foto: MARCELO SOUBHIA/AG/FOTOSITE

Em Araçatuba e região, a indústria também é pop

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Rafael Cervone

Em Araçatuba, um dos polos pecuários mais importantes do País, a indústria, cujo dia celebramos neste 25 de maio, também ocupa posição de
destaque. A Diretoria Regional do CIESP, com sede na cidade, abrange 34 municípios, nos quais funcionam 1.700 fábricas, principalmente de
produtos agroindustriais, calçados e vestuário. Esse parque produtivo, muito importante para os 670 mil habitantes da Alta Noroeste, é um bom
exemplo do significado da atividade, que é geradora intensiva de empregos, paga os melhores salários, desenvolve tecnologia e inovação e
fabrica produtos e bens de alto valor agregado. Portanto, precisamos trabalhar muito para seu fomento na região, no Estado de São Paulo e no
Brasil.
A agenda de fortalecimento e resgate da competitividade da indústria é muito relevante para o País, pois as nações que conseguiram dobrar sua
renda média num período de apenas 15 anos foram aquelas que elevaram a participação do setor a um patamar acima de 20% do PIB. Por isso,
precisamos vencer as barreiras que continuam dificultando seu avanço, como o atraso do marco legal, insegurança jurídica, burocracia, impostos
exagerados, baixa disponibilidade de crédito e todos os fatores referentes ao chamado “Custo Brasil”.
Não podemos mais perder tempo. Na década recém-terminada, de 2011 a 2020, o mundo cresceu 30% e o Brasil, apenas 3%. Por isso, teremos de
realizar em plena crise da Covid-19 o que negligenciamos há muitos anos, a começar pelas reformas estruturais, principalmente a tributária e
administrativa, e adoção de uma eficaz política industrial, para que o setor tracione o desenvolvimento nacional.
Os números são incontestáveis quanto ao significado da indústria: apesar de representar 11% do PIB, responde por mais da metade das exportações
de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais, 25% do total nacional de impostos e 31,2% da
arrecadação previdenciária patronal; emprega 20,4% dos trabalhadores brasileiros; e é a atividade que mais promove a difusão de tecnologia e
produtividade, segundo dados do IBGE.
Porém, o setor enfrenta grave perda de competitividade. Estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC) revelou que produzir no Brasil custa
anualmente R$ 1,5 trilhão a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Precisamos reagir de imediato, inclusive mobilizando as empresas, por meio de nossas entidades de classe no Estado de São Paulo – o CIESP e a FIESP –, para influenciar a modernização das leis que regem a economia e a adoção de uma política industrial eficaz e duradoura. Isso é decisivo para o Brasil crescer de modo sustentável, promover aumento e melhor distribuição da renda e alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento. Também é fundamental capacitar os recursos humanos atuais e as futuras gerações para as mudanças em curso e o advento da inteligência artificial, internet das coisas, mobotização, machine learning e digitalização da economia, cujo advento foi acelerado pela pandemia.
Nesse aspecto, a educação, ainda precária no Brasil, tem missão relevante, fator que demonstra o significado do Sesi-SP e do Senai-SP,
vinculados à FIESP, exemplos de excelência no ensino, que prestam serviços inestimáveis aos industriários, suas famílias e a toda a
sociedade.
Os desafios são muitos. Porém, como se observa em Araçatuba e região, os industriais são resilientes, capazes de superar adversidades e têm
demonstrado muita competência para manter suas empresas vivas e gerar empregos em cenários desfavoráveis. Por isso, apesar das dificuldades
atuais e da grave crise relativa à pandemia, comemoramos este Dia da Indústria com esperança e a certeza de que o setor será protagonista de
um novo e próspero Brasil.

*Rafael Cervone é vice-presidente da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das
Indústrias do Estado de São Paulo).


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