Ex-ministro defende a liberdade econômica e o fim de subsídios em todos os setores

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Araçatuba recebeu, na noite da última sexta-feira, o empresário Antonio Cabrera Mano Filho. Ministro da Agricultura durante o governo Fernando Collor (1990-92), ele ministrou palestra no Ilan (Instituto Liberal da Alta Noroeste) sobre o tema “O fim do subsídio agrícola e o liberalismo”. Em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL, ele defendeu o fim de subsídios governamentais não só no campo, mas em todos o setores, de modo que melhore a competitividade do Brasil no mercado internacional. Nesta entrevista, ele também avalia positivamente medidas colocadas em prática pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no setor.

Qual a relação do liberalismo com o fim subsídio agrícola com o liberalismo?

De uma maneira geral, não só por causa do sistema político, todo brasileiro deveria defender o fim do subsídio em todas as áreas, principalmente na agricultura. Porque quando se defende subsídios, significa que todo mundo deverá ter subsídios. E se o subsídio for uma regra generalizada, significa que nós não teremos uma competição justa no mercado internacional. Ou seja, ao invés de nós disputarmos mercado com o agricultor europeu, nós vamos disputar com o tesouro europeu. Daí, vamos perder, porque temos dificuldades. O Brasil ainda é um país pobre. Não tem o tesouro daqueles países ricos. Então, nessa guerra do tesouro contra o tesouro, nós perdemos. Por isso, temos que fazer essa defesa do mercado livre, da justa competição, porque o agricultor brasileiro é muito mais eficiente do que o agricultor europeu e o agricultor americano. Ou até mesmo, australiano.

O fim dos subsídios traria, então, vantagens para o agricultor?

Sem subsídios, o agricultor brasileiro é basicamente imbatível. Ninguém no mundo consegue produzir uma proteína animal ou vegetal a um custo tão barato como o agricultor brasileiro. Então, na realidade, se a Europa quer ajudar os países mais pobres, não apenas o Brasil, mas os africanos, a melhor maneira é que abra os seus mercados para que os agricultores possam desenvolver uma atividade econômica e que, através de seu próprio trabalho, tenham renda. Senão, fica como na África, recebendo essas ajudas humanitárias e sem chegar a lugar nenhum. Por isso, se defendermos o subsídio em larga escala, essa competição não será justa para o agricultor brasileiro.

Como define a liberdade econômica?

Associado a esse fim do subsídio, uma coisa que o Brasil tem de buscar é a liberdade econômica. Independentemente de questão ideológica, liberdade econômica é a capacidade que se tem de empreender, de inovar, de modo que não se tenha essa dependência do Estado que hoje grande parte da população ainda tem. A inovação e o empreendedorismo não são características do Estado, são do indivíduo, do cidadão… A solução não está no governo. Está no agricultor, no pequeno empresário. Quando falo de liberdade econômica, é justamente para os pequenos, aquele que quer abrir uma pastelaria, uma borracharia, uma sapataria, um salão de beleza, coisa desse tipo. E hoje essas pessoas têm uma dificuldade imensa. O trâmite é altamente burocrático. Precisam de uma licença, de um regulamento, de um decreto. Então, a pessoa vai para a informalidade e acaba não inovando, não montando seu próprio negócio.

Como tem visto as políticas adotadas pelo novo governo brasileiro para a agricultura?

De uma maneira geral, apesar das dificuldades políticas, desses desencontros, como bússola, o Brasil mudou e está na direção certa. Ninguém pode negar que tivemos uma mudança de rumo com o novo governo. Por exemplo, ele (o presidente Jair Bolsonaro) fez a Medida Provisória da liberdade econômica. Isso já facilitou um pouco. E não estou fazendo juízo de uma questão política. Estou analisando apenas medidas que ele tem adotado. Teve a coragem de mandar uma reforma da previdência. Ninguém, nos últimos anos, mandou isso para o Congresso Nacional. Uma das melhores notícias que a gente espera é aprovação dessa reforma. Isso, para que depois possamos ter aprovada a reforma tributária e uma reforma administrativa, de modo que possamos diminuir o tamanho dessa máquina pública que hoje não cabe. De uma maneira geral, o governo tem tomado boas medidas. Pode ser que não seja na velocidade que a gente gostaria, mas o rumo do país está na direção certa.

 


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