Da Redação – Araçatuba
Há dois dias das eleições presidenciais, que acontecem no próximo domingo, dia 25 de outubro, o consultor estratégico de pesquisas e campanhas eleitorais, Pedro Cézar Coelho, prevê que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, será o novo presidente do Brasil.
O consultor Pedro Cézar mora atualmente na Paraíba e conversou com a reportagem através do aplicativo de mensagens WhatsApp. Apesar disso, ele tem ligação com Araçatuba por já ter representado a cidade sendo integrante do time de handebol local.

Através de um trabalho de análise das últimas dez pesquisas eleitorais divulgadas durante o período do segundo turno pelos principais institutos de pesquisa, o consultor prevê que Flávio deve ter uma vantagem entre 1 milhão e 5 milhões de votos, aproximadamente.
Pedro Cézar Coelho destaca que faz esse trabalho de análise de pesquisas há duas décadas e conseguiu indicar a vitória nas eleições de Jair Bolsonaro em 2018 e de Lula em 2022 algum tempo antes do pleito, realizando análises das pesquisas e seus métodos. Ele também defende a maior parte dos institutos de pesquisa e seus diferentes formatos e metodologias.
Os trabalhos de análise de Pedro Cézar Coelho têm sido divulgados em seu perfil no instagram @politicacomoprofessor
Análise
Analisando números de pesquisas importantes já divulgadas no segundo turno, o analista aponta que no cenário mais favorável para o candidato petista Lula, ele ainda perderia por algo próximo de 1 milhão de votos de Flávio Bolsonaro.
Neste cenário, Lula figuraria com o melhor cenário de migração de votos de outros candidatos e de indecisos em relação a Flávio, que ainda assim terminaria na frente.
“Trouxemos uma frente no melhor cenário pró-Lula, e nelas Lula teria a maior parte da migração possível, bem como a margem de erro mais estreita, e ainda assim ele perderia com algo em torno de 1 milhão de votos, isso dentro de um cenário mais positivo pró-Lula, com a margem de erro favorecendo ele e a maior parte da migração dos votos indecisos”, disse.
Já no cenário com maior migração de votos para Flávio Bolsonaro apontado pelas pesquisas, o candidato liberal poderia ficar com até 5 milhões de votos de frente em relação ao oponente.
“Em um cenário pró-Flávio seria algo em torno de 5 milhões de votos. Mas em uma distribuição proporcional em modelos estatísticos, que é o que comumente as pessoas usam, ele teria algo entre 51,5% de previsão, cerca de 3,8 milhões de votos de diferença”, afirmou.
Ainda houve uma terceira análise, com uma projeção de migração de votos mais dentro de uma média, com uma diferença um pouco menor a favor de Flávio.
“Em uma outra frente nós analisamos dentro de uma migração normal, uma margem que não vão para os extremos, mas sim para o centro, e aí, nessa perspectiva, Lula teria uma derrota de algo em torno, mesmo com a migração maior de indecisos para ele, em torno de 2,1 milhões mais ou menos”, completou.


Resultados satisfatórios
Para Pedro Cézar, as pesquisas eleitorais, ao contrário do que muitos pensam, tem apresentado resultados satisfatórios e com diferenças em relação ao resultado que estão dentro de suas margens de erro.
O analista explica que alguns institutos estão modernizando seu sistema de pesquisas por telefone através de um software e isso tem aumentado a precisão de resultados.
“A gente tem tido uma quantidade maior de metodologias nos últimos 10 ou 15 anos em que as pesquisas presenciais são mais confiáveis, porque você tem um maior controle amostral. Aí surgiram as pesquisas por telefone e em 2018 ganharam maior evidência, eles sofriam um pouco mais, tinham uma dificuldade maior. Em 2022 já houve um avanço, um melhoramento do banco de dados, e depois das pesquisas por telefone com humanos, agora tem o sistema CATI informatizado e tem trazido uma outra linha”, disse.
Pedro Cézar Coelho destaca que, no primeiro turno, as pesquisas por telefone tiveram um resultado mais assertivo devido a um banco de dados mais apurado.
“Não existe o modelo ideal, cada um tem suas características positivas e negativas. O que a gente viu acontecer foi que as pesquisas mais assertivas usaram a coleta por telefone, e talvez o melhoramento dos bancos de dados tenha feito com que a coleta amostrar seja de maior qualidade. Tanto as pesquisas presenciais, como as pesquisas por telefone, elas, em linhas gerais, têm apresentado bons resultados”, analisou.
Ele também afirma que é um erro analisar a pesquisa baseado apenas no resultado eleitoral, já que há um intervalo entre o período em que ela foi realizada e o dia da votação.
“É um erro analisar uma pesquisa com um valor específico, tem sempre um intervalo envolvido. E isso leva as pessoas a terem uma falsa ideia de que a pesquisa errou, mas não, estava dentro da margem”, completou.

