*Marcelo Teixeira
Sei que o título é pretencioso. Que seja, pois confesso que já tentei. Procurei régua, balança, relógio. Nenhum instrumento serviu. O amor escorre pelos dedos como água que não se deixa aprisionar. E, ainda assim, ele pesa em mim – não como fardo, mas como presença que me acompanha, mesmo quando o silêncio insiste em se instalar.
Percebi que o amor não está nos grandes gestos que as histórias costumam narrar. Ele se esconde em detalhes quase invisíveis: no café servido do jeito certo, no cobertor puxado durante a madrugada, no olhar que demora um pouco mais, como se quisesse guardar o outro para sempre. É nesse instante de demora que o amor se revela: não como fogo de artifício, mas como chama que aquece devagar.
Já descobri também que o amor se mede no tempo doado. O tempo é moeda que nunca volta, e mesmo assim abrimos mão dele sem arrependimento quando se trata de estar com quem amamos. Cada minuto oferecido é uma confissão silenciosa: “te escolho”. E, ao dizer isso sem palavras, construímos eternidade dentro de dias comuns.
Às vezes – somente à vezes – penso que o amor se revela mais forte nas ausências. A cadeira vazia na mesa do jantar, o perfume esquecido num casaco, a saudade que chega sem ser chamada. É curioso: a falta se torna prova. Só sentimos o vazio de quem, um dia, preencheu completamente.
E há as lágrimas. Não apenas as da dor, mas também as da alegria que não cabe dentro do peito. Amar é arriscar-se a chorar – e que risco mais belo pode existir? Porque até a dor do amor é sinal de vida, de coração desperto.
Hoje, se alguém me perguntar como medir o amor, talvez eu responda: mede-se naquilo que não se mede. No silêncio que acolhe, no sorriso que salva, no tempo que se oferece. O amor é essa matemática sem lógica, em que quanto mais se reparte, maior fica.
E, no fim, percebo que o amor não nasceu para ser medido, mas vivido. Ele é excesso, mar aberto, vento indomável. É a lembrança que insiste em voltar, é a esperança que não morre. Se existe alguma unidade para essa medida, atrevo-me a afirmar ser a eternidade – porque amar é o único jeito humano de tocar o infinito.
(Texto dedicado a minha esposa, Adriana, e meus filhos, Sofia e Mateus)
*Marcelo Teixeira é jornalista profissional diplomado e integrante da Academia Araçatubense de Letras, onde ocupa a Cadeira 11

