Da Redação – Araçatuba
O Juízo da 1ª Zona Eleitoral do Estado de São Paulo aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo contra ex-vereador de Araçatuba Antônio Edwaldo Dunga Costa e outros envolvidos por crimes relacionados à promoção e ao financiamento de organização criminosa e corrupção eleitoral. A acusação formal é fruto de atuação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e o Ministério Público Eleitoral.
Investigação conduzida no âmbito de Procedimento Investigatório Criminal instaurado pelo GAECO inicialmente apurava a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas no bairro São José, em Araçatuba.
Durante as diligências, incluindo interceptações telefônicas e outras medidas cautelares autorizadas judicialmente, foi identificado um núcleo político que se valia da estrutura de grupos criminosos para obtenção ilícita de votos.
Segundo o Ministério Público, o então vereador promovia e financiava a organização criminosa conhecida como Esquina Maluca, grupo associado a integrantes da facção criminosa PCC, que atuava no controle territorial do tráfico de drogas na região do São José.
Em troca do apoio eleitoral, havia promessa e concessão de vantagens indevidas, como intervenções administrativas, auxílio financeiro, custeio de advogados para integrantes do grupo criminoso e facilitação de acesso a serviços públicos.
As investigações apontam ainda que a estrutura ilícita era utilizada para mobilizar eleitores e captar votos, especialmente entre moradores de áreas socialmente vulneráveis e indivíduos ligados ao crime organizado. Isso comprometia a liberdade, a legitimidade e a normalidade do processo eleitoral no município.
Além do ex-vereador, também foram denunciados um assessor político e um motorista que, segundo a investigação, atuavam diretamente na articulação entre o núcleo político e integrantes da organização criminosa, participando da captação ilícita de votos e da distribuição de vantagens indevidas.
O Ministério Público destacou na acusação formal que a gravidade das condutas demonstra desprezo pelas instituições democráticas e pelo regime eleitoral, uma vez que houve a utilização de estruturas do crime organizado para influenciar o resultado do processo político local.
Prisão
Dunga chegou a ser preso em setembro de 2024, durante a Operação Ligações Perigosas, promovida pelo Gaec, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público, e também pelas polícias Militar e Civil.
Na oportunidade, ele acabou sendo preso por posse ilegal de arma de fogo e foi solto na audiência de custódia no dia seguinte.
A operação policial ocorreu contra a infiltração do PCC na política local.
Houve mandados cumpridos na casa, no antigo gabinete do vereador na Câmara e na sede da Aipesp, a Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo, comandada por ele.
Os policiais encontraram na casa do vereador, o valor de R$ 26 mil em dinheiro, além de uma arma que estava com numeração raspada. Com isso, Dunga foi preso em flagrante e foi levado para prestar depoimento na Polícia, tendo de passar por audiência de custódia, sendo solto no dia seguinte.
Outro lado
A reportagem tentou contato com o ex-vereador, não obteve resultado, porém, o parlamentar se pronunciou em uma rede social e falou sobre o caso. Ele disse que o fato foi “criado sobre aqueles que trabalham diretamente para o povo” e disse ter sido inocentado no caso da prisão por porte ilegal de arma.
“Eu estranho, porque no dia 3 de outubro, a posse de arma, até isso, pegaram minha arma, eu tenho posse permanente, o resto da minha vida, tenho documento de todas. Isso foi arquivado no dia 3 de outubro e criminalmente eu não fui ouvido até hoje e nada. Agora, como é juiz eleitoral, criaram mais esse dilema. Estranhamente em São Paulo, é mais um fato criado sobre aqueles que trabalham diretamente para o povo, você entendeu!? Isso daí se for feita a denúncia e o juiz aceitar, vai ser provado nos autos que é uma farsa, é uma mentira, é o resultado daqueles que tentam chegar ao poder com fake news, e infelizmente, jornal e matéria aceita tudo antes de apurar o fato e vive disso”, afirmou o ex-vereador.



