitos já com os planos prontos de trabalho, amanhã (hoje) às 6 da manhã eu já vou estar funcionando”, afirmou em conversa com a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL.

Fernanda Malafaia foi uma das líderes da manifestação que ocorreu há algumas semanas em frente ao paço municipal que pedia a reabertura das academias. Posteriormente, após pressão, ela e alguns outros proprietários foram recebidos pelo prefeito Dilador Borges (PSDB), que na oportunidade não atendeu ao pedido dos empresários.

Sobre as palavras do governador João Dória, que afirmou que manterá academias fechadas apesar do decreto federal que transformou este serviço em essencial, Fernanda afirmou que acha um desrespeito essa falta de sintonia entre os poderes, que tem deixado os empresários da área em dúvida. “Quem manda não somos nós, isso é um desrespeito, a gente se organiza, se prontifica a trabalhar dentro das normas… É briga de cachorro grande. Estamos torcendo para que as coisas andem, estão tirando nosso direito de trabalhar”, disse Fernanda, que é fisioterapeuta e concorda com a essencialidade do serviço prestado à saúde da população nas academias. “Eu tenho aluna me ligando me dizendo que não aguenta mais de dor nas costas, que quer voltar para a academia o quanto antes, e eu preciso atender essas pessoas”, concluiu.

Outro proprietário ouvido pela reportagem foi Alexandre Scatena, da CT 018, especializada em crossfit, localizada no bairro Novo Umuarama. Ele também usou o dia de ontem para adequações em sua academia. “A gente está recebendo os materiais dos alunos que estavam emprestados e estamos adequando a academia, só esperar a publicação certinha pra gente voltar”, disse, não deixando claro, porém, se já voltará a funcionar no dia de hoje, ou se aguardará a perduração do decreto municipal.

Usuários ficam ansiosos por reabertura

Enquanto isso, usuários de academias seguem ansiosos pela volta de suas atividades físicas. Apesar de grande parte deles terem mantido a prática de exercícios em casa, ou até mesmo nas ruas, alunos ouvidos pela reportagem são unânimes em dizer que um local como a academia faz toda a diferença por conta da estrutura e do foco.

A consultora de financiamentos Dayane Andrioli, de 32 anos, frequenta academias de musculação e artes marciais há mais de 10 anos e afirma que o local faz toda a diferença para ela em suas atividades físicas. “A atividade física pode ser realizada de diversas maneiras, porém, o ambiente em si da academia ajuda em vários fatores como, por exemplo, a motivação. De tudo que foi fechado nesse isolamento, academia foi o que mais me impactou”, afirmou.

Dayane afirmou que as atividades físicas praticadas na academia que frequenta lhe ajudam a melhorar dores na região lombar. “Tem me feito muita falta, eu tenho algumas questões na minha lombar, e a atividade física me ajuda no controle das dores, da postura. Eu estou ansiosa pra que volte, claro, tomando todas as medidas necessárias”, completou.

Antes da reabertura, estabelecimento faz sanitização do ambiente

Na Academia Corpo & Movimento, em Araçatuba, antes da reabertura, foi feito todo um processo de sanitização.

A medida, que vai ao encontro do que estabeleceu o decreto municipal para a reabertura, consiste num trabalho de combate a agentes patogênicos como bactérias, ácaros e fungos. Segundo especialistas, ação ajuda a frear a disseminação de doenças respiratórias.

Durante a tarde, técnicos foram à academia aplicar a substância sanitizante, ficando o local isolado enquanto o produto era aplicado.

“Fizemos este investimento por precaução e para passar mais segurança aos nossos alunos também”, disse a proprietária da academia, Aline Cacuri.

Ela ressaltou que preparou também um termo de responsabilidade no qual cada aluno terá que assinar, com as orientações do decreto municipal.

As orientações também estão expostas por toda a academia em lugares estratégicos de visualização. (ARNON GOMES)


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