*Marcelo Teixeira
Pela sua natureza, a personagem central de “Gabriela, Cravo e Canela” (Jorge Amado, 1958) utiliza uma comunicação empática nas suas interações. Trata-se de alguém que valoriza a escuta atenta, a compreensão das emoções alheias e a expressão das suas próprias necessidades de maneira clara e simcera. Na maior parte das vezes, a sua forma de se comunicar busca evitar conflitos, priorizando a empatia e a compreensão, características que se alinham aos princípios fundamentais da Comunicação Não Violenta (CNV).
Também conhecida como comunicação não agressiva ou compassiva, essa abordagem foi desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg na década de 1960, com o intuito de promover a resolução de conflitos e aprimorar a qualidade das interações humanas. Surgiu em meio a um contexto social marcado por tensões, buscando uma forma mais altruísta de se comunicar.
Na sua essência, a CNV é um processo de comunicação baseado na empatia, focado na criação de conexões e na compreensão mútua. Os seus principais elementos envolvem observação objetiva, identificação de sentimentos, expressão das necessidades individuais e formulação de pedidos claros e concretos. Observação é a habilidade de descrever objetivamente uma situação, evitando julgamentos ou avaliações. É preciso focar em fatos observáveis, livres de interpretações pessoais, permitindo uma compreensão compartilhada da realidade.
Sobre a identificação e expressão genuína dos sentimentos experimentados em determinada situação, é preciso ter em mente que reconhecer e comunicar emoções de forma clara e autêntica ajuda na compreensão mútua e na construção de conexões mais profundas. O método se refere ainda às necessidades universais humanas, como segurança, pertencimento, autonomia, entre outras. Assentir e expressar essas necessidades ajuda a criar empatia e compreensão, estabelecendo bases para uma comunicação mais harmoniosa.
Quanto aos pedidos, são solicitações claras e específicas que expressam o que se espera para satisfazer determinada necessidade. Invocações concretas aumentam a probabilidade de serem atendidos, facilitando a cooperação e a resolução de conflitos.
A CNV tem aplicação ampla em diferentes contextos da vida cotidiana. No ambiente familiar, pode auxiliar na resolução de desentendimentos entre membros, promovendo diálogos mais construtivos e fortalecendo os vínculos afetivos. No âmbito profissional, é ferramenta valiosa para aprimorar a comunicação entre colegas, lideranças e equipes, contribuindo para um ambiente de trabalho mais colaborativo e produtivo. Além disso, em situações de conflito social, político ou interpessoal, a abordagem da CNV pode ajudar a reduzir tensões, promover o entendimento mútuo e buscar soluções pacíficas.
Portanto, para aplicar a Comunicação Não Violenta no cotidiano, é fundamental praticar a escuta ativa, buscar compreender os sentimentos e necessidades dos outros, além de expressar os nossos próprios de maneira clara e respeitosa. E, ao nos depararmos com conflitos ou situações desafiadoras, pausarmos e refletirmos sobre as observações, sentimentos e necessidades, pedindo com clareza o que desejamos, sem culpar ou julgar.
Ao desenvolvermos a habilidade de nos comunicarmos com empatia e compaixão, é possível transformar as relações interpessoais, criando um ambiente mais harmonioso e propício ao entendimento mútuo. Isso estimula o fortalecimento dos laços humanos, cultivando relações mais saudáveis e genuínas, essenciais para o bem-estar individual e coletivo.
*Marcelo Teixeira é jornalista, escritor e membro da Academia Araçatubense de Letras



