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terça-feira, maio 17, 2022

ELEITORADO JOVEM NAS MAIORES CIDADES DA REGIÃO CAI MAIS DO QUE NO BRASIL

“Sempre escutei adultos dizerem que o adolescente é o futuro do Brasil, mas eu acredito que já podemos ser a diferença no presente, atuando, mesmo que jovem, como cidadã”.

Foi com esse ideal que a estudante Ana Beatriz Rodrigues Vitro, de 17 anos, quis fazer parte de uma minoria na eleição deste ano: o grupo de jovens que, mesmo desobrigado, vai votar em 2018.

Levantamento feito pela reportagem, com base nas estatísticas do eleitorado divulgada na semana passada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), aponta que o número de eleitores de 16 ou 17 anos, cuja participação no pleito é facultativa, caiu 36,3% nos quatros maiores colégios eleitorais da região: Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina.

Juntos, estes municípios somam 1.403 votantes nessa faixa etária. Em 2014, última vez em que a população foi às urnas eleger presidente, eles estavam em 2.203. A queda nesse quantitativo, considerado por estudiosos um instrumento avaliativo do interesse do jovem pela política, supera a redução registrada em nível nacional. No Brasil, a quantidade de eleitores jovens caiu 14,53% – há quatro anos, eles eram 1.638.751; neste, 1.400.617. O número atual equivale a 0,95% do eleitorado brasileiro, atualmente, em 147.302.354 pessoas.

Estudante terceiro ano do ensino médio da Etec (Escola Técnica Estadual) de Araçatuba, Ana Beatriz tirou o título neste ano. A jovem, que acompanha a política brasileira, defende a necessidade de uma mudança drástica para políticos e eleitores para que o Brasil possa avançar. “Infelizmente, em um país que tem potencial para ser de primeiro mundo, a politicagem tem sido evidente”, afirma. “Acredito que a mudança deve ser drástica, tanto para os políticos, com novas leis que inibem seus privilégios, principalmente judiciais, e para nós, cidadãos também, valorizando nosso voto e entendendo a importância de cada um para o avanço do país”, reflete.

DADOS
Nos municípios pesquisados por O LIBERAL, a redução pôde ser constatada em proporções semelhantes. Hoje, em Araçatuba, os 497 eleitores de 16 e 17 anos representam 0,34% do total de pessoas aptas a votar; em 2014, esse número estava em 823, representando 0,58% da totalidade.

Já em Birigui, há quatro anos, os jovens votantes chegavam a 727 pessoas, o equivalente a quase 1% do eleitorado local. Neste ano, eles somam 510, correspondendo a 0,59%.

Cidades de porte populacional quase semelhante, cada uma com pouco mais de 60 mil moradores, Penápolis e Andradina vivem realidade parecida no quesito eleitorado jovem também. Em ambos os municípios, em 2014, aqueles que foram votar pela primeira vez sem serem obrigados representavam 0,72% do total de eleitores, sendo Andradina com 321 jovens e Penápolis, 332. Quatro anos depois, o número exato é de 214 em Andradina, o equivalente a 0,48% do universo votante, enquanto em Penápolis, 182 (0,39%).

 

Apesar da queda, jovens estão mais atentos a ‘causas políticas’, avalia professor

Os números podem mostrar que a participação jovem será pouco expressiva, mas isso não significa que garotos e garotas prestes a chegarem à maioridade não estejam por fora de questões políticas.

A ponderação é feita pelo professor de Filosofia e Sociologia em Araçatuba Wilian Leite, que tem feito debates sobre política e o futuro do Brasil com seus alunos. Diz ele: “Se há um desinteresse dos jovens mais pobres com relação à política, há também um sensível despertar para causas políticas principalmente da classe média, coisa que não vejo com a mesma ênfase nas regiões mais pobres de Araçatuba”.

De acordo com ele, a polarização política trouxe, através do conflito de ideias, uma busca por legitimação de conceitos e valores. “Isso jogou muitos jovens a buscar e dialogar com a política, apesar de grande parte destes ter caído no colo do senso comum quando o assunto é pensar político”, completa.

Sendo baixa ou não a participação deles, o que os jovens querem na política é mudança. “Sempre me pergunto sobre isso”, diz o estudante do terceiro ano do ensino médio Breno Luiz Cordeiro dos Reis Santos, 17.

“Mas acho que o que realmente precisa mudar é a administração do País, não só os políticos, mas também a forma com a qual eles administram”, afirma Breno, que é um dos 19 eleitores com idade entre 16 e 17 anos da pequena Gabriel Monteiro, município de pouco mais de 2,5 mil habitantes na região.

REDUÇÃO
Confira o número de eleitores entre 16 e 17 anos nos quatro maiores municípios da região em 2014 e em 2018:

Cidades – 2014   –   2018

Araçatuba – 823   –    497

Birigui – 727    –   510

Penápolis – 332   –   182

Andradina – 321   –   214

Total –  2.203  –   1.403

 

Fonte: TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Da Redação

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