Diego Fernandes – Araçatuba
O especialista em marketing político e pesquisas eleitorais Peter Abreu colocou no eleitor da região a responsabilidade de eleger candidatos locais para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa. O 1º turno das eleições acontece no próximo domingo, dia 4 de outubro, e o eleitor votará para deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente (nesta ordem).
Em entrevista concedida ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, apresentado por Suélen Giron, Peter afirmou que a região tem potencial para eleger pelo menos dois deputados federais e até três estaduais, mas para isso, é necessário que o eleitor vote e que acredite naquele candidato votado.
“Fala que não tem eu estou mentindo, tem sim. Araçatuba e região tem condição de eleger dois federais e no mínimo dois ou três estaduais, o problema é quantidade imensa de candidatos que buscam esses cargos. O que nós falamos para os eleitores? Você tem que acreditar. Você tem que trabalhar para que o seu candidato local seja eleito. O trabalho agora cabe ao eleitor em acreditar e votar nos candidatos da região”, disse Peter.
Peter Abreu também criticou candidatos que, segundo ele, sabem que não vão vencer a eleição, mas entraram no pleito para fazer número. Ele afirma que isso ajuda a tirar chances de outros nomes da região na disputa.
“Tem candidato que saiu para a campanha e que sabe que não vai vencer. Tem candidato que não está fazendo campanha na região e sabe que não vai ter sequer 10 ou 15 mil votos. Isso fica evidente. Ele está tirando a oportunidade de outra pessoa da cidade de conseguir a eleição. Se nós ficarmos novamente sem um candidato vai ser muito ruim”, afirmou.
Abreu comentou também sobre a maior distribuição de recursos para cidades e regiões que possuem deputados na Alesp e na Câmara Federal. Ele comenta que muitos dos votos da região acabam saindo para candidatos de outros locais.
“É difícil quando você vê, e isso já aparece em pesquisas, o eleitor votando em candidato que nem sabe onde fica Araçatuba e região no mapa. Você pode perceber que as regiões onde tem maior número de deputados, seja na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional, essa região tem mais recursos, porque tem a verba parlamentar que em grande parte é destinada para a cidade que esse candidato representa, e além disso, tem alguém brigando todos os dias pela região no governo federal e no governo estadual. Os prefeitos precisam de verba e a população também depende desses recursos”, disse.
Apesar disso, Peter Abreu não critica políticos atuais, como prefeitos e vereadores, que apoiam candidatos de fora por algum compromisso político. Segundo ele, essas parcerias costumam render recursos para as cidades, e também pavimentam o caminho para as eleições de 2028.
“Na eleição de 2026 já começa a campanha para 2028. O vereador que está trabalhando por um deputado, ele já trabalha que dois anos antes ele consiga trazer recursos para a cidade. Isso também é importante”, analisou.
Disputa pela Presidência
Sobre a disputa eleitoral para a presidência da República, Peter Abreu comentou sobre o equilíbrio entre os dois principais candidatos: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ele também afirma que provavelmente haverá segundo turno, salve haja uma abstenção muito grande.
“Um cenário muito próximo, principalmente em se falando de Lula e Flávio Bolsonaro, uma semana tem um fato, um evento novo, um cresce, o outro cai, na outra semana alguém cai e o outro cresce, e isso a gente vai ter até a véspera da eleição. Muito provavelmente a campanha vai para o segundo turno. Isso só não vai acontecer se houver uma abstenção muito grande”, analisou.
Disputa pelo Governo de SP
Abreu elogiou a estratégia pré-eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e destacou que isso o tornou grande favorito a vencer Fernando Haddad (PT) no primeiro turno. A junção de forças da direita no estado diminui a distribuição de votos na eleição de domingo, segundo ele.
“O Tarcísio consolidou essa campanha eleitoral antes dela começar. Primeiro ele começou a pavimentar a construção da sua vitória. Uma delas foi a negociação com o PSDB, quando ele tira o Paulo Serra de cena. Ele conseguiu antecipar a disputa do segundo turno para o primeiro turno e por isso tem chance de vitória, coisa que a direita não conseguiu fazer em nível nacional, onde tem cinco representantes da direita contra um da esquerda”, comparou.
Disputa pelo Senado
Já no Senado, Abreu acredita que os dois candidatos da direita, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), tendem a levar vantagem sobre as candidatas da esquerda Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Para ele, a estratégia de Tarcísio, de tirar Ricardo Salles (Novo) da disputa foi fundamental. Abreu também diz que o interior deve ajudar na decisão pró-direita nas eleições.
“Isso tende a acontecer com os candidatos da direita (tendem a crescer) e isso ficaria mais difícil se houvesse três candidatos da direita contra dois disputando o voto da esquerda. Com essa decisão de ter apenas dois candidatos da direita contra a Marina Silva e a Simone Tebet, facilitou muito a vida dos candidatos de direita, mas ainda assim, não dá para cravar. O que a gente sabe é que o estado é conservador e o interior tende a impulsionar os votos para o Derrite e o André do Prado e eles têm muita chance de vitória”, disse. “Você tem uma grande São Paulo onde a esquerda está mais forte, mas o interior do estado, tirando a região metropolitana de São Paulo, representa 53% dos eleitores”, completou.

