Diego Fernandes – Araçatuba
O início do ano letivos nas faculdades da região de Araçatuba foi o principal responsável pelo aumento no índice de locação de imóveis na região. Esta é a visão do presidente do CreciSP, Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, José Augusto Viana Neto, em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL.
De acordo com dados do CreciSP, no mês de janeiro, houve um crescimento de 107,95% no índice de locações de imóveis na região de Araçatuba.
“Esse crescimento nesse período do ano é muito interessante porque temos os estudantes nas faculdades e é uma região que tem a presença muito forte dos alunos e com isso dá toda essa movimentação na locação”, afirmou Viana Neto.
A faixa de preço de locação de preferência dos inquilinos de casas na região de Araçatuba ficou em até R$ 1.000,00, para imóveis de 2 dormitórios com 51 a 200 m² de área útil.
O valor de aluguel de apartamentos ficou em até R$ 1.750,00; para imóveis com 2 dormitórios e área útil de 51 até 200 m².
A preferência entre os locatários foi para o aluguel de casas, que representaram 78% dos negócios, enquanto os apartamentos ficaram com os outros 22%.
A garantia locatícia escolhida pelos locatários foi o fiador (31,7%). Os novos inquilinos optaram por imóveis situados na periferia das cidades pesquisadas (35,6%), nos bairros nobres (23,7%) e na região central (40,7%).
E daqueles que encerraram os contratos de locação, 13,2% se mudaram para imóveis mais caros e 60,4% mais baratos e 26,4% não informaram o motivo da mudança.
Vendas
As vendas também registraram aumento de 45,24% nos negócios na região de Araçatuba, segundo dados do CreciSP.
Neste caso, a procura por casas foi ainda maior do que nas locações, com 91% dos compradores preferindo casas ao invés de apartamentos.
De acordo com Viana Neto, esta preferência é reflexo do período de pandemia, onde as pessoas acabaram escolhendo casas para passar os períodos mais restritos e preferiram este tipo de imóvel.
“A preferência por casas foi um fenômeno que ocorreu lá no começo da pandemia, quando teve home office. As pessoas saíram de apartamentos e foram para as casas na busca de maior conforto e liberdade. Uma vez que teria que ficar no lockdown, melhor ficar em uma casa do que em um apartamento. E me parece que houve uma descoberta por parte das pessoas que as casas têm uma condição de vida muito melhor do que um apartamento, evidentemente. Por isso as casas têm tido esta preferência”, explicou Viana Neto.
A maioria das casas vendidas no período tinha valores até R$ 200 mil. Eram casas de 2 dormitórios, com área útil variando de 51 a 100 m².
Para os apartamentos, a faixa de preço preferida dos compradores ficou em até R$ 700 mil, para imóveis de 3 dormitórios e área útil de 51 até 100 m².
37,9% das propriedades vendidas em Janeiro estavam situadas na periferia, 31% nas áreas centrais e 31% nas áreas nobres.
Com relação às modalidades de venda, 36,1% foram financiadas pela Caixa Econômica Federal e 29,5% por outros bancos, 11,5% dos negócios foram fechados à vista e 13,1% parcelados diretamente pelos proprietários e 9,8% por consórcios.
A pesquisa do CreciSP foi feita com 16 imobiliárias dos municípios de Araçatuba, Birigui, Penápolis, Promissão, Auriflama, Castilho, Ilha Solteira e Jales.
Projeção
De acordo com o presidente do CreciSP, os números de janeiro na região só aumentam o otimismo do setor imobiliário para o crescimento dos negócios neste ano.
Ele acredita que dois fatores que frearam o maior crescimento no ano passado já não estão mais presentes, como as eleições e alta da inflação acima da média.
“Nós temos uma expectativa de negócios para esse ano de 2023 muito positiva. Acreditamos em um movimento superior a 2022. O emprego continua subindo, isso acaba colocando um número grande de pessoas com acesso a crédito imobiliário. Na taxa de juros aumento não haverá. Não há capacidade para tal. Os bancos mantiveram as taxas bem abaixo da Selic. A Selic está acima de 13% e os juros se consegue na faixa de 8% ou 8,5% aproximadamente, e a tendência é baixar, em especial em meados do segundo semestre”, completou José Augusto Viana Neto (Com informações do CreciSP).

