Da Redação – Araçatuba
A ex-Secretária de Saúde de Araçatuba, Carmen Silvia Guariente, não resistiu à pressão popular e à crise no setor de saúde de Bragança Paulista (SP), cidade que fica a 87 km da Capital Paulista, e pediu para deixar o cargo de comandante da Pasta de Saúde naquele município.
Carmem Guariente assumiu a Secretaria de Saúde de Bragança Paulista no dia 14 de janeiro de 2025, apenas 14 dias de deixar o cargo de Secretária da mesma pasta em Araçatuba, no governo do ex-Prefeito Dilador Borges (PSD).
Ela foi exonerada, a pedido, pelo Prefeito de Bragança, Edmir Chedid (Republicanos), no último dia 23 de julho, de acordo com o Diário Oficial daquele município. Thais Miana, secretária de Assuntos Jurídicos, passou a acumular a pasta em seu lugar de forma interina.
A saída de Carmem acontece em meio a uma crise considerada sem precedentes na saúde de Bragança. De acordo com informações da imprensa local, a rede de saúde municipal tem sofrido com filas para consultas, exames e cirurgias; dificuldade de acesso a especialidades médicas; superlotação dos serviços de urgência e emergência; relatos de pacientes aguardando atendimento, transferência ou internação em macas nos corredores dos hospitais; sobrecarga do pronto atendimento, em especial das UPAs; e crise na administração do SAMU Regional, entre outras questões.
Ainda segundo informações da imprensa local, a APSIBRAP, Associação de Psicólogos de Bragança Paulista, apresentou ao Conselho Municipal de Saúde de Bragança e à Secretaria de Saúde questionamentos sobre os problemas apresentados na Atenção Básica na cidade.
Segundo o órgão, houve denúncias públicas e manifestações de insatisfação popular nos últimos meses em redes sociais e veículos locais de comunicação sobre diversos pontos, entre eles: demora prolongada para exames, consultas especializadas e procedimentos cirúrgicos; dificuldade de acesso a especialidades médicas; insatisfação popular com a chamada “fila da saúde”; relatos de pacientes aguardando atendimento, transferência ou internação em macas nos corredores dos hospitais; sobrecarga do pronto atendimento, em especial das UPAs; preocupação com a transição administrativa do SAMU Regional; dificuldades de atendimento em situações de crise em saúde mental; demandas reprimidas em saúde mental, psiquiatria, psicologia e atenção psicossocial infantojuvenil.
“Tais manifestações constituem importante sinal de alerta social e devem ser consideradas pelo Conselho Municipal de Saúde como expressão legítima de sofrimento, insatisfação e possível falha de acesso da população ao cuidado em saúde. Quando relatos se tornam recorrentes, públicos e convergentes, cabe ao controle social solicitar esclarecimentos, dados objetivos e providências institucionais”, alerta a entidade.
Problema repetido
A situação vivida pela agora ex-Secretária de Saúde de Bragança é parecida com a que ela própria comandou em Araçatuba, durante a gestão do ex-Prefeito Dilador Borges.
Na época, problemas como a compra de carros durante a pandemia com dinheiro enviado para o tratamento da covid-19; péssimo atendimento no pronto-socorro, que chegou a registrar 136 mortes em 20 meses no seu último ano de gestão no período de julho de 2022 a fevereiro de 2024; além da falta de atendimentos de especialistas em UBSs e a demora para a realização de cirurgias eletivas, eram questões igualmente reclamadas e debatidas pela população.
Na época, uma CPI da Saúde foi proposta na Câmara e somente aberta após pressão popular em plenário, mas que efetivamente só foi se concretizar neste ano.
Além disso, o contrato com a O.S. Mahatma Gandhi, para prestação de serviço em Unidades de Saúde, organização com suspeita de desvios bilionários em diversas partes do país, esteve em vigor em Araçatuba durante sua gestão na pasta de saúde.

