Diego Fernandes – Araçatuba
O candidato a presidência da República, Augusto Cury (Avante), afirmou, durante visita a Araçatuba, que pretende incentivar o agronegócio para aumentar a produção de alimentos, diz que tem confiança que vai chegar ao segundo turno e afirmou que pretende trabalhar para diminuir a taxa de juros para enfrentar o endividamento das famílias, além de fazer elogios e defender mudanças no Bolsa Família.
Ele esteve em Araçatuba participando de uma carreata e do lançamento da candidatura de Cido Saraiva a deputado federal, além de cumprimentar eleitores no Centro.
Cury, que se candidata pela primeira vez à presidência, afirmou em entrevistas concedidas à imprensa, que o Brasil poderá passar por uma escassez de alimentos nos próximos anos, e por isso pretende incentivar a produção agropecuária no país e na região de Araçatuba.
“Vamos precisar de 60% a 70% a mais de alimentos daqui há 25 anos, e vai ser uma catástrofe sem precedentes, nós precisaremos de 5 a 6 brasis, então nós temos que, urgente, dobrar o agro. No Brasil, os agricultores têm lucrativo de entre 5% a 7% no máximo e pagam 20% ao ano de custeio. É urgente abraçar o agro, sem o agro esse Brasil não seria tão pujante”, disse.
Cury também falou sobre a representação de Araçatuba neste setor.
“Araçatuba representa uma das áreas de maior crescimento, maior pujança na agroindústria”, comentou.
Um dos grandes problemas do país na opinião do candidato é a alta taxa de juros, a taxa Selic, que está em 14%, que tem afogado os empreendedores e causado o endividamento das famílias, segundo ele.
“Nós temos que ter responsabilidade fiscal urgente, gastar muito menos do que arrecadamos, para que essa taxa Selic de 14% possa baixar em um ano, quem sabe, a 6% ou 7%. E a cada 1% que abaixa a taxa Selic nós economizamos R$ 100 bilhões de reais”, afirmou.
Augusto Cury também falou sobre um problema que, segundo ele, deverá ocorrer quando entrar em vigor a reforma tributária no ano que vem. Ele diz que pequenos empreendedores podem ficar sem capital de giro com a mudança de cobrança do imposto.
“Provavelmente o IBS, que vai começar a ser escalonado ano que vem, vai prejudicar muito a micro e pequena empresa, porque ele retira na hora todo o tributo. Claro que vai ser escalonado, mas vai chegar a um ponto que uma pessoa que vende um salgado, uma bicicleta, já vai descontar na hora. Aí aquilo que eles usavam como capital de giro e só pagava depois de um ou dois meses, pode ser um caos. Precisamos rever isso para não ter problemas para microempresas que já estão completamente afogadas”, disse.
Ao falar sobre educação, Augusto Cury, que é escritor e autor de diversos best-sellers da literatura, foi sucinto e disse que o país precisa formar mais pensadores.
“Queremos reformar a educação, porque do jeito que está estamos formando repetidores de informação e não pensadores”, afirmou.
Bolsa Família
Augusto Cury também afirmou que pretende manter o Bolsa Família, caso seja eleito presidente, elogiou o programa, mas defendeu ajustes.
“O Bolsa Família é importante, mas nós temos que ajustá-lo. Eu passei pela pobreza também. Eu sei o que é a dor. O Bolsa Família tem que ser ajustado, quem assina a carteira não perde o benefício, pelo menos por um certo tempo, ou quem faz uma MEI, por um certo tempo até se adaptar. Todo ser humano merece ser abraçado, merece sonhar com carro, casa, férias e qualidade de vida. A dor deles é mais importante que um cargo público”, afirmou.
2º turno
Cury demonstrou confiança na sua chegada ao segundo turno e exaltou seu crescimento nas intenções de votos nas últimas pesquisas. O candidato do Avante não ficou em cima do muro e afirmou que quer ir para o segundo turno contra o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).
“Nós vamos estar no segundo turno, e espero que meu adversário no segundo turno seja o Lula da Silva, porque quero olhar nos olhos dele e perguntar porque está havendo uma quebradeira geral no comércio, na agricultura e o porquê 82% das famílias estão endividadas”, disse. “O Lula não é o meu inimigo, ele é meu adversário. Está errado um monte de coisas e que o Brasil não melhorou na administração dele”, seguiu.
Em parte de seu discurso e também nas entrevistas, Augusto Cury defender a “pacificação do país”.
“Eu não preciso do dinheiro e nem do prestígio da política, e quero pacificar o país. Não é possível mais viver em um país polarizado e radicalizado, onde duas famílias acham que são donas do país. O país tem 210 milhões de brasileiros. Furar essa bolha é um desafio, eles gastam dezenas de milhões de reais por mês para impulsionar nas redes sociais, nós gastamos pouco mais de R$ 50 mil. Não é Davi contra Golias, é Davi contra um exército de Golias, mas nós vamos vencer porque o povo brasileiro merece paz”, afirmou.

