ESTUDOS - Unesp de Ilha Solteira mantém estações em várias cidades da região para monitorar o clima DIVULGAÇÃO UNESP

Especialista alerta para a queda no volume de chuva e a necessidade de planejamento

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

O professor doutor Fernando Braz Tangerino Hernandez, professor titular da Área de Hidráulica e Irrigação da Unesp Ilha Solteira, um dos mais conceituados estudiosos e especialistas do setor no país, distribuiu nessa semana um artigo técnico com o título “Sem as águas de março, só com planejamento e investimentos”. No artigo, Fernando Tangerino chama a atenção para a queda no volume de chuvas e alerta para as consequências para o setor produtivo.

“Março se foi e as “Águas de março fechando o verão” como imortalizou o poeta, não vieram como gostaríamos, ao menos na região Noroeste Paulista e que usaremos como exemplo, e a “promessa de vida no teu coração” ficou comprometida. Está faltando precocemente o verde aos campos”, escreveu o especialista referindo-se à música “Águas de Março”, de Tom Jobim e imortalizada na voz de Elis Regina e de outros nomes da música brasileira.

“Nesta região do Estado de São Paulo, assim como em muitas outras, as chuvas, se já não seriam regulares ou bem distribuídas ao longo do ano, estão cada vez mais escassas, no volume e na distribuição da frequência. Por aqui, a Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista operada pela Unesp aponta um volume histórico de 1.196 mm anuais. Em 2019, choveu 1.041 mm (-13%). Em 2020, a chuva radicalizou e na média da região, somou apenas 731 mm, ou menos 39% do esperado, comprometendo não somente a produtividade das lavouras de sequeiro, mas a recomposição do lençol freático e dos reservatórios de água para os diferentes usos, incluindo o abastecimento dos sistemas de irrigação, muitos comprometidos no segundo semestre”, acrescentou Fernando Tangerino.

Os números mostrados nos estudos do especialista apontam que janeiro de 2021 veio com menos 27% de chuva, fevereiro com menos 46% e em março, as chuvas da primeira semana estimulavam a pensar que seriam abundantes, mas não foi o que aconteceu. Choveu 35% a menos do que era esperado. “Sabe a história do copo meio cheio ou meio vazio? O otimista desavisado poderia dizer que menos 35% é melhor que o menos 72% de março do ano passado, mas com água, fonte de vida, não cabe este raciocínio”, explica.

“Nos três primeiros meses de 2021 registrou-se a média de 333 mm, ante aos 514 mm esperados, ou seja, há um déficit médio de 35% sobre a nossa expectativa. Esta situação de déficit hídrico antecipado, contrariando o balanço hídrico normal que é feito para planejar os investimentos em uma região, comprometeu o desenvolvimento das pastagens e da cana, que começa sua safra já com produtividade abaixo do previsto, com tendência de agravar a situação”, analisa o especialista.

Segundo Fernando Tangerino, “esta situação de déficit hídrico antecipado exige investimentos em sistemas de irrigação como meio de garantir a sustentabilidade do negócio de produzir alimentos e energia e também de planejamento mais recorrente em estruturas de armazenamento e conservação da água na bacia hidrográfica, incluindo técnicas de manejo da água a ser aplicada, segundo a real demanda das diferentes culturas”. “A palavra evapotranspiração deve ser melhor entendida e compreendida não somente pelos Irrigantes”.

Embora o artigo técnico tem foco na produção rural, o estudo do professor Tangerino serve para outras atividades que dependem da água. As concessionárias de abastecimento precisam trabalhar com um cenário de menos oferta de água. Com isso, é preciso pensar em ações para estimular o consumo racional.

“É incrível que, mesmo diante desta situação de instabilidade das chuvas, com média histórica de 93 dias consecutivos sem chuvas, enquanto a discussão predominante entre os produtores de alimentos deveria ser sobre qual o sistema mais adequado e qual a lâmina de projeto, ou a capacidade do sistema, combinando CAPEX e OPEX, ainda há muitos que se mantêm céticos em relação aos sistemas de irrigação. E diante daqueles que insistem em dizer, “mas é caro né…”, melhor ter em mente não apenas quanto será o investimento. Mas sim, quanto se pode lucrar com a segurança hídrica garantida pelos sistemas de irrigação. É tempo de pensar também no custo da “não irrigação”, ou seja, não somente no acréscimo produtivo, mas também, em quanto se perde por acreditar na chuva que não veio e não alcançar a produtividade prevista”, finalizou.


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